Por que afastaram o Dr. Kummer? Gestão Géri Dutra deve explicações à população

Por que afastaram Dr. Luis Fernando Kummer do atendimento ambulatorial de Ortopedia pelo SUS em Pato Branco? A pergunta precisa ser respondida pela gestão Géri Dutra, especialmente porque o médico encerrou um ciclo de décadas de atendimento à população e atribuiu a interrupção à Prefeitura Municipal.

O caso não pode ser tratado como uma simples troca administrativa ou como um detalhe burocrático dentro da Secretaria Municipal de Saúde. Quando um profissional com longa trajetória no atendimento público deixa de atender pelo SUS, a população tem direito de saber quais foram os critérios adotados, quem dará continuidade aos atendimentos, como ficarão os pacientes já acompanhados e se haverá impacto na fila da ortopedia.

SAÚDE PÚBLICA

Afastamento de médico com décadas de atendimento exige explicação

A nota pública assinada pelo Dr. Luis Fernando Kummer, CRM/PR 12.966, informa o encerramento de seu ciclo no atendimento ambulatorial de Ortopedia pelo SUS em Pato Branco. No texto, o médico afirma que a interrupção ocorreu por “exclusão determinada pela Prefeitura Municipal de Pato Branco”.

A declaração é grave porque não apresenta o encerramento como uma decisão voluntária do profissional. Ao contrário, a nota atribui o fim do atendimento a uma medida tomada pelo Município. Por isso, a gestão Géri Dutra precisa explicar, de forma objetiva, por que esse atendimento foi interrompido e qual planejamento foi adotado para evitar prejuízos aos usuários do SUS.

“Hoje, encerro meu ciclo no atendimento ambulatorial de Ortopedia pelo SUS na Prefeitura de Pato Branco. Isso se deve única e exclusivamente pela exclusão determinada pela Prefeitura Municipal de Pato Branco.”
Trecho da nota pública assinada por Dr. Luis Fernando Kummer

A pergunta central é simples: se a Prefeitura decidiu afastar o médico do atendimento ambulatorial, qual foi a justificativa técnica, administrativa ou contratual? E, principalmente, como a população foi informada sobre a continuidade do serviço?

PONTO CENTRAL

Não há indicativo de que o médico tenha abandonado o atendimento

Um ponto precisa ficar claro para evitar interpretações equivocadas: a nota pública analisada não indica que Dr. Kummer tenha abandonado os pacientes ou deixado o atendimento pelo SUS por vontade própria.

Pelo contrário, o comunicado afirma que o encerramento decorreu de uma “exclusão determinada” pela Prefeitura. Portanto, qualquer narrativa que tente apresentar a interrupção como simples desistência do profissional não encontra respaldo no conteúdo da própria nota divulgada.

A diferença é importante. Uma coisa é um médico decidir sair espontaneamente da rede pública. Outra, completamente diferente, é a gestão municipal interromper um vínculo de atendimento que, segundo o próprio comunicado, fazia parte de uma trajetória construída ao longo de anos junto à comunidade pato-branquense.

O que precisa ser respondido
Motivo do afastamento Qual foi a justificativa técnica ou administrativa para interromper o atendimento do médico pelo SUS?
Continuidade do serviço Quem assumirá os atendimentos ortopédicos ambulatoriais na rede pública?
Pacientes em acompanhamento Como ficarão os pacientes que já eram atendidos e aguardavam retorno?
Fila da ortopedia A mudança terá impacto no tempo de espera por consultas, encaminhamentos ou procedimentos?
Comunicação oficial Quando e de que forma os usuários do SUS foram informados sobre a alteração?

GESTÃO GÉRI DUTRA

Decisão não pode ficar escondida atrás de silêncio administrativo

A gestão Géri Dutra precisa compreender que decisões na saúde pública não atingem apenas contratos, escalas ou rotinas internas. Elas atingem pessoas. A ortopedia é uma área de grande demanda, envolvendo pacientes com dores crônicas, limitações físicas, necessidade de exames, encaminhamentos, retornos e, em muitos casos, avaliação para procedimentos cirúrgicos.

Quando um atendimento especializado é interrompido de forma repentina, a administração pública precisa apresentar respostas. Não basta simplesmente substituir nomes ou reorganizar contratos sem explicar à população o que muda na prática.

O usuário do SUS não pode ser o último a saber. O paciente que aguardava consulta, retorno ou encaminhamento precisa de informação clara. Precisa saber se será remarcado, se continuará sendo acompanhado, qual profissional assumirá a demanda e qual canal deve procurar dentro da rede municipal.

ESTRANHEZA

Encerrar um ciclo de tantos anos, no mínimo, levanta questionamentos

A interrupção do atendimento de um médico que, conforme a nota, construiu uma história de anos junto à população, no mínimo, levanta estranheza. Não se trata de blindar profissional, nem de transformar a situação em disputa pessoal. Trata-se de cobrar transparência da gestão pública.

Se havia motivo legal, técnico ou administrativo para a medida, a Prefeitura deve apresentar. Se houve mudança de norma, deve explicar. Se houve reorganização da rede, deve detalhar. Se houve substituição, deve informar quem assumirá a demanda. O que não pode é uma alteração dessa dimensão deixar pacientes no escuro.

A saúde pública exige continuidade. Uma decisão que afeta atendimento especializado não pode ser tomada sem planejamento visível, comunicação pública e garantia de que os pacientes não serão prejudicados.

“Minha maior dor não é o fim do vínculo em si, mas o sentimento de abandono que recai sobre esta população que tanto precisa de cuidado especializado.”
Trecho da nota pública assinada por Dr. Luis Fernando Kummer

INTERESSE PÚBLICO

A cobrança é institucional, não pessoal

O centro da discussão não é a relação individual entre médico e Prefeitura. O centro da discussão é a gestão de um serviço público essencial. A população de Pato Branco precisa saber se a interrupção do atendimento foi planejada, se houve substituição adequada e se os pacientes continuarão recebendo assistência ortopédica pelo SUS.

Na nota, Dr. Kummer afirma que sua atuação envolveu pacientes com necessidades reais e urgentes, além de encaminhamentos de casos complexos para centros de referência. Também menciona pessoas que viam no SUS sua principal possibilidade de acesso ao tratamento.

Esse histórico torna ainda mais necessária uma explicação pública. Não se encerra um ciclo de atendimento dessa natureza como se fosse uma simples movimentação interna. A gestão pública deve satisfação ao cidadão, especialmente quando a decisão impacta diretamente quem depende da rede pública de saúde.

TRANSPARÊNCIA

Prefeitura deve dizer qual é o novo fluxo da ortopedia

A principal resposta que a população precisa receber agora é sobre a continuidade do atendimento. Quem já era acompanhado continuará sendo atendido? Os retornos serão mantidos? Haverá novo profissional? A fila será reorganizada? Os pacientes serão comunicados individualmente? A demanda será absorvida sem atraso?

Essas perguntas não são ataques políticos. São questionamentos básicos de qualquer cidadão que depende do SUS. A Prefeitura administra um serviço público e, por isso, tem o dever de explicar suas decisões com clareza, especialmente quando envolve saúde, atendimento especializado e pacientes em situação de vulnerabilidade.

Se a gestão Géri Dutra entende que agiu corretamente, que apresente os critérios, os documentos administrativos e o plano de continuidade. A transparência é o caminho mais simples para evitar dúvidas, boatos e insegurança entre os pacientes.

OUTRO LADO

Espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura

O Portal Verdades mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura Municipal de Pato Branco e da Secretaria Municipal de Saúde. Caso o Município encaminhe posicionamento oficial, a resposta poderá ser publicada integralmente ou acrescentada à matéria.

Até a publicação deste texto, a análise tem como base a nota pública assinada pelo Dr. Luis Fernando Kummer e o interesse público envolvendo a continuidade do atendimento ambulatorial de Ortopedia pelo SUS em Pato Branco.

NOTA ORIGINAL

Leia a manifestação pública assinada pelo médico

EXCLUSÃO PELA PREFEITURA MUNICIPAL DE PATO BRANCO - NOTA DE ENCERRAMENTO DE ATENDIMENTO AMBULATORIAL PELO SUS E AGRADECIMENTO A TODOS OS PACIENTES E COMUNIDADE PATO-BRANQUENSE

É com o coração pesado e um profundo sentimento de melancolia que escrevo estas palavras.

Hoje, encerro meu ciclo no atendimento ambulatorial de Ortopedia pelo SUS na Prefeitura de Pato Branco. Isso se deve única e exclusivamente pela exclusão determinada pela Prefeitura Municipal de Pato Branco.

Não é uma despedida comum; é o fechamento de um capítulo de anos de uma história escrita com suor, resiliência e, acima de tudo, humanidade.

Ao longo desta jornada, nossa missão foi clara: dar voz e dignidade àqueles que o sistema privado muitas vezes ignora. Tivemos o privilégio de atender pessoas com necessidades reais e urgentes — cidadãos que viam no SUS sua única esperança de alívio para a dor.

Juntos, conseguimos operar pacientes que aguardavam por uma chance de retomar suas vidas e encaminhamos casos complexos para os grandes centros de referência, garantindo que o direito à saúde não fosse apenas uma letra morta na Constituição, mas uma realidade palpável.

Muitas vezes, esse trabalho foi hercúleo. Em diversos momentos, vi-me atuando de forma solitária, sustentando o atendimento por solicitação de gestores e pelo compromisso inabalável que firmei com esta comunidade.

Atendi cada chamado com a consciência de que, por trás de cada prontuário, havia um pai de família, uma avó ou uma criança que dependia exclusivamente do meu empenho e da engrenagem pública.

Infelizmente, deparo-me hoje com uma situação que só posso descrever como lamentável e profundamente triste. É impossível conter o sentimento de desolação ao perceber o cenário atual, que culmina no meu afastamento.

Minha maior dor não é o fim do vínculo em si, mas o sentimento de abandono que recai sobre esta população que tanto precisa de cuidado especializado.

Deixo este serviço com a consciência limpa de quem deu o seu melhor, muitas vezes além do que as condições permitiam. Mas deixo também um alerta e um lamento: a saúde pública é feita de continuidade e respeito ao paciente.

Ver esse trabalho ser interrompido desta forma é uma ferida que levarei comigo.

Aos que foram meus pacientes: foi uma honra caminhar ao lado de vocês.

Com profunda tristeza e respeito,

Dr. Luis Fernando Kummer
CRM/PR 12.966

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