As eleições de 2026 movimentaram R$ 11,03 bilhões em despesas e transferências financeiras declaradas por candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até sexta-feira (30). Um levantamento divulgado pela CNN Brasil neste domingo (1º) revela que mais da metade desse montante corresponde a repasses entre candidatos e partidos. Ao mesmo tempo, os investimentos em publicidade digital alcançaram R$ 488 milhões, com destaque para a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, que aparece com aproximadamente R$ 352 milhões em contratos eleitorais.
Os dados abrangem campanhas à Presidência da República, Senado, Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmara Legislativa do Distrito Federal. O levantamento apresenta uma dimensão da movimentação financeira das eleições, mas exige uma distinção importante: o total de R$ 11,03 bilhões inclui transferências entre candidaturas e não pode ser interpretado como despesa final efetivamente realizada ou como dinheiro exclusivamente público. As prestações de contas ainda estão em andamento e os valores podem mudar.
Mais da metade da movimentação corresponde a transferências entre campanhas
O maior componente identificado pela CNN Brasil foi o repasse financeiro a outras candidaturas e organizações partidárias. Essa modalidade representa R$ 5,72 bilhões, aproximadamente 52% do total contabilizado.
A transferência é um mecanismo previsto na legislação eleitoral. Um partido ou candidato pode encaminhar recursos para outra campanha, respeitando as regras de origem, destinação, limites e prestação de contas.
Entretanto, uma mesma quantia pode aparecer inicialmente como transferência realizada por uma candidatura e, posteriormente, como despesa executada pela candidatura que recebeu o dinheiro. Por isso, simplesmente somar todos os registros não permite afirmar quanto efetivamente custou a eleição, sem uma conciliação contábil que elimine possíveis duplicidades.
É o valor agregado de despesas e repasses identificado no levantamento da CNN, não uma auditoria de gastos finais. O número inclui transferências que podem voltar a aparecer quando os recursos forem utilizados. Também reúne dinheiro público e privado, conforme a origem declarada de cada campanha.
Materiais impressos, serviços e mobilização receberam bilhões
Além das transferências, o levantamento identificou despesas expressivas com a estrutura tradicional das campanhas. A publicidade por materiais impressos, como panfletos e cartazes, representou R$ 976 milhões. Os serviços prestados por terceiros somaram R$ 795 milhões, enquanto atividades de militância e mobilização de rua alcançaram R$ 662 milhões.
Também foram identificados R$ 538 milhões em despesas com pessoal, R$ 302 milhões em serviços advocatícios e aproximadamente R$ 282 milhões em produção de programas de rádio, televisão e vídeo. Os valores correspondem às categorias utilizadas no levantamento e não devem ser novamente somados ao total agregado.
Os números mostram que, apesar do avanço das redes sociais, a campanha eleitoral continua mobilizando uma estrutura de fornecedores, profissionais de comunicação, produção audiovisual, materiais gráficos e equipes responsáveis por eventos e atividades presenciais.
Meta aparece com R$ 352 milhões em contratos eleitorais
Um dos principais destaques das eleições de 2026 foi o volume de recursos destinados à publicidade nas plataformas digitais. Segundo a CNN Brasil, as candidaturas declararam R$ 488 milhões em impulsionamento de conteúdos, modalidade que permite ampliar o alcance de publicações mediante pagamento.
A Meta aparece como principal destinatária desse tipo de investimento, com aproximadamente R$ 352 milhões associados a 28,6 mil contratos eleitorais. No recorte divulgado, o valor corresponde a cerca de 72% da verba classificada como impulsionamento digital.
A revista Veja também identificou R$ 352 milhões em contratos com a empresa. Segundo a publicação, o valor se aproxima dos R$ 392 milhões que a companhia havia registrado, somados, nas quatro eleições anteriores, entre 2016 e 2024.
A expansão desse mercado acompanha a utilização de vídeos, anúncios patrocinados e estratégias de comunicação segmentada por candidatos de diferentes partidos. A contratação regular de publicidade, contudo, não constitui irregularidade eleitoral por si só.
A Lei nº 9.504/1997 admite o impulsionamento eleitoral na internet, desde que observadas as condições legais, incluindo identificação adequada, contratação por agentes autorizados e transparência dos gastos.
De onde vêm os recursos utilizados nas campanhas?
O financiamento eleitoral brasileiro combina diferentes fontes, entre elas o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, recursos do Fundo Partidário, doações de pessoas físicas e recursos próprios de candidaturas, além das transferências realizadas entre partidos e candidatos.
Segundo o levantamento divulgado pela CNN, o Fundo Eleitoral de 2026 foi de aproximadamente R$ 4,91 bilhões. Esse valor corresponde ao orçamento público destinado a essa modalidade de financiamento e não deve ser somado automaticamente às despesas declaradas como se representasse uma operação adicional.
O repasse de recursos públicos exige identificação da origem, comprovação de utilização e observância das regras eleitorais. Recursos privados também estão sujeitos aos limites e às exigências de declaração estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Painel independente aponta R$ 359 milhões arrecadados por candidaturas do Paraná
No Paraná, um levantamento independente do HubPolítico, baseado nos dados públicos do DivulgaCandContas do TSE, registrava aproximadamente R$ 359 milhões em receitas declaradas por 970 candidaturas vinculadas ao estado, com atualização de 31 de outubro.
O número possui metodologia diferente do total nacional apresentado pela CNN: trata-se de arrecadação informada pelas campanhas paranaenses, e não do mesmo conceito de despesas e transferências utilizado no levantamento de R$ 11,03 bilhões. Portanto, os dois valores não podem ser comparados diretamente.
A base inclui candidaturas ao Governo do Paraná, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Para identificar quanto foi efetivamente gasto em publicidade digital no estado e quais empresas receberam os pagamentos, é necessário examinar individualmente as despesas e os fornecedores declarados.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná orienta que essas informações sejam consultadas no DivulgaCandContas, onde é possível filtrar candidaturas por estado, cargo e partido, além de acessar receitas, despesas, doadores e fornecedores.
Prestação de contas ainda não terminou e valores podem aumentar
Apesar da dimensão dos números, as contas eleitorais de 2026 ainda não estão encerradas. Conforme calendário oficial do TSE, candidatos e partidos que participaram do primeiro turno têm até 3 de novembro para apresentar a prestação de contas final.
Para as candidaturas que participaram do segundo turno, realizado em 25 de outubro, o prazo termina em 14 de novembro. Nesses casos, a prestação deverá abranger a movimentação financeira dos dois turnos.
Depois do envio, a Justiça Eleitoral poderá examinar receitas, despesas, documentos comprobatórios e eventuais inconsistências. A simples existência de valores elevados ou pagamentos a fornecedores não demonstra desvio de recursos nem descumprimento da legislação.
A população pode acompanhar as informações diretamente no DivulgaCandContas do TSE, sistema que permite consultar as movimentações declaradas por candidaturas e partidos.
O balanço divulgado neste domingo revela a dimensão financeira das eleições de 2026 e a crescente participação das plataformas digitais na disputa. A análise definitiva dependerá da consolidação das prestações de contas e da identificação do destino final dos recursos, especialmente nas transferências entre campanhas e nos pagamentos realizados a fornecedores.
Foto de arquivo do primeiro turno das Eleições 2026, em 4 de outubro. Edilson Rodrigues/Agência Senado, via Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 4.0. Fonte original da fotografia. Fotografia não retrata a movimentação financeira declarada.
