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Senado pressiona Copel e Aneel e exige plano de ação em 30 dias contra falhas e reajuste de 26%

A qualidade do fornecimento de energia elétrica no Paraná e o iminente aumento na conta de luz dominaram uma audiência pública realizada nesta terça-feira (5) na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal. No centro das críticas, a Copel — concessionária que atende cerca de 5,29 milhões de unidades consumidoras em 394 dos 399 municípios paranaenses — foi cobrada por falhas recorrentes no serviço e pela perspectiva de reajuste tarifário com vigor a partir de 24 de junho.

Ao encerrar os trabalhos, o senador Sergio Moro (PL-PR), autor do requerimento que originou a audiência, fixou prazo de 30 dias para que a Copel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentem um diagnóstico detalhado das falhas e um plano de ação com metas claras de melhoria e transparência para o consumidor.

Reajuste integral previsto
26%
19% em 2026 + 7% em 2027
Alta tensão (indústria A2)
51%
Segmento mais impactado
Prazo para Copel e Aneel
30
dias para apresentar plano de ação
Unidades consumidoras no PR
5,29M
em 394 dos 399 municípios

Revisão Tarifária Periódica 2026 — Copel/Aneel

Reajuste previsto para junho: 19% já neste ano

A Aneel abriu consulta pública em abril para debater a revisão tarifária periódica da Copel — processo que ocorre a cada cinco anos para redefinir custos e investimentos da concessão. A proposta técnica da agência previa inicialmente um impacto de 26%, mas a própria Copel solicitou o diferimento máximo permitido em regulamento para reduzir o impacto imediato. Com isso, o reajuste foi dividido: 19,2% neste ano e o restante em 2027.

Os principais fatores que pressionam as tarifas são custos com transmissão de energia, encargos setoriais definidos pelo governo federal e a compensação pelos investimentos realizados pela Copel na rede nos últimos anos. O novo índice, se homologado pela Aneel, entra em vigor em 24 de junho de 2026.

Impacto do reajuste por classe de consumidor (%)
Reajuste proposto em 2026 Projeção adicional 2027

Fonte: Aneel — Consulta Pública nº 005/2026 | Revisão Tarifária Periódica Copel


Audiência Pública — Senado Federal, 5 de maio de 2026

Moro: "Alguma coisa não está funcionando"

O senador Sergio Moro adotou tom crítico desde a abertura. Para ele, os aportes realizados pela Copel nos últimos anos não se traduziram em melhora perceptível para quem paga a conta. "Pela percepção do consumidor paranaense, esses investimentos não têm revertido em uma qualidade suficiente do serviço", afirmou. E completou: "Não podemos atribuir tudo ao clima. Alguma coisa não está funcionando."

A declaração veio em resposta ao diretor da Copel Distribuição, Marco Antonio Villela de Abreu, que havia atribuído parte dos problemas ao aumento de eventos climáticos extremos — ventos fortes e tempestades que, segundo ele, têm causado danos relevantes à rede elétrica em todo o estado.

Sobre o reajuste, Moro foi direto: "Demonstramos aqui nossa insatisfação com esse percentual de 26% numa conjuntura em que a qualidade do serviço não tem se mostrado adequada. Esse aumento precisa ser repensado, porque não é justo com a população paranaense. O cliente tem sempre razão, e quem tem razão aqui é a população paranaense."


Indústria, agro e cooperativas: o impacto em toda a cadeia

O superintendente da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), João Arthur Mohr, alertou para os efeitos em cascata. A energia já é o terceiro maior custo das indústrias paranaenses. "Estamos falando de um aumento de 26%, sendo 19% já neste ano. Algumas indústrias podem ter reajustes de até 51%. Como isso será absorvido? Vai impactar diretamente o preço dos alimentos e gerar inflação", afirmou.

Mohr também apontou uma distorção nos indicadores oficiais: "A média mascara muito. Um consumidor rural pode ter 100 horas de queda, enquanto centenas de consumidores urbanos têm poucas horas. No papel, parece que está dentro do limite, mas na prática não está." Ele exemplificou que regiões de Curitiba registram cerca de 1 hora de interrupção anual, enquanto o interior sofre impactos muito mais severos.

O presidente da Faep (Federação da Agricultura do Paraná), Ágide Meneghette, detalhou prejuízos diretos no campo: perdas na criação de frangos, peixes e na produção de leite decorrentes das interrupções. "Sem energia, não há produção agropecuária", disse, classificando o cenário como "caótico" e defendendo auditoria independente e mais transparência nos dados. "Aumentar a tarifa é premiar um serviço que não atende à população."

Pelo sistema cooperativista, o coordenador técnico do Sistema Ocepar, Silvio Krinski, reforçou: "As cooperativas são eletrointensivas. Precisamos de energia em quantidade e qualidade." Ele alertou para o risco de prejuízo total em poucos minutos nas cadeias de avicultura e piscicultura. "Não há como absorver aumentos elevados. Isso será repassado ao consumidor final."

Setor produtivo vs. reajuste: quem mais sente o impacto
Reajuste médio proposto (%)

Fonte: Aneel — Audiência Pública Curitiba, 29/04/2026 | Fiep


Aneel reconhece piora; Copel já está sob fiscalização técnica

A superintendente da Aneel, Ana Cláudia Cirino dos Santos, confirmou crescimento expressivo no volume de reclamações dos consumidores. "A tendência de aumento das reclamações indica deterioração do serviço", declarou. Ela ressaltou, porém, que a Copel ainda cumpre formalmente os indicadores técnicos exigidos. A agência informou que a distribuidora está sob fiscalização técnica e estuda mudanças nas regras para que os índices reflitam melhor a realidade do consumidor.

A Secretaria Nacional do Consumidor apresentou dados de queda na satisfação: mais da metade dos consumidores passou a atribuir as notas mais baixas à Copel. O secretário Ricardo Morishita Wada foi enfático: "É crucial que o consumidor lesado seja indenizado. Lesar não pode se transformar em lucro para a empresa." Ele destacou a plataforma Consumidor.gov.br como instrumento de registro e pressão regulatória.

Panorama da audiência: quem cobrou e o que pediu
Senado (Moro) Setor produtivo Reguladores

Fonte: Portal Verdades com base em Gazeta do Paraná e Aneel


30 dias para agir — e o prazo final de junho

Ao encerrar a audiência, Moro fixou o prazo de 30 dias para que Copel e Aneel entreguem à comissão um diagnóstico completo e um plano de ação com metas claras. Paralelamente, a consulta pública da Aneel sobre o reajuste permanece aberta até 22 de maio de 2026 — e o novo índice tarifário, se homologado, entra em vigor em 24 de junho.

Metodologia/Ficha técnica: Audiência pública realizada em 5 de maio de 2026, na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal. Reajuste tarifário debatido com base na Consulta Pública nº 005/2026 da Aneel, aberta em 7 de abril de 2026, com prazo até 22 de maio. A Copel atende 5,29 milhões de unidades consumidoras no Paraná, com receita anual estimada em R$ 16,14 bilhões.

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