Géri Dutra já autorizou R$ 52,8 milhões em empréstimos apenas no primeiro ano e se aproxima do total da gestão anterior em quatro anos, período marcado pela pandemia

Em menos de oito meses de mandato, a gestão Géri Dutra já teve R$ 52,8 milhões autorizados em operações de crédito em Pato Branco. O valor se aproxima dos cerca de R$ 70 milhões atribuídos aos quatro anos da gestão anterior, período que atravessou uma das fases mais difíceis da história recente dos municípios: a pandemia e seus reflexos econômicos, sociais e administrativos.

O dado precisa entrar no centro do debate público porque um conhecido defensor da atual administração, marcado por confusões e baderna por onde passa, voltou a tentar emplacar a frase de que o ex-gestor teria “atolado” a Prefeitura em empréstimos. A tentativa de concentrar a discussão apenas no passado, porém, deixa de fora um ponto essencial: o governo Géri Dutra, que esse mesmo personagem apoiou, depois criticou e agora voltou a proteger publicamente, já autorizou em poucos meses aproximadamente 75% do valor associado a toda a administração anterior.

Gestão anterior
R$ 70 mi
valor atribuído a quatro anos de mandato
Gestão Géri Dutra
R$ 52,8 mi
valor autorizado em menos de oito meses
Proposta inicial
R$ 82,9 mi
pacote que chegou a ser enviado

Comparativo necessário

Atual gestão chegou perto, em meses, do volume atribuído a quatro anos da administração passada

A comparação não pode ser feita apenas por conveniência política. Se o debate é sobre endividamento, ele precisa considerar valores, período de governo, contexto econômico e responsabilidade de cada administração. A gestão anterior é associada a cerca de R$ 70 milhões em operações de crédito ao longo de quatro anos. Já a gestão Géri Dutra teve R$ 52.860.000,00 autorizados ainda nos primeiros meses de mandato.

Na prática, isso significa que a atual administração se aproximou rapidamente do montante que seus apoiadores costumam atribuir a todo o ciclo anterior de governo. A diferença temporal é evidente: enquanto o valor da gestão passada teria sido acumulado durante quatro anos, o governo atual chegou perto desse patamar em menos de oito meses.

Esse dado não significa que toda operação de crédito seja automaticamente irregular. Municípios podem contratar empréstimos para financiar obras, infraestrutura e contrapartidas, desde que respeitem a legislação e os limites fiscais. Mas também não é possível tratar empréstimos como problema apenas quando pertencem a uma gestão anterior, enquanto operações semelhantes da atual administração são apresentadas apenas como solução.

Os empréstimos autorizados

Três leis abriram caminho para mais de R$ 52 milhões em operações de crédito

Segundo levantamento com base em leis municipais e registros legislativos, a gestão Géri Dutra teve três operações de crédito autorizadas em 2025. Os valores envolvem Banco do Brasil, Agência de Fomento do Paraná e Caixa Econômica Federal, por meio do FINISA.

Operações autorizadas na gestão Géri Dutra
Lei Ordinária nº 6.450/2025 Banco do Brasil — até R$ 22.300.000,00
Lei Ordinária nº 6.451/2025 Agência de Fomento do Paraná — até R$ 10.560.000,00
Lei Ordinária nº 6.455/2025 Caixa Econômica Federal / FINISA — até R$ 20.000.000,00
Total autorizado R$ 52.860.000,00

Somadas, as autorizações chegam a R$ 52.860.000,00. O montante representa cerca de 75% dos aproximadamente R$ 70 milhões atribuídos aos quatro anos da gestão anterior. Por isso, qualquer análise séria sobre endividamento em Pato Branco precisa incluir também as decisões tomadas pelo governo Géri Dutra.

A proposta era ainda maior

Antes dos R$ 52,8 milhões, o governo tentou viabilizar R$ 82,9 milhões

O valor aprovado não foi o primeiro desenho apresentado pela atual administração. Antes da reformulação, a Prefeitura encaminhou projetos que somavam R$ 82.905.000,00 em operações de crédito.

Entre as propostas estavam R$ 13.245.000,00 junto à Agência de Fomento do Paraná e R$ 69.660.000,00 em outra operação. Os projetos enfrentaram resistência política, especialmente diante de questionamentos sobre a clareza na destinação integral dos recursos e sobre o impacto que o endividamento poderia gerar nas finanças municipais.

Se o pacote original tivesse sido aprovado integralmente, a gestão Géri Dutra teria ultrapassado, já nos primeiros meses de mandato, o valor atribuído aos quatro anos da administração anterior. Esse dado mostra que o ritmo de endividamento pretendido inicialmente pelo atual governo era ainda mais acelerado do que o volume que acabou aprovado.

O debate sobre empréstimos não pode ser seletivo. Se o assunto é endividamento público, a análise precisa alcançar também quem está governando agora.
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O contexto ignorado

Gestão anterior passou por anos marcados pela pandemia; atual gestão já se endivida em ritmo elevado

Um ponto frequentemente ignorado por quem tenta responsabilizar apenas a gestão passada é o contexto vivido naquele período. A administração anterior governou durante anos marcados pelos efeitos da pandemia, com pressão sobre a saúde pública, instabilidade econômica, aumento de custos, mudanças de arrecadação, dificuldades de planejamento e forte impacto sobre a rotina dos municípios.

Esse contexto não elimina a necessidade de fiscalização. Toda operação de crédito, de qualquer governo, deve ser acompanhada pela população, pela Câmara de Vereadores e pelos órgãos de controle. No entanto, ele ajuda a demonstrar que a comparação precisa ser feita com responsabilidade, e não apenas como frase de rede social.

Quando defensores do prefeito Géri Dutra afirmam que o ex-gestor teria “atolado” a Prefeitura em empréstimos, deixam de mencionar que a atual gestão, mesmo sem enfrentar o mesmo cenário emergencial da pandemia, já autorizou em menos de oito meses um volume próximo ao total atribuído aos quatro anos anteriores.

Empréstimo público não é dinheiro gratuito

Operações de crédito geram dívida e precisam de transparência

Empréstimos públicos podem ser instrumentos legais de financiamento. O problema é que eles não representam dinheiro gratuito. O recurso contratado hoje será pago pelo Município ao longo dos anos, com dinheiro público, juros, encargos e impacto sobre a capacidade futura de investimento.

Por isso, a discussão sobre os R$ 52,8 milhões autorizados na atual gestão não pode ficar restrita ao discurso de que os recursos serão usados em obras ou investimentos. A população precisa saber onde cada valor será aplicado, quais projetos sairão do papel, quais contratos serão firmados, quais prazos serão cumpridos e qual será o custo financeiro dessa política de crédito para os próximos anos.

O volume autorizado em tão pouco tempo exige cobrança rigorosa. Se a gestão atual decidiu ampliar o endividamento do Município logo no início do mandato, também precisa apresentar resultados concretos, planejamento detalhado e prestação de contas permanente.

O passado virou escudo

Defensores de Géri apontam a gestão anterior, mas evitam discutir os números atuais

Nas redes sociais, a narrativa de que o ex-gestor teria “atolado” a Prefeitura em empréstimos continua sendo usada como defesa política da atual administração. O problema é que esse discurso tenta transformar o passado em escudo permanente, enquanto evita discutir as escolhas financeiras feitas pelo governo que está no comando.

A gestão anterior pode e deve ser cobrada por suas decisões. Mas a atual gestão também precisa ser cobrada pelas suas. O critério precisa ser o mesmo. Se empréstimo preocupa quando é contratado por uma administração, também precisa preocupar quando é autorizado por outra.

Ao autorizar R$ 52,8 milhões em menos de oito meses e ter tentado inicialmente R$ 82,9 milhões, o governo Géri Dutra entra diretamente no centro do debate sobre endividamento em Pato Branco. Não é possível falar em responsabilidade fiscal olhando apenas para trás.

O ponto central

A gestão anterior é associada a cerca de R$ 70 milhões em empréstimos ao longo de quatro anos, período marcado pelos impactos da pandemia. Já a gestão Géri Dutra teve R$ 52,8 milhões autorizados em menos de oito meses e chegou a tentar viabilizar R$ 82,9 milhões. O debate sobre endividamento em Pato Branco, portanto, precisa incluir também as decisões do governo atual.

Responsabilidade de quem governa

Agora, a conta também é da atual gestão

A gestão anterior já foi julgada politicamente nas urnas. O atual prefeito foi eleito para administrar Pato Branco, tomar decisões, executar obras, organizar as contas e responder pelos rumos da cidade. A partir do momento em que a nova administração autoriza um volume elevado de empréstimos, ela também assume a responsabilidade pelos efeitos dessas escolhas.

O debate público não pode ser reduzido a frases prontas. É preciso olhar para os documentos, para os valores, para o tempo de governo e para o contexto de cada período. E os números mostram que Géri Dutra, em menos de oito meses de mandato, já autorizou quase o mesmo valor em empréstimos que seus defensores atribuem aos quatro anos da gestão anterior.

Se a promessa era reorganizar Pato Branco, a população precisa saber por que o governo atual já depende de tanto crédito no início da gestão. Mais do que apontar o passado, a administração municipal precisa explicar o presente e prestar contas sobre o futuro financeiro que está construindo para o município.

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