A cobrança feita na Câmara Municipal colocou a gestão Géri Dutra diante de uma questão objetiva: diversos recursos destinados ou articulados pelo deputado estadual Luiz Fernando Guerra Filho estariam disponíveis, mas não avançam porque a Prefeitura ainda não teria feito a parte que cabe ao Executivo — elaborar, encaminhar e protocolar os projetos necessários.
O tema foi levantado pelos vereadores Rafael Foss e Chopim, que criticaram a diferença de tratamento dada pela administração municipal a recursos ligados ao deputado Guerra, parlamentar com atuação direta em Pato Branco, enquanto o prefeito aparece em vídeos, fotos e anúncios ao lado de deputados de outras regiões.
Deputado destina o recurso; quem precisa tirar do papel é a Prefeitura
A discussão exige uma separação clara de responsabilidades. Um deputado pode articular, indicar ou destinar recursos para o município. Mas, depois dessa etapa, quem precisa transformar a verba em obra, reforma, aquisição ou serviço é a Prefeitura.
Cabe ao Executivo elaborar projetos técnicos, reunir documentos, protocolar propostas, cumprir exigências, abrir licitações, fiscalizar contratos e executar a entrega. Sem essas providências, o recurso não chega à população, mesmo que já exista indicação política ou prioridade aberta junto ao Estado.
Por isso, a cobrança dos vereadores mira diretamente a gestão Géri Dutra. Segundo as falas em plenário, o problema não estaria mais na falta de recurso, mas na ausência dos projetos municipais necessários para destravar as obras e investimentos.
Vereadores questionam se demora é falha técnica ou seletividade política
A suspeita de possível boicote surge justamente do contraste político apontado pelos vereadores. De um lado, a Prefeitura divulga agendas e anúncios com deputados de fora. De outro, recursos articulados por Guerra, deputado ligado a Pato Branco, estariam sem o mesmo ritmo de encaminhamento dentro do Executivo.
A cobrança não significa afirmar, de forma definitiva, que há boicote. Mas a ausência de explicações públicas, documentos, datas e protocolos alimenta a leitura de que projetos ligados ao deputado Guerra podem estar sendo tratados com menor prioridade pela atual administração.
Se não há motivação política, cabe à Prefeitura apresentar os motivos técnicos da demora e informar em que fase está cada projeto citado pelos vereadores.
Vereador acusa prefeito de priorizar rede social e deputados sem ligação com a cidade
Rafael Foss fez uma das críticas mais duras à postura do prefeito. Segundo ele, Géri Dutra estaria mais preocupado em aparecer nas redes sociais, repetir o discurso de que recebeu a Prefeitura endividada e prestigiar deputados que não conhecem a realidade local do que em dar andamento a projetos já existentes para Pato Branco.
O vereador também contestou a narrativa da dívida usada pela gestão e afirmou que esse discurso vem sendo repetido como justificativa, enquanto demandas importantes seguem sem solução.
Para Foss, a contradição aparece quando a Prefeitura busca capital político com novos anúncios, mas não dá a mesma atenção aos projetos articulados pelo deputado Guerra.
Foss também cobrou pautas sociais mencionadas durante a campanha, como a praça voltada às pessoas com autismo e a ampliação de vagas em creches. Segundo ele, mães seguem procurando vereadores em busca de apoio, enquanto promessas e projetos não saem do papel.
Vereador lista recursos e diz que falta a Prefeitura encaminhar os projetos
A fala do vereador Chopim deu contorno mais técnico à cobrança. Ele pediu que o Executivo dê às emendas do deputado Luiz Fernando Guerra Filho a mesma agilidade que, segundo ele, estaria sendo dada a recursos de deputados de outras regiões, como Francisco Beltrão e Cascavel.
De acordo com Chopim, há recursos disponíveis e prioridades abertas junto à Secretaria das Cidades, mas a Prefeitura de Pato Branco ainda não teria encaminhado os projetos. O vereador citou reformas de escolas, melhorias na Arena Cláudio Petrycoski, investimentos no Estádio Os Pioneiros e reforma do Céu das Artes.
A fala de Chopim é importante porque desloca a responsabilidade para a etapa municipal. Segundo o vereador, o deputado já teria feito sua parte ao viabilizar os recursos e abrir caminho junto ao Estado. O que faltaria, agora, seria a Prefeitura apresentar os projetos necessários.
Chopim também questionou se a demora prejudicaria o deputado ou a própria população. Para ele, quando um projeto não é encaminhado, quem perde são os moradores que poderiam ser beneficiados pelas obras, reformas e aquisições.
Escolas, Arena, estádio, Céu das Artes, autismo e creches aparecem na cobrança
As falas reuniram cobranças em diferentes áreas. Chopim citou recursos e obras que dependeriam de projetos da Prefeitura. Foss ampliou o debate para promessas e demandas sociais que, segundo ele, também não estariam recebendo prioridade.
| Escola do Cachoeirinha | Recurso para reforma citado por Chopim como disponível, mas ainda dependente de projeto do Executivo. |
| Escola Josefa Fraron | Reforma mencionada por Chopim entre as prioridades abertas junto à Secretaria das Cidades. |
| Escola Vila Isabel | Outro projeto escolar citado por Chopim na cobrança feita em plenário. |
| Arena Cláudio Petrycoski | Chopim citou R$ 1 milhão para aquisição de cadeiras; Foss também criticou o atraso anterior na entrega da Arena. |
| Estádio Os Pioneiros | Mais de R$ 4 milhões mencionados por Chopim para investimentos no estádio. |
| Céu das Artes | Valores para reforma foram citados por Chopim como pendentes de encaminhamento técnico. |
| Praça do Autismo | Foss cobrou a promessa feita durante a campanha e afirmou que o projeto não sai do papel. |
| Creches | Foss mencionou mães que procuram vereadores por vaga e cobrou prioridade para o tema. |
Prefeito exalta deputados de fora enquanto recursos locais seguem sob cobrança
O contraste apontado pelos vereadores é o que sustenta a crítica política. Segundo as falas em plenário, a gestão demonstra disposição para anunciar recursos com deputados de fora, mas não estaria mostrando a mesma agilidade quando os projetos envolvem recursos articulados por Guerra.
Na prática, a Prefeitura precisa esclarecer qual critério usa para definir prioridades. Recursos públicos não podem depender de alinhamento político, simpatia pessoal ou conveniência eleitoral. Se o investimento é para Pato Branco, a obrigação do Executivo é tratar o assunto com prioridade técnica.
Caso expõe dúvida maior sobre pacote recente anunciado
A cobrança também reforça uma dúvida já levantada no debate público: a atual gestão terá capacidade de executar o pacote anunciado recentemente para Pato Branco?
O valor é expressivo e pode representar avanços importantes, mas anúncio não é entrega. Para sair do papel, qualquer recurso exige projeto, edital, licitação, fiscalização, cumprimento de prazos e gestão eficiente.
Se projetos menores, segundo os vereadores, já enfrentam demora na fase de encaminhamento municipal, a execução de um pacote muito maior exigirá transparência, planejamento e cobrança permanente.
Prefeitura precisa explicar se há entrave técnico ou seletividade política
Diante das falas feitas na Câmara, cabe à Prefeitura de Pato Branco esclarecer a situação de cada projeto mencionado. O Executivo deve informar se os projetos das escolas, da Arena Cláudio Petrycoski, do Estádio Os Pioneiros, do Céu das Artes, da Praça do Autismo e das creches citadas já foram elaborados, se estão em análise, se foram protocolados ou se ainda dependem de alguma etapa interna.
Também cabe à gestão explicar se há entraves técnicos, falta de documentação, problemas de prazo ou qualquer outro motivo administrativo que justifique a demora apontada pelos vereadores.
Até que apresente documentos e prazos, a cobrança permanece: se o deputado já fez a parte dele e os recursos estão disponíveis, por que a Prefeitura ainda não tirou esses projetos do papel?
Fonte: falas dos vereadores Rafael Foss e Chopim em sessão da Câmara Municipal de Pato Branco; matéria anterior do Portal Verdades sobre o pacote de investimentos anunciado para Pato Branco.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Câmara Municipal de Pato Branco e Portal Verdades
