O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou nesta terça-feira (27) a professora Aparecida de Fátima Gavioli Soares Pereira como futura secretária de Estado da Educação. Natural de Goioerê, no Noroeste paranaense, ela atualmente comanda a Educação de Goiás e assumirá a pasta no Paraná em janeiro de 2027, quando começa a nova administração estadual.
A escolha foi anunciada durante entrevista à Jovem Pan Curitiba. Com passagens pelas secretarias de Educação de Rondônia e Goiás, Gavioli chega ao futuro governo com experiência administrativa e participação em programas que acompanharam a melhoria de indicadores educacionais. Sua trajetória, entretanto, também inclui conflitos com professores, críticas sindicais e decisões controversas.
Moro confirma segundo nome do secretariado
Segundo Moro, a escolha de Fátima Gavioli ocorreu após recomendações de diferentes pessoas que conhecem seu trabalho na administração educacional. A indicação também foi discutida com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), de cuja equipe ela participou por vários anos.
A professora é o segundo nome confirmado para o primeiro escalão do futuro governo paranaense. Anteriormente, Moro anunciou Priscilla Santana para comandar a Secretaria de Estado da Fazenda.
Em entrevista ao Uai Notícias Goiás, Gavioli confirmou ter aceitado o convite para integrar o governo do Paraná. Ela relatou ainda ter recebido convite de Rondônia e uma sondagem de Tocantins.
Quem é Fátima Gavioli?
Nascida em Goioerê, Fátima Gavioli desenvolveu parte significativa de sua carreira em Rondônia, onde atuou como professora e gestora da rede estadual. Entre dezembro de 2014 e janeiro de 2017, comandou a Secretaria de Educação daquele estado, durante o governo de Confúcio Moura.
É formada em Letras, Direito e Pedagogia, possui mestrado em Educação, pós-graduação em Gestão Pública e doutorado em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Em janeiro de 2019, assumiu a Secretaria de Educação de Goiás, durante o governo Ronaldo Caiado, permanecendo até março de 2026. Deixou o cargo para disputar uma vaga de deputada federal pelo PSD, recebeu 54.954 votos e não foi eleita, ficando como suplente.
No início de outubro, retornou à secretaria goiana por nomeação do governador Daniel Vilela. Poucas semanas depois, recebeu o convite para assumir a Educação do Paraná.
Ideb de Goiás avançou durante sua gestão
A trajetória de Gavioli em Goiás foi marcada pela implantação e continuidade de programas voltados à permanência de estudantes, à infraestrutura escolar e à melhoria da aprendizagem.
Entre as iniciativas estão o Bolsa Estudo, a distribuição de uniformes e materiais escolares, reformas de unidades de ensino e o AlfaMais Goiás, programa desenvolvido em colaboração com municípios para apoiar a alfabetização infantil.
Segundo o governo goiano, a nota do ensino médio estadual no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) passou de 4,3, referente a 2017, para 5,0 em 2025. O índice combina aprendizagem dos estudantes com dados de rendimento escolar. A evolução ocorreu ao longo de vários anos e resulta de fatores que não podem ser atribuídos isoladamente a uma única gestora.
No Paraná, o desafio será administrar uma rede que já registra desempenho elevado. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o ensino médio paranaense alcançou nota 5,1 no Ideb de 2025, avanço em relação aos 4,9 registrados em 2023.
Declarações sobre salários e conflitos com professores
Apesar dos resultados educacionais, a passagem de Gavioli pela Educação de Goiás também teve episódios de desgaste com entidades representativas dos professores, especialmente em discussões sobre remuneração, carreira e condições de trabalho.
Um dos casos mais repercutidos ocorreu em outubro de 2024. Durante uma transmissão ao vivo com profissionais da educação, a secretária respondeu a um professor que relatava dificuldades financeiras e afirmou estar passando fome.
Gavioli disse que o profissional deveria procurar outro emprego caso considerasse insuficiente a remuneração recebida na rede de ensino. A manifestação provocou críticas públicas de sindicatos e de parlamentares da oposição goiana.
O deputado estadual Mauro Rubem (PT), por exemplo, levou o episódio à tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás e defendeu providências contra a então secretária. O sindicato nacional ANDES-SN também publicou nota de repúdio às declarações.
Outra controvérsia envolveu uma professora temporária que questionou, na mesma transmissão, as regras para acompanhar o filho em consultas médicas. Sindicatos relataram que ela teve o contrato encerrado depois e apontaram possível retaliação. A Secretaria de Educação de Goiás afirmou, por sua vez, que o vínculo havia terminado naturalmente, conforme as regras contratuais. Não há, nas fontes consultadas, decisão que comprove retaliação.
Retirada de livro das escolas também provocou debate
Em março de 2024, a Secretaria de Educação de Goiás recolheu exemplares do romance “O Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório, das escolas estaduais. A justificativa apresentada pela pasta foi a necessidade de avaliar a adequação da obra ao público escolar, diante de passagens consideradas impróprias para menores de idade.
A medida recebeu críticas de entidades acadêmicas, que a classificaram como censura. Posteriormente, o governo goiano reviu a decisão, e o livro voltou a ficar disponível nas escolas em abril daquele ano.
Quais serão as prioridades a partir de 2027?
Conforme o plano de governo apresentado por Moro, as prioridades educacionais incluem valorização dos professores, melhoria da infraestrutura das escolas e formação dos estudantes voltada à aprendizagem e ao mundo do trabalho.
Entre as propostas estão ampliar o ensino em tempo integral, expandir a educação profissionalizante, revisar plataformas digitais utilizadas nas escolas e fortalecer o ensino de Português e Matemática.
A futura secretária também deverá lidar com questões relacionadas à carreira docente, à contratação de profissionais e ao funcionamento de escolas em diferentes regiões do estado.
Até a posse do novo governo, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná permanece sob a administração de Roni Miranda Vieira.
A escolha de Fátima Gavioli sinaliza a intenção de Moro de levar ao Paraná uma gestora com experiência em outros governos estaduais. A partir de janeiro, caberá à nova equipe transformar as propostas apresentadas na campanha em decisões administrativas, sujeitas ao acompanhamento de professores, estudantes, famílias e órgãos de fiscalização.
Imagem destacada: CanalGov/Wikimedia Commons (origem), licença CC BY 3.0, foto de 2024, sem alterações editoriais.
