Flávio teria saído do Brasil pelo Paraguai com apoio de Marco Rubio, diz relato; Reuters confirma viagem aos EUA por fontes

O senador Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos após descumprir uma ordem judicial de entrega de passaportes. Um aliado e uma fonte do governo americano relataram a viagem à Reuters. Enquanto a rota segue indefinida, Simón Levy atribuiu a suposta operação a Marco Rubio, sem apresentar comprovação.

Flávio teria saído do Brasil pelo Paraguai com apoio de Marco Rubio, diz relato; Reuters confirma viagem aos EUA por fontes

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil rumo aos Estados Unidos ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (27), com relatos sobre uma possível passagem pela fronteira com o Paraguai e uma alegada participação do secretário de Estado americano, Marco Rubio. A informação sobre a viagem foi relatada à agência Reuters por um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo dos Estados Unidos. Entretanto, o trajeto utilizado e a suposta articulação de Rubio ainda não foram comprovados.

O caso ocorre dois dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes do senador e o proibiu de deixar o território brasileiro. O prazo terminou nesta terça sem a entrega dos documentos, que foram cancelados pela Polícia Federal.

INFORMAÇÃO DA REUTERS

Aliado de Flávio e fonte do governo americano relatam viagem aos Estados Unidos

Em reportagem publicada às 14h33 desta terça-feira, os jornalistas Ricardo Brito e Gram Slattery, da Reuters, informaram que duas fontes relataram a saída de Flávio Bolsonaro do país com destino aos Estados Unidos.

Uma delas é descrita como um aliado próximo do senador. A outra integra o governo americano.

A agência informou que não conseguiu confirmar quem acompanhou Flávio durante a viagem. Uma terceira fonte relatou que as duas filhas do parlamentar não compareceram às aulas em Brasília nesta terça-feira.

A CNN Brasil também ouviu aliados que afirmaram que o senador deixou o país com a família. Segundo essas fontes, a decisão estaria relacionada ao receio de uma eventual prisão.

Apesar dos relatos, a rota exata, o meio de transporte utilizado e o momento da chegada aos Estados Unidos ainda não estavam documentalmente esclarecidos nas informações consultadas.

MARCO RUBIO

Empresário mexicano atribui ao secretário americano a articulação da viagem

A possível participação do governo de Donald Trump ganhou repercussão após declarações do empresário mexicano Simón Levy, ex-subsecretário de Turismo do México, que se apresenta publicamente como apoiador do presidente americano.

Em publicações na rede social X, Levy afirmou que Flávio Bolsonaro teria chegado em segurança aos Estados Unidos e atribuiu a operação ao secretário de Estado Marco Rubio.

Segundo o empresário, uma estrutura de proteção americana estaria envolvida no deslocamento e na segurança do parlamentar.

As afirmações são de responsabilidade de Simón Levy. Não foram apresentados documentos, registros oficiais ou confirmação pública do Departamento de Estado que comprovem a participação direta de Rubio.

O R7 informou ter procurado o Departamento de Estado americano para solicitar esclarecimentos sobre a alegação.

A CNN, por sua vez, publicou que aliados de Flávio afirmam que o governo Trump teria apoiado a saída do senador e sinalizado a possibilidade de conceder asilo político. Essa eventual concessão também não foi confirmada por ato oficial nas informações consultadas.

A ROTA DA VIAGEM

Relatos citam Paraguai e Argentina, mas trajeto permanece indefinido

Uma das principais dúvidas envolve a maneira como Flávio Bolsonaro teria deixado o território nacional, uma vez que já existia determinação judicial impedindo sua saída.

O portal EuIdeal publicou nesta terça-feira que a Polícia Federal estaria verificando uma possível passagem pela fronteira com o Paraguai antes do deslocamento aos Estados Unidos.

A publicação, entretanto, não apresentou documentação que demonstrasse a travessia. A hipótese paraguaia não foi confirmada de forma independente nas fontes consultadas pelo Portal Verdades.

Outra versão surgiu na imprensa argentina. O Infobae noticiou que o senador teria atravessado a fronteira pela região de Puerto Iguazú, próximo a Foz do Iguaçu, no Paraná.

Segundo o veículo argentino, havia previsão de utilização de um jato executivo Gulfstream G400, identificado pela matrícula LV-JQW, para seguir aos Estados Unidos.

Informações sobre a movimentação da aeronave na Argentina não comprovam, por si sós, a presença de Flávio a bordo.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não localizou registro de entrada regular do senador no país.

O QUE ESTÁ CONFIRMADO E O QUE SEGUE EM APURAÇÃO
Viagem aos EUA Relatada à Reuters por um aliado de Flávio e uma fonte do governo americano.
Saída pelo Paraguai Hipótese noticiada pelo EuIdeal, sem confirmação independente.
Passagem pela Argentina Relatada pelo Infobae; autoridades argentinas não localizaram registro regular de entrada.
Participação de Marco Rubio Alegação pública do empresário Simón Levy, sem comprovação oficial.
Passaportes Cancelados pela PF após descumprimento da ordem de entrega.
Asilo político Possibilidade relatada por aliados à CNN, sem concessão oficial confirmada.
DESCUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL

Flávio não entrega passaportes e documentos são cancelados pela PF

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal, incluindo o documento diplomático, e proibiu o parlamentar de deixar o país.

A ordem foi proferida no âmbito de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Uma delas apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Flávio nega ter cometido irregularidades e criticou a medida judicial. Em vídeo divulgado na segunda-feira, afirmou que entregaria os documentos e se defenderia das acusações.

Entretanto, segundo informações da Agência Brasil e da Reuters, os passaportes não foram apresentados dentro do prazo determinado. A Polícia Federal realizou o cancelamento dos documentos e adotou providências para informar o descumprimento ao STF.

A investigação criminal continua em andamento. As suspeitas apuradas não representam condenação definitiva do senador.

VERSÕES CONFLITANTES

Aliados inicialmente negaram saída do Brasil

Durante a manhã desta terça-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, negou ao Metrópoles que o parlamentar tivesse deixado o Brasil.

Ao longo do dia, porém, novas informações foram divulgadas por veículos como CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Reuters, com relatos de pessoas próximas ao senador e de fontes americanas sobre sua saída em direção aos Estados Unidos.

A diferença entre as versões reforça a necessidade de distinguir informações obtidas com fontes reservadas dos registros documentais ainda não apresentados publicamente.

PRÓXIMOS DESDOBRAMENTOS

Rota, eventual ajuda estrangeira e situação jurídica ainda precisam ser esclarecidas

A Polícia Federal realiza verificações relacionadas aos pontos de controle migratório e aos relatos de deslocamento internacional do senador.

Entre as questões que permanecem abertas estão o local exato da saída do Brasil, a eventual utilização de aeronave privada, a participação de terceiros e a existência de alguma iniciativa formal das autoridades americanas.

As declarações atribuídas ao empresário Simón Levy sobre Marco Rubio ainda exigem confirmação independente.

O principal avanço da apuração nesta terça-feira é o relato de um aliado de Flávio e de uma fonte do governo americano à Reuters sobre a viagem aos Estados Unidos. Já as versões sobre Paraguai, Argentina e envolvimento direto de Rubio continuam sem comprovação conclusiva.

Imagem destacada de arquivo, registrada em 1º de setembro de 2026: Carlos Moura/Agência Senado. Fonte e crédito da fotografia · CC BY-SA 4.0. Imagem recortada da fotografia original do plenário do Senado.