O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), segundo informações confirmadas à agência Reuters por um aliado próximo e uma fonte do governo norte-americano. O Correio Braziliense também publicou que o parlamentar estava em voo para os EUA e utilizaria um passaporte italiano. A viagem ocorre após Flávio descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus documentos de viagem à Polícia Federal.
A informação sobre o passaporte italiano acrescenta um novo elemento ao caso, já que a decisão judicial também exigia a entrega de documentos de viagem de outras nacionalidades eventualmente pertencentes ao senador. Embora o Correio tenha noticiado a utilização do documento italiano, não há confirmação independente, nas demais fontes consultadas, de que ele tenha sido efetivamente apresentado às autoridades migratórias.
Reuters confirma informação com fonte do governo americano
A agência Reuters informou, às 14h33 desta terça-feira, que duas fontes confirmaram a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos: uma pessoa próxima ao parlamentar e outra ligada ao governo norte-americano.
O Metrópoles também noticiou que o senador havia deixado o país e estava a bordo de uma aeronave cujo destino final seria a Flórida. A informação foi atribuída a pessoas próximas à família Bolsonaro.
Segundo a coluna Grande Angular, Flávio estava sem dar notícias desde a manhã desta terça-feira. Sua última mensagem conhecida teria sido enviada às 8h ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha presidencial. Na ocasião, Flávio afirmou que estava “esfriando a cabeça”, sem esclarecer se havia deixado o Brasil.
Passaporte italiano entra no centro da discussão
O possível uso de um passaporte italiano ganha relevância porque a determinação de Alexandre de Moraes não se restringia aos documentos brasileiros. Conforme reportagem da CNN Brasil, a ordem também exigia a entrega, em 24 horas, de documentos de viagem de outras nacionalidades que eventualmente estivessem em nome de Flávio.
Os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, foram cancelados nos sistemas da Polícia Federal após o descumprimento da determinação judicial, segundo informações divulgadas pelo Estadão e pela Reuters.
Mesmo que o parlamentar possua um passaporte estrangeiro válido, isso não afasta, por si só, a proibição judicial de deixar o território brasileiro. A existência de outra nacionalidade e a possibilidade de ingressar em um país estrangeiro são questões distintas do cumprimento das medidas impostas pelo STF.
Flávio havia prometido permanecer no Brasil
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo no qual afirmou que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e que não pretendia deixar o Brasil.
A ordem de Moraes foi expedida após a derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25).
A medida cautelar integra uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades. O ministro também proibiu o contato entre os dois.
O caso ganhou repercussão após declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, defendendo que ele deixasse o país caso perdesse a eleição.
Passagem pela Argentina ainda não está esclarecida
Durante a madrugada desta terça-feira, o site argentino Infobae informou que Flávio teria atravessado a fronteira e seguido para Puerto Iguazú, de onde embarcaria em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
Entretanto, autoridades argentinas afirmaram não ter localizado registros oficiais da entrada do senador no país. Uma aeronave inicialmente associada à viagem foi inspecionada, mas não foi encontrado plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.
A Polícia Federal brasileira também não havia identificado, até as informações divulgadas nesta tarde, registro de saída do senador por um posto regular de controle migratório.
Apesar da confirmação da viagem à Reuters, permanecem sem esclarecimento público a rota exata percorrida pelo parlamentar, o aeroporto utilizado e os documentos efetivamente apresentados durante o deslocamento.
Descumprimento deverá ser comunicado ao STF
Segundo o Estadão, a Polícia Federal deverá comunicar formalmente a Alexandre de Moraes que o senador não cumpriu a ordem de entrega dos passaportes no prazo estabelecido.
O descumprimento poderá ser analisado pelo STF para eventual adoção de novas providências. Até as informações disponíveis nesta terça-feira, não havia confirmação de mandado de prisão expedido contra Flávio Bolsonaro, razão pela qual não é correto classificá-lo oficialmente como foragido.
A defesa do parlamentar não respondeu imediatamente ao pedido de manifestação feito pela Reuters. O caso permanece sujeito a novos esclarecimentos das autoridades brasileiras e norte-americanas.
