Depois de terminar o primeiro turno da eleição presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma autocrítica pública nesta quarta-feira (7) e classificou sua campanha de 2026 como a “menos organizada” de todas as disputas presidenciais das quais participou desde 1989.
A declaração foi feita durante um encontro com parlamentares aliados atuais e eleitos, em Brasília. Lula afirmou que a campanha ficou abaixo do que ele próprio acreditava ser capaz de entregar, disse ter comunicado sua avaliação ao presidente do PT, Edinho Silva, e relacionou o desempenho eleitoral à forma como a campanha foi conduzida.
“A gente colhe aquilo que planta”
Ao comentar a organização do primeiro turno, Lula foi além da constatação de problemas internos. Logo depois de classificar a campanha como a menos organizada de sua trajetória presidencial, acrescentou que “normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”.
A fala ocorreu ao lado de Edinho Silva, presidente nacional do PT e um dos responsáveis pela coordenação política da campanha. Nos últimos dias, dirigentes e aliados já vinham discutindo internamente mudanças na estratégia para o segundo turno.
A crítica ganha peso porque parte do próprio candidato poucos dias depois das urnas mostrarem um resultado diferente daquele que Lula dizia esperar.
Lula diz que estranhou terminar atrás de Flávio
No encontro, Lula também admitiu surpresa com o resultado do primeiro turno. O presidente afirmou que, diante das entregas de seu governo, tinha dificuldade em imaginar que não venceria a eleição já na primeira etapa ou, ao menos, que não terminaria na liderança.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos. Lula ficou em segundo, com 45,16%. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Crítica foi transmitida e transmissão saiu do ar
Outro episódio chamou atenção durante o encontro. A fala de Lula estava sendo transmitida pelo canal do PT no YouTube, embora parte daquela conversa não devesse ter sido exibida publicamente, segundo relatos publicados após o encontro.
Pouco depois de Lula criticar a própria campanha, a transmissão foi interrompida pelos moderadores do partido. O vídeo voltou ao ar cerca de 13 minutos depois.
A Reuters também relatou que a manifestação crítica acabou transmitida por engano, ampliando a repercussão de uma discussão que até então vinha ocorrendo principalmente nos bastidores da campanha.
Campanha tenta reorganizar estratégia
A avaliação pública de Lula surge no momento em que aliados pressionam por mudanças de comunicação, maior presença nas redes sociais e uma abordagem mais voltada para propostas futuras, especialmente na tentativa de alcançar jovens, indecisos e eleitores que não compareceram no primeiro turno.
No encontro desta quarta-feira, o presidente também defendeu maior unidade entre os partidos da esquerda e afirmou acreditar que as forças progressistas poderiam, no futuro, estar reunidas em uma única legenda.
Para a etapa final da campanha, Lula passou a destacar temas como segurança pública, direitos dos trabalhadores e o debate sobre a escala de trabalho 6x1. A campanha também terá de lidar com um cenário diferente daquele projetado antes da votação: em vez de iniciar o segundo turno na liderança, Lula parte atrás de Flávio no resultado das urnas.
| Campanha do primeiro turno | “Aquém” de sua capacidade |
| Organização | A pior de suas campanhas desde 1989, segundo ele |
| Resultado | Disse ter estranhado não terminar em primeiro lugar |
| Segundo turno | Defende mudanças de estratégia e maior mobilização |
Trajetória presidencial atravessa quase quatro décadas
A referência a 1989 tem peso político por representar a primeira candidatura presidencial de Lula após a redemocratização. Desde então, ele disputou eleições presidenciais em diferentes momentos da história brasileira, venceu quatro delas e voltou às urnas em 2026 buscando mais um mandato.
Ao classificar a estrutura de 2026 como a menos organizada desde sua estreia presidencial, o próprio Lula coloca a campanha atual em comparação com quase quatro décadas de disputas eleitorais.
Agora, a autocrítica ocorre no início de uma campanha de segundo turno marcada por diferença pequena entre os dois candidatos e pela necessidade de reorganização das alianças, comunicação e mobilização até a votação de 25 de outubro.
As declarações foram feitas por Lula nesta quarta-feira (7), em Brasília, durante encontro com parlamentares aliados após o primeiro turno das Eleições 2026.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: UOL, Reuters, Folha de S.Paulo e dados eleitorais
