Desde o início do ano, o Nos Bastidores da Política vem chamando atenção para as alianças, aproximações e movimentos políticos do prefeito de Pato Branco, Géri Dutra. A pergunta levantada ao longo desses meses sempre foi bastante simples: diante de tantas movimentações, qual posição política o prefeito apresentaria de forma clara à população?
A eleição presidencial ofereceu a Géri uma oportunidade direta para responder. Antes do primeiro turno, bastava dizer quem era o seu candidato à Presidência e fazer publicamente o mesmo pedido de voto que decidiu fazer agora. Mas, nas buscas realizadas pelo Portal Verdades, não foi localizada manifestação equivalente de Géri pedindo voto a Flávio Bolsonaro antes da votação de 4 de outubro.
O vídeo apareceu depois das urnas. E é justamente o momento escolhido para essa declaração que coloca novamente o posicionamento do prefeito no centro do debate político local.
O resultado veio primeiro
Flávio fez 31.466 votos em Pato Branco
No primeiro turno, Pato Branco apresentou uma diferença expressiva entre os dois candidatos que avançaram para a segunda etapa da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro recebeu mais que o dobro dos votos obtidos por Lula dentro do município. A diferença entre os dois chegou a 16.172 votos.
Outro número ajuda a dimensionar o resultado. Géri Dutra foi eleito prefeito de Pato Branco em 2024 com 24.985 votos. Flávio recebeu agora 31.466 votos na cidade — 6.481 a mais do que a votação que elegeu o atual prefeito dois anos atrás.
Depois, veio o vídeo
Géri aparece no segundo turno: “Nosso candidato”
Depois de conhecido o resultado do primeiro turno, Géri gravou um vídeo dirigido diretamente à população de Pato Branco. Na manifestação, não apenas informa sua preferência eleitoral: pede voto, apresenta Flávio como o candidato da mudança e o chama expressamente de “nosso candidato”.
O prefeito vai além. Pede que os próprios eleitores conversem com amigos e levem adiante a mensagem da candidatura.
O apoio, portanto, agora é explícito.
A oportunidade existiu antes
Por que não fazer o mesmo pedido no primeiro turno?
É aqui que entra o ponto levantado por este espaço.
Géri não esteve afastado da eleição de 2026. Pelo contrário. Durante o primeiro turno, participou publicamente da movimentação eleitoral e esteve envolvido nas campanhas de candidatos que decidiu apoiar.
No fim de setembro, por exemplo, publicações do próprio prefeito pediam apoio aos candidatos defendidos por seu grupo político. Antes disso, ele também apareceu em material eleitoral ao lado de Clodomir Ascari e Fabrício Kleinibing, participando diretamente da construção daquele palanque.
Ou seja: não se tratava de um prefeito que tivesse decidido permanecer neutro ou distante da campanha.
Para seus candidatos proporcionais, houve participação pública. Para a disputa presidencial, porém, o pedido explícito de voto que aparece agora não foi localizado pelo Portal Verdades antes do primeiro turno.
Se Flávio Bolsonaro já era a escolha de Géri Dutra, por que o prefeito não declarou esse apoio antes de saber que o candidato faria 31.466 votos e alcançaria 61,72% em Pato Branco?
O debate começou meses atrás
Desde março, este espaço questiona as alianças de Géri
O debate sobre o posicionamento político do prefeito não começou agora. Em março, o Nos Bastidores da Política já havia publicado uma análise questionando as alianças que estavam sendo construídas e a falta de uma definição política mais clara diante da população.
Naquele período, ao anunciar sua saída do PL, Géri declarou que seguiria politicamente o governador Ratinho Junior e o deputado federal Fernando Giacobo. Segundo o próprio prefeito, a decisão ocorria por “lealdade” ao grupo.
Meses depois, novos movimentos passaram a alimentar o debate. Em junho, por exemplo, Géri participou em Pato Branco de agenda institucional que contou com a presença de Gleisi Hoffmann, durante evento de entrega de investimentos federais. O encontro, por se tratar de agenda administrativa, não representa por si só apoio político, mas integrou a sequência de imagens e aproximações que passou a ser debatida publicamente.
Já durante a campanha eleitoral, o movimento deixou o campo exclusivamente institucional. Géri entrou publicamente nas campanhas de candidatos que escolheu apoiar e apareceu em peças e eventos eleitorais.
Ele poderia ter encerrado a discussão
O vídeo poderia ter sido gravado antes das urnas
Desde o começo do ano, este espaço vem apresentando questionamentos sobre os rumos políticos do prefeito. Géri poderia ter respondido a boa parte desse debate antes mesmo da abertura das urnas.
Bastava fazer na semana passada o mesmo vídeo que divulgou agora.
Bastava dizer antes do primeiro turno: “meu candidato é Flávio Bolsonaro”.
Bastava pedir o voto no 22 sem saber previamente quantos votos Flávio receberia em Pato Branco.
Isso teria dado ao eleitor um elemento objetivo para avaliar o posicionamento presidencial de Géri antes da votação.
Mas a sequência registrada foi outra: primeiro vieram as urnas; depois dos 31.466 votos e dos 61,72%, veio o vídeo com o prefeito chamando Flávio de “nosso candidato”.
Convicção ou conveniência?
A cronologia está colocada
A sequência dos acontecimentos, sozinha, não permite afirmar qual foi a motivação pessoal de Géri Dutra para escolher este momento para declarar apoio. Isso é algo que somente o próprio prefeito pode explicar.
Mas a cronologia permite questionar.
Ele teve todo o primeiro turno para assumir publicamente essa posição. Teve espaço, exposição e participou ativamente da campanha eleitoral. Poderia ter feito o pedido presidencial antes de conhecer o resultado de Pato Branco.
Não fez — ao menos não em manifestação equivalente localizada pelo Portal Verdades.
Agora, depois de Flávio Bolsonaro receber mais que o dobro dos votos de Lula no município, Géri entra no segundo turno pedindo apoio ao candidato e convocando o eleitorado a ajudá-lo.
É por isso que a pergunta permanece aberta nos bastidores: trata-se de uma convicção política que já existia e só agora foi publicizada ou de uma movimentação construída depois de conhecer o recado das urnas?
Os fatos, as datas e os números estão colocados. A explicação sobre o momento escolhido para o apoio cabe ao prefeito. A conclusão política cabe ao leitor.
Fonte: dados eleitorais do TSE, vídeo divulgado por Géri Dutra, Prefeitura de Pato Branco, Jornal de Beltrão e arquivo de publicações do Portal Verdades.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: TSE, vídeo divulgado por Géri Dutra, Prefeitura de Pato Branco, Jornal de Beltrão e Portal Verdades
