Blocos de pedra que eram utilizados como base para estruturas de propaganda eleitoral ficaram espalhados sobre uma calçada no Centro de Pato Branco após o primeiro turno das Eleições 2026. Os objetos permanecem soltos em uma área destinada à circulação de pedestres e podem representar obstáculo, especialmente para idosos, pessoas com deficiência visual ou quem transita pelo local sem perceber as peças no chão.
Uma comparação entre registros feitos durante a campanha e imagens captadas após a retirada dos windbanners mostra uma forte semelhança entre as pedras que ficaram no passeio e as bases utilizadas nas peças eleitorais do candidato a deputado federal Clodomir Ascari. As fotografias, porém, não permitem afirmar de maneira definitiva quem retirou os windbanners ou quem deixou os suportes no local.
Formato das pedras chama atenção na comparação
Nas imagens registradas durante a campanha eleitoral, windbanners de Clodomir Ascari aparecem instalados naquele trecho da cidade utilizando blocos retangulares de pedra como base. As peças possuem formato alongado, acabamento granulado e abertura central para a colocação da haste.
Depois da eleição e da retirada da propaganda, pedras com características visuais muito semelhantes aparecem soltas sobre a mesma área de calçada. Em um dos registros é possível observar mais de uma base espalhada pelo passeio, sem qualquer sinalização para quem passa pelo local.
O Portal Verdades também comparou as imagens com os suportes utilizados pela campanha de Fabrício Kleinibing. Nos registros disponíveis, as bases associadas aos windbanners de Fabrício apresentam outro desenho, mais largo e com formato distinto, enquanto as peças utilizadas nos materiais de Clodomir são visualmente compatíveis com os blocos retangulares encontrados no passeio.
Há correspondência visual de formato, proporção e acabamento entre as pedras encontradas após a eleição e as bases utilizadas em windbanners de Clodomir Ascari fotografados durante a campanha. Essa comparação constitui um indício visual, mas, isoladamente, não comprova a propriedade das pedras nem identifica quem as deixou no local.
Clodomir teve apoio público de Géri Dutra durante a campanha
Clodomir Ascari disputou uma vaga de deputado federal e contou durante a campanha com apoio público do prefeito de Pato Branco, Géri Dutra. O prefeito participou do lançamento da candidatura, subiu ao palco e discursou em apoio ao então candidato.
A relação política também apareceu em materiais e manifestações realizadas durante o período eleitoral. Por isso, Clodomir foi apresentado ao longo da campanha como um dos nomes apoiados pelo grupo político da atual administração municipal.
A identificação dessa ligação política, no entanto, não altera o cuidado necessário na análise do caso das pedras. Até que haja confirmação do responsável pelo material, o correto é tratar a semelhança entre os suportes como indício visual, e não como prova definitiva de autoria.
Objetos ficaram em área de circulação de pedestres
Independentemente de quem seja responsável pelos suportes, as imagens mostram blocos de pedra soltos no espaço destinado aos pedestres. Algumas das peças estão posicionadas no meio do passeio, criando um obstáculo físico que pode provocar tropeços ou dificultar a circulação.
A Lei Municipal nº 6.376/2024, que estabelece regras para as calçadas em Pato Branco, trata como problema situações em que existem obstáculos capazes de impedir a circulação livre e segura dos pedestres.
A preocupação é especialmente relevante em um trecho central da cidade, onde há circulação constante de pessoas durante o horário comercial.
Campanhas têm prazo para retirar propaganda, mas circulação precisa ser preservada
A legislação eleitoral estabelece que candidaturas, partidos, federações e coligações têm até 30 dias depois da eleição para remover a propaganda eleitoral e, quando necessário, restaurar o bem onde ela estava instalada.
Durante a própria campanha, a regra do Tribunal Superior Eleitoral para bandeiras instaladas ao longo das vias públicas já exige que esses materiais sejam móveis e não dificultem o trânsito de pessoas e veículos.
Isso significa que o simples fato de ainda existir material eleitoral poucos dias após a votação não caracteriza automaticamente descumprimento do prazo de retirada. A situação mostrada nas fotografias, porém, levanta outra questão: os windbanners foram retirados, mas objetos utilizados como suas bases permaneceram espalhados no passeio.
A Resolução nº 23.610 do TSE prevê prazo de até 30 dias depois da eleição para que candidatos, partidos, federações e coligações removam a propaganda eleitoral e restaurem o bem, quando necessário. Portanto, neste momento, a discussão não é sobre o esgotamento desse prazo, mas sobre a permanência de objetos soltos em uma área de circulação pública.
Responsável pelas pedras ainda precisa ser identificado
Os registros levantam duas perguntas objetivas: a quem pertencem as bases deixadas na calçada e quem será responsável pelo recolhimento do material?
A comparação fotográfica fornece elementos para verificar a origem provável das peças, mas uma conclusão definitiva depende de confirmação da campanha responsável, de quem realizou a instalação e retirada dos materiais ou de eventual fiscalização do poder público.
O Portal Verdades deixa espaço aberto para manifestação de Clodomir Ascari, de sua equipe de campanha e dos demais envolvidos, caso desejem esclarecer se as pedras pertencem aos materiais utilizados durante a campanha e informar se será realizado o recolhimento.
A legislação eleitoral prevê até 30 dias após a eleição para retirada da propaganda. A análise sobre a possível origem das bases foi realizada a partir dos registros fotográficos feitos no local antes e depois da votação.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: registros fotográficos, TSE, Prefeitura de Pato Branco e arquivo do Portal Verdades
