A primeira contratação realizada pela Prefeitura para a obra da Avenida Frei Policarpo agora é objeto de investigação oficial. O Ministério Público instaurou inquérito civil para apurar eventual ilegalidade na contratação por inexigibilidade de licitação no valor de R$ 115 mil.
A abertura do Inquérito Civil confirma que os questionamentos ultrapassaram o debate público e passaram ao campo do controle institucional.
Quando uma denúncia é apresentada, o Ministério Público normalmente inicia com uma Notícia de Fato, que é uma fase preliminar e mais simples de verificação. Já o Inquérito Civil é instaurado quando o órgão entende que existem indícios suficientes para uma investigação formal e aprofundada, com possibilidade de requisição de documentos, diligências e responsabilizações futuras.
A apuração agora buscará verificar se a inexigibilidade foi corretamente fundamentada, se havia efetiva inviabilidade de competição e se todos os requisitos legais foram cumpridos.
A contratação investigada é a primeira firmada pelo Município dentro da execução da obra da Avenida Frei Policarpo, via que carrega o nome de uma das figuras mais respeitadas da história de Pato Branco.
O que foi denunciado
A denúncia teve origem após reportagem do Portal Verdades questionar a contratação realizada por inexigibilidade de licitação, modalidade que só pode ser utilizada quando há inviabilidade de competição e notória especialização do contratado.
Naquele momento, o processo administrativo disponibilizado no Portal da Transparência continha apenas o contrato e uma justificativa genérica. O parecer jurídico da Procuradoria não estava publicizado.
Além disso, empresários do setor ambiental afirmaram que o serviço contratado não era exclusivo e que diversas empresas da região teriam capacidade técnica para executá-lo, o que levantou dúvidas sobre a alegada inviabilidade de competição.
Outro ponto sensível foi o fato de a empresa contratada ter sido constituída poucos meses antes da formalização do contrato, o que gerou questionamentos sobre o requisito de notória especialização.
A reportagem também destacou que, segundo o próprio parecer jurídico posteriormente disponibilizado, o processo apresentava vícios formais e materiais que exigiram diligências antes de seu prosseguimento.
Ou seja: não se tratava de um simples “ok” automático da Procuradoria.
Transparência após a cobrança
Após a repercussão da matéria e o encaminhamento de denúncia ao Ministério Público, o Município passou a disponibilizar o processo completo no Portal da Transparência.
A análise dos autos revelou que o parecer jurídico existia, mas havia apontado inconsistências que precisaram ser sanadas. Formalmente, o procedimento foi ajustado.
Ainda assim, a sequência dos fatos chamou atenção: primeiro vieram os questionamentos; depois, a divulgação integral do processo.
A transparência, neste caso, foi reativa.
Agora é investigação oficial
Com a instauração do inquérito civil, o Ministério Público passa a analisar se:
- a inexigibilidade estava corretamente fundamentada;
- houve efetiva inviabilidade de competição;
- a notória especialização foi devidamente comprovada;
- e se todos os requisitos legais foram cumpridos.
A abertura do procedimento não significa condenação. Significa que há elementos suficientes para investigação formal.
O peso da primeira contratação
Essa não é apenas uma contratação qualquer. Trata-se da primeira contratação vinculada à obra da Avenida Frei Policarpo.
Frei Policarpo (Inácio Berri) foi uma das figuras mais respeitadas da história de Pato Branco, sacerdote franciscano que dedicou mais de 60 anos à cidade, líder comunitário, conselheiro espiritual e referência moral para gerações.
Obras públicas carregam mais do que orçamento e engenharia. Carregam simbolismo.
Quando a primeira contratação ligada a uma obra com esse nome já passa a ser objeto de investigação, a responsabilidade institucional se torna ainda maior.
Não se trata de associar o nome de Frei Policarpo a qualquer irregularidade. Trata-se de reconhecer que obras que homenageiam figuras históricas exigem rigor redobrado, transparência absoluta e zelo pelo interesse público.
O que acontece a partir de agora
O caso agora está sob análise do Ministério Público. Isso não ocorre por gritos, ataques pessoais ou acusações vazias. Ocorre quando há questionamentos fundamentados, documentos analisados e denúncia formal apresentada com responsabilidade.
Fiscalizar o poder público exige método, embasamento e respeito às instituições. Não se trata de fazer barulho. Trata-se de agir com seriedade.
O fato de a primeira contratação feita pelo Município na obra da Avenida Frei Policarpo já estar sendo investigada demonstra que a cobrança técnica e responsável produz resultado concreto.
O Portal Verdades seguirá exercendo seu papel com firmeza, responsabilidade e compromisso com a verdade, sem espetáculo, sem ataques pessoais, apenas com fatos e documentos.
Porque fiscalização séria não se faz com baderna.
Faz-se com fundamento.
Por Gustavo – Portal Verdades.
Fonte: 
