Denúncia de 2025 expôs farra da mídia institucional e forçou corte abrupto de gastos da Prefeitura

Denúncia de 2025 expôs farra da mídia institucional e forçou corte abrupto de gastos da Prefeitura

No dia 6 de julho de 2025, a Página Verdades Pato Branco publicou um vídeo-denúncia revelando um dado alarmante: mais de R$ 617 mil já haviam sido gastos pela Prefeitura de Pato Branco, apenas naquele ano, com publicidade institucional (clique e assista).

À época, o alerta foi claro, se aquele ritmo de despesas fosse mantido até o fim do exercício, o município caminhava para um gasto milionário com propaganda oficial, sem debate público, sem controle do Legislativo e sem qualquer filtro efetivo.

Os números oficiais do fechamento do ano confirmaram dois fatos incontestáveis. O primeiro: o município terminou 2025 com R$ 797.046,30 gastos em mídia institucional. O segundo, e mais relevante, é que mais de 77% desse valor já havia sido gasto antes da denúncia pública de julho.

Após a exposição, entre julho e dezembro, o município gastou cerca de R$ 180 mil. Mas é justamente nesse ponto que a análise precisa ser feita com honestidade e profundidade, porque não se trata apenas de redução numérica, e sim de mudança radical no perfil dos gastos.

O que ocorreu, na prática, foi um corte abrupto e preciso nas verbas que até então eram destinadas a portais locais, blogs, pequenos produtores de conteúdo e comunicadores de baixa relevância, muitos deles beneficiados por contratos de mídia institucional sem critério claro de alcance, impacto ou interesse público. Esses repasses foram simplesmente interrompidos após a denúncia.

Os gastos realizados depois de julho tiveram, em sua grande maioria, destinação específica: a divulgação da ExpoPato. E não em mídias locais de pequeno alcance, mas em grandes emissoras de televisão, canais abertos e veículos de outras cidades, com foco em publicidade regional e estadual. Ou seja, houve centralização e racionalização forçada do gasto, algo que não vinha ocorrendo até então.

Isso deixa evidente que o corte foi real, abrupto e direcionado. O município não apenas reduziu o ritmo de despesas, como eliminou um modelo de pulverização de recursos públicos em mídias de pouca relevância, prática que só mudou após a denúncia ganhar repercussão pública.

Os números mostram que, se o comportamento do primeiro semestre tivesse sido mantido, o gasto com publicidade institucional ultrapassaria facilmente R$ 1 milhão, podendo chegar à casa de R$ 1,2 milhão até o fim do ano. Isso não ocorreu porque a gestão foi exposta, observada e constrangida publicamente.

Portanto, não há espaço para narrativa alternativa: a denúncia freou a escalada dos gastos e forçou um corte cirúrgico nas verbas de mídia institucional. Não por iniciativa espontânea da administração, não por fiscalização da Câmara de Vereadores, mas pelo exercício do controle social promovido por uma imprensa independente.

Esse episódio escancara um problema estrutural. A publicidade institucional, quando usada sem transparência e sem critérios objetivos, deixa de ser instrumento de informação e passa a ser mecanismo de acomodação política e silenciamento indireto. Em Pato Branco, isso só mudou quando os números vieram à tona.

O caso é um exemplo concreto de como o jornalismo exerce função pública. Sem a denúncia, o gasto seguiria em escalada. Com a denúncia, houve corte, redirecionamento e contenção. O dinheiro público tem dono, e ele se chama população.


Por Gustavo – Portal Verdades
Fonte: GASTOS MIDIA INSTITUCIONAL 2025

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