Uma operação da Polícia Civil de Santa Catarina chegou também a Vitorino, no Sudoeste do Paraná, em uma investigação que apura suspeitas de fraude, direcionamento de vagas e possível esquema de “rachadinha” dentro do Detran-SC.
A cidade paranaense, vizinha de Pato Branco, aparece entre os municípios onde foram cumpridas ordens judiciais nesta terça-feira (26). A ação, batizada de Operação Efeito Dominó, mira possíveis irregularidades no processo de escolha de integrantes das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações, conhecidas como Jaris.
O que está sob investigação
Polícia apura suspeita de favorecimento em vagas das Jaris
De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, a investigação aponta que regras de um edital público teriam sido manipuladas para beneficiar um círculo de amigos e familiares. A suspeita envolve a indicação de pessoas para atuação nas Jaris, responsáveis por analisar recursos administrativos de trânsito, como contestações de multas, suspensão e cassação da Carteira Nacional de Habilitação.
A apuração também verifica a possível ocupação de vagas destinadas à sociedade civil por empresas privadas com fins lucrativos. Segundo a investigação, esse tipo de situação poderia comprometer a finalidade pública do processo seletivo e afetar a composição das juntas.
As Jaris funcionam como a primeira instância administrativa para julgamento de recursos contra penalidades de trânsito. Por isso, a composição dessas juntas deve seguir critérios legais, impessoais e transparentes.
Suspeita de rachadinha
Investigadores apuram possível repasse de gratificações
Além do suposto direcionamento das vagas, a operação também apura indícios de “rachadinha”. Conforme a investigação, parte dos valores pagos pela participação nas sessões de julgamento teria sido desviada ou repassada a coordenadores ligados ao grupo investigado.
Esses pagamentos são ligados aos chamados jetons, gratificações pagas pela participação em conselhos, órgãos colegiados ou juntas administrativas. A suspeita, ainda em fase de apuração, é de que o pagamento recebido legalmente por integrantes das sessões pudesse estar sendo parcialmente apropriado por outras pessoas.
Vitorino no mapa da operação
Cidade vizinha de Pato Branco aparece entre os alvos da ação
As diligências foram realizadas em Florianópolis, São José, Palhoça, Içara, Criciúma, São Lourenço do Oeste e Vitorino, no Paraná. A presença de Vitorino na operação chama atenção regionalmente por envolver uma cidade do Sudoeste paranaense em uma investigação que tem origem no Detran de Santa Catarina.
O principal objetivo das buscas é recolher documentos, registros financeiros, aparelhos eletrônicos e materiais físicos ou digitais que possam ajudar a Polícia Civil a esclarecer a extensão do suposto esquema e identificar eventuais responsabilidades.
Origem da investigação
Apurações começaram após informações encaminhadas pelo próprio Detran-SC
Segundo as informações divulgadas, a investigação teve início em meados de 2025, após dados e indícios de irregularidades serem encaminhados pela própria presidência do Detran-SC aos órgãos competentes. A partir disso, a Polícia Civil passou a apurar se o processo de escolha dos membros das Jaris foi usado para atender interesses particulares.
O caso segue sob sigilo de Justiça. Por isso, ainda não há detalhamento público completo sobre todos os alvos, eventuais vínculos com Vitorino ou o conteúdo do material apreendido durante a operação.
Até decisão definitiva, os investigados devem ser considerados presumidamente inocentes, com direito à ampla defesa e ao contraditório. As suspeitas ainda serão analisadas pelas autoridades competentes no curso da investigação.
Por que o caso importa
Investigação atinge estrutura sensível do julgamento de multas
Embora a operação tenha origem em Santa Catarina, a inclusão de Vitorino entre os locais de cumprimento de mandados amplia o interesse regional sobre o caso. A investigação envolve uma estrutura que interfere diretamente na análise de recursos de trânsito e, por consequência, na confiança da população sobre a imparcialidade dos julgamentos administrativos.
A partir de agora, o material recolhido será submetido à análise técnica. Somente após o avanço da apuração será possível saber se as suspeitas se confirmam, qual a participação de cada investigado e se haverá novos desdobramentos no Paraná.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: NSC Total, ND Mais, OCP News e informações divulgadas sobre a Operação Efeito Dominó
