Decreto publicado hoje transforma BR-158 em Avenida Frei Policarpo e consolida processo iniciado em 2022

A municipalização da BR-158 em Pato Branco avançou mais uma etapa formal neste início de 2026. Após a assinatura do termo de transferência da rodovia do Governo Federal para o Município, a Câmara de Vereadores aprovou a Lei nº 6.550/2026, que denomina oficialmente o trecho urbano municipalizado como Avenida Frei Policarpo.

A lei foi sancionada pelo prefeito Géri Dutra no dia 7 de janeiro de 2026 e publicada no Diário Oficial no dia 8. O texto consolida juridicamente a mudança de status da antiga rodovia federal para via urbana municipal, encerrando formalmente um ciclo administrativo iniciado ainda em 2022.

Trecho municipalizado ultrapassa 15 quilômetros

De acordo com a legislação, a Avenida Frei Policarpo compreende o trecho da antiga BR-158 entre os quilômetros 528,10 e 543,50, totalizando 15,40 quilômetros de extensão, correspondente à travessia urbana da rodovia em Pato Branco.

A transferência foi formalizada por meio do Termo de Transferência nº 106/2025, celebrado entre o DNIT e o Município. Com isso, a responsabilidade pela manutenção, sinalização, fiscalização e gestão do tráfego deixa de ser federal e passa a ser integralmente municipal.

A medida também altera a atuação da Polícia Rodoviária Federal, que deixa de fiscalizar o trecho urbano, mantendo jurisdição apenas em áreas federais, como o viaduto do Contorno Sul em direção a Coronel Vivida.

Planejamento começou em 2022, com base técnica e legal

Apesar de a municipalização ter ganhado destaque apenas recentemente, documentos oficiais demonstram que o processo não é uma conquista nova. A base técnica, urbanística e jurídica foi construída ainda em 2022, durante a gestão do então prefeito Robson Cantu, com a aprovação da Lei Municipal nº 5.970/2022, que instituiu o Plano Especial de Urbanização (PEU) do chamado Eixo Estruturante 158.

O plano foi elaborado pela Secretaria de Planejamento Urbano, com estudos técnicos, consultas públicas e parecer favorável do Conselho do Plano Diretor (COPLAN). O objetivo central era integrar definitivamente o traçado da BR-158 ao perímetro urbano, reorganizando o tráfego, qualificando o uso do solo e conectando bairros historicamente impactados pela rodovia, como São Francisco, Planalto, Bela Vista e Aeroporto.

Na prática, o PEU já previa a municipalização como etapa necessária para permitir intervenções urbanas mais amplas, como implantação de calçadas, ciclovias, drenagem, paisagismo e novos acessos viários.

Via Verde e Amarela: projeto estruturante com recurso garantido

Dentro desse mesmo planejamento urbano surge o projeto da Via Verde e Amarela, concebido como a requalificação completa do corredor urbano da antiga BR-158. O projeto prevê transformação da via em um eixo moderno de mobilidade urbana, com canteiros centrais, arborização, ciclovias, calçadas acessíveis, nova sinalização, iluminação e reorganização dos fluxos de tráfego.

De acordo com os registros oficiais e anúncios feitos nos últimos anos, os recursos para a execução da Via Verde e Amarela já estão garantidos, colocando o Município em posição de aguardar apenas o início efetivo das obras.

Com a municipalização formalizada, a lei de denominação aprovada e o projeto já estruturado, a Prefeitura entra agora na fase mais aguardada pela população: sair do papel e virar obra.

Ano eleitoral aumenta pressão por execução

A expectativa interna é que os trabalhos tenham início ainda em 2026, coincidindo com o calendário eleitoral de outubro. O contexto naturalmente eleva a pressão política e administrativa para que o projeto avance, especialmente por se tratar de uma via de grande visibilidade, impacto urbano e valor simbólico.

Embora o discurso oficial trate o tema como continuidade técnica e administrativa, nos bastidores o entendimento é evidente: obra iniciada em ano eleitoral tem peso narrativo, gera material institucional e reforça agendas políticas.

Continuidade administrativa, não feito isolado

A municipalização da BR-158 e sua transformação em Avenida Frei Policarpo ilustram um ponto frequentemente ignorado no debate público: grandes obras urbanas não nascem de gestos isolados, mas de processos longos, que envolvem estudos, leis, pareceres, recursos e continuidade administrativa.

A gestão anterior foi responsável pela concepção do plano, elaboração técnica e aprovação legal. A atual administração recebeu o processo em fase final e teve o mérito de formalizar a transferência e sancionar a denominação da via.

O desafio final: execução e fidelidade ao projeto

Com leis aprovadas, termos assinados, nome definido e recursos anunciados, o desafio agora é a execução efetiva do projeto da Via Verde e Amarela. A população aguarda máquinas na pista, intervenções reais e melhorias perceptíveis no dia a dia.

A antiga BR-158 já mudou de nome, de jurisdição e de discurso. O que resta saber é quando e como ela mudará, de fato, a realidade de quem circula por ali todos os dias.

 

Por Gustavo – Portal Verdades.
Fonte: Decreto avenida frei policarpo

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