Dança das Cadeiras no Governo de Pato Branco: os Mesmos Nomes, Novos Cargos e Nenhuma Renovação

Dança das Cadeiras no Governo de Pato Branco: os Mesmos Nomes, Novos Cargos e Nenhuma Renovação

O início de 2026 foi marcado por uma sequência de exonerações e nomeações no primeiro escalão da Prefeitura de Pato Branco que, ao serem analisadas em conjunto, revelam um movimento claro: não houve substituição de quadros, mas sim um rearranjo interno envolvendo os mesmos personagens políticos que tiveram papel relevante durante a campanha eleitoral.

Quem saiu de onde e para onde foi

Osmar Braun Sobrinho

Até o dia 5 de janeiro, ocupava o cargo de Secretário Municipal de Engenharia, Obras e Serviços Públicos. Foi exonerado da função e, no dia seguinte, nomeado Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes. Ou seja, deixou uma das pastas mais estratégicas da administração para assumir uma secretaria nova mas permanecendo no primeiro escalão do governo.

 

Valmir Dallacosta

Exercia o cargo de Diretor do Departamento de Administração, vinculado à Secretaria Municipal de Administração e Finanças. Foi exonerado dessa função e, logo na sequência, nomeado Assessor de Assuntos Legislativos, cargo em comissão junto ao Governo Municipal.
Com a nova função, Valmir passa a atuar em contato direto com a Câmara de Vereadores, justamente sendo tio do vereador Eduardo Dallacosta, fato que, embora não configure ilegalidade por si só, naturalmente amplia o debate público sobre a natureza política dessas nomeações e a relação entre Executivo e Legislativo.

 

Carlinho Antonio Polazzo

Inicialmente, foi exonerado do cargo de Assessor de Assuntos Legislativos. Poucos dias depois, retornou à estrutura administrativa como Diretor do Departamento de Administração, assumindo exatamente o cargo que havia sido ocupado por Valmir Dallacosta.

 

O que o movimento revela

Na prática, o que se observa é um verdadeiro rodízio de cargos:
Osmar sai de uma secretaria e entra em outra;
Valmir deixa uma diretoria e vai para a assessoria legislativa;
Carlinho sai da assessoria legislativa e assume a diretoria deixada por Valmir.

O que chama atenção é que, sob o discurso de reorganização e melhoria da gestão, não houve a busca por quadros externos ou novos nomes técnicos. Pelo contrário, os cargos estratégicos continuaram concentrados nas mãos de personagens que tiveram papel central como apoiadores durante a campanha eleitoral. Osmar Braun Sobrinho, Valmir Dallacosta e Carlinho Antonio Polazzo seguem integrando o núcleo administrativo, ainda que em funções diferentes.

A leitura política é direta: trata-se de cargos com forte peso político, sustentados por compromissos assumidos durante o processo eleitoral. Na prática, não há substituição, mas remanejamento. Se não funciona em uma secretaria, o nome é deslocado para outra; se sai de um cargo, retorna em outro. A chamada “dança das cadeiras” se consolida como método de ajuste interno.

São figuras que há anos fazem parte do cenário político de Pato Branco, o que torna improvável uma mudança mais profunda na composição do governo. Para quem acompanha os bastidores da política, o movimento é previsível. Para a população, no entanto, o efeito é negativo. O cidadão não está interessado em acordos políticos ou rearranjos administrativos; ele espera resultados, eficiência e evolução concreta do município.

Esse tipo de prática acaba gerando a percepção de que o prefeito se torna refém de grupos políticos, obrigado a mantê-los na estrutura administrativa para honrar compromissos assumidos. O risco é evidente: muita movimentação interna, pouca renovação e nenhum impacto efetivo na qualidade dos serviços públicos.

Diante desse cenário, resta acompanhar os próximos passos da gestão e observar se essa nova configuração trará mudanças concretas ou se o governo seguirá repetindo velhos movimentos, com os mesmos protagonistas, apenas trocando de cadeira.

Por Gustavo – Portal Verdades.
Fonte: Diario Municipal AMP

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