Se alguém conhecesse Pato Branco apenas pelas postagens oficiais da Prefeitura, provavelmente acreditaria estar diante de uma cidade modelo. As imagens são bem produzidas, os vídeos seguem um padrão estético moderno e os textos insistem em um discurso permanente de normalidade e progresso. O problema é que essa narrativa se desfaz rapidamente quando o cidadão faz o movimento mais simples das redes sociais: rolar a tela para baixo.
O contraste entre o marketing institucional e a voz das ruas nunca foi tão evidente. Enquanto a Prefeitura e a atual gestão tentam sustentar uma imagem de estabilidade administrativa, a população usa as redes sociais para cobrar respostas, soluções e, principalmente, presença. As seções de comentários, quando não são limitadas ou apagadas, tornaram-se um espaço de cobrança direta, funcionando como uma espécie de pesquisa informal, diária e pública sobre a aprovação do governo. E o resultado é claro: a insatisfação é generalizada.
Essa percepção não se restringe aos perfis oficiais do município. Nas últimas publicações de veículos de imprensa local, também se multiplicaram as críticas e reclamações, a ponto de um desses canais chegar a limitar os comentários em conteúdos envolvendo o prefeito e a administração. É um movimento que chama atenção e levanta questionamentos legítimos sobre o grau de tolerância ao debate público neste início de ano.

Diante desse cenário, uma pergunta passou a ecoar com ainda mais força: onde está Géri Dutra? Passado o primeiro ano de gestão, o que foi efetivamente entregue de positivo para Pato Branco? A sensação predominante entre os moradores é a de que pouco mudou e o que mudou não foi suficiente para gerar aprovação. A população percebeu, avaliou ao longo de todo o ano e não se mostrou satisfeita.
A gestão parece operar no chamado “modo automático”: funciona no básico, mas falha em áreas sensíveis que afetam diretamente a vida das pessoas. Saúde, educação, coleta de lixo e infraestrutura seguem acumulando problemas, enquanto respostas claras e soluções concretas continuam ausentes. Esse vácuo administrativo ajuda a explicar por que a cobrança migrou para as redes sociais e por que o tom dos comentários se tornou cada vez mais duro.
Importante destacar que esse desgaste não é recente. Ainda no ano passado, o Portal Verdades publicou a matéria “Fontes internas afirmam que atual administração teria barrado pesquisa após constatar reprovação histórica”. Até hoje, nem a Prefeitura de Pato Branco nem qualquer representante da gestão se manifestaram para rebater especificamente essa informação. Outras matérias foram contestadas, notas foram emitidas, mas essa, em especial, permaneceu sem resposta.
À época, deputados afirmaram ter visto a pesquisa, realizada por uma empresa de Curitiba, e relataram que os números indicavam uma reprovação expressiva da gestão. Trata-se de um relato de fontes políticas, não de uma afirmação categórica do portal, mas o silêncio da administração diante desse ponto específico chama atenção.
Paralelamente a isso, observa-se uma mudança recente na postura digital do prefeito, com maior atividade nas redes sociais e um discurso mais ensaiado, o que, segundo fontes, estaria ligado à contratação de um marqueteiro político especializado em campanhas eleitorais. A dúvida que surge, e que permanece sem resposta, é quem estaria arcando com esse custo, já que se trata de um serviço notoriamente caro. Não citamos nomes, mas o sobrenome do profissional é igual ao nome de uma conhecida empresa de transporte de passageiros, logística e turismo da cidade.
O fato é que, enquanto se investe em imagem e contenção de danos, cresce a percepção popular de que o essencial está sendo deixado de lado. Comentários negativos desaparecem, usuários são restringidos e críticas são tratadas como incômodo. Mas apagar comentários não apaga a realidade apenas a confirma.
Fica registrada, mais uma vez, nossa solidariedade a quem administra as redes sociais do município e do prefeito. Sustentar uma narrativa positiva diante de uma desaprovação visível não deve ser tarefa simples. Para a atual gestão, o recado é claro: governar exige presença, diálogo e respostas. E o povo de Pato Branco segue atento, observando cada movimento, dentro e fora das redes sociais.
