Fontes próximas ao Paço Municipal de Pato Branco afirmam que o prefeito Géri Dutra teria determinado o bloqueio da divulgação de uma pesquisa de opinião contratada para avaliar a popularidade da atual gestão.
Segundo informações obtidas pelo Verdades, moradores confirmam terem recebido ligações telefônicas para responder perguntas sobre o desempenho da Prefeitura e os principais problemas enfrentados pela cidade.
Apesar da relevância pública dos dados, a pesquisa segue em sigilo. De acordo com relatos internos, os números teriam mostrado que a reprovação é muito superior a aprovação, o que levou à decisão de não divulgar oficialmente os resultados.
Saúde em colapso e promessas que viraram frustração
A saúde pública é apontada como o principal foco de descontentamento popular.
Há demora para agendar consultas e exames, falta de profissionais em várias unidades e longas esperas no UPA, que enfrenta sobrecarga e carência de médicos.
Durante a campanha, o prefeito havia prometido o programa “Remédio em Casa”, mas a realidade se mostrou inversa: hoje, até familiares precisam apresentar procuração para retirar medicamentos, tornando o processo mais burocrático do que antes.
O que foi vendido como política de humanização acabou se transformando em motivo de reclamação, e a saúde municipal tornou-se símbolo do descompasso entre o discurso de campanha e a execução prática.
Lixo acumulado e coleta irregular permanecem sem solução
Outro ponto recorrente é a coleta de lixo, que segue irregular em vários bairros.
Moradores relatam acúmulo de resíduos, atrasos e falhas operacionais, que geram mau cheiro e sensação de abandono.
Apesar das promessas de reorganização do serviço, o problema persiste há meses, e a população cobra uma solução definitiva para o que já se tornou um dos retratos da ineficiência da gestão.
Obras antigas, discursos novos
O Verdades apurou que muitas das obras recentemente anunciadas como “novas entregas” já estavam com todo o processo concluído desde o ano passado, restando apenas a assinatura da ordem de serviço.
Em entrevista recente, o prefeito afirmou que “outras cidades pedem dicas de como Pato Branco consegue anunciar tantas obras em tão pouco tempo”, atribuindo o ritmo à suposta eficiência técnica de sua equipe.
No entanto, documentos e registros indicam que a maior parte dos empreendimentos já contava com projeto, recursos liberados apenas faltando assinatura da ordem de serviço.
Para parte da população, trata-se de reaproveitamento de obras herdadas, reembaladas como novos feitos administrativos.
Nomeações políticas e casos de nepotismo abalaram a confiança
O governo também enfrenta desgaste com nomeações políticas e casos de possível nepotismo registrados logo no início do mandato.
Familiares de servidores e aliados próximos foram nomeados em cargos de confiança, o que gerou forte reação pública e questionamentos sobre o compromisso com os princípios da moralidade e impessoalidade administrativa.
O episódio marcou um ponto de virada na percepção pública, abalando a credibilidade e a confiança no discurso de gestão técnica.
Comissão processante e a defesa milionária
A crise política mais intensa do governo ocorreu com a instauração de uma comissão processante na Câmara de Vereadores, que colocou o prefeito sob risco de cassação antes de completar um ano de mandato.
O processo teve grande repercussão pública e terminou com cinco votos favoráveis à cassação e seis votos pelo arquivamento da denúncia, encerrando o caso por margem apertada.
Logo após o resultado, o procurador do prefeitoafirmou à imprensa que o prefeito “sempre esteve tranquilo” e que o processo serviu apenas “para provar sua inocência”, reforçando que “a verdade prevaleceu”.
Segundo o discurso oficial, tudo poderia ter sido resolvido “desde o início”, sem necessidade de prolongar o processo.
Mas, na prática, o que se viu foi bem diferente.
O clima dentro da Prefeitura era de tensão e incerteza, e fontes internas relatam que os dias que antecederam a votação foram marcados por reuniões reservadas, apreensão entre comissionados e forte movimentação política.
Havia preocupação real sobre o desfecho e seus reflexos diretos na estrutura do governo.
Para conduzir a defesa, o Prefeito contratou o advogado Guilherme de Salles Gonçalves, um dos nomes mais conhecidos do país em direito político e eleitoral — profissional que já atuou na defesa da senadora Gleisi Hoffmann em casos ligados à Operação Lava Jato, conforme noticiado pela Revista Veja.
Reconhecido nacionalmente, Gonçalves é advogado de alto prestígio e honorários compatíveis com sua notoriedade, podendo ultrapassar a faixa dos três dígitos em valores contratuais, de acordo com estimativas de mercado.
A contratação de um profissional desse porte, somada às diversas viagens aéreas entre Curitiba e Pato Branco para oitivas durante o longo do processo, pagas pelo atual prefeito chamou a atenção de vereadores e servidores.
Nos bastidores, o episódio deixou marcas políticas evidentes: revelou fragilidade interna, insegurança e alto custo para o Prefeito, tanto no campo financeiro quanto na imagem pública.
A vitória apertada, embora tenha evitado a cassação, abalou as estruturas da gestão e consolidou a percepção de instabilidade política dentro e fora do Paço Municipal.
Expopato e a atuação firme do Ministério Público
A Expopato 2025 também revelou problemas de transparência e levantou questionamentos sobre gestão e fiscalização de recursos públicos.
Conflitos de interesse, acúmulo de funções e falta de clareza em contratos levaram o Ministério Público a aprofundar investigações sobre a feira e outras ações do governo.
Além disso, o MP apura uma suposta prática de autopromoção institucional do prefeito nas redes sociais oficiais da Prefeitura, o que pode violar o princípio da impessoalidade previsto no artigo 37 da Constituição.
A investigação busca esclarecer se houve uso de estruturas públicas para promoção pessoal, o que, se comprovado, pode configurar ato de improbidade administrativa.
Até o momento, não há conclusão judicial sobre os casos.
Promessas não cumpridas e frustração popular
Entre as promessas de campanha mais lembradas está a de colocar o Terminal Urbano em funcionamento logo nos primeiros meses de governo.
Durante a campanha, o então candidato chegou a afirmar que a falta de funcionamento era resultado da incompetência da gestão anterior.
Hoje, quase um ano depois, o terminal segue parado travado pelos mesmos impasses técnicos e jurídicos já conhecidos.
Para a população, ficou a sensação de promessa vazia e discurso eleitoreiro.
O prefeito também havia prometido “enxugar a máquina pública”, reduzindo cargos e priorizando a eficiência.
Mas, ainda nas primeiras semanas de governo, a Prefeitura registrou um grande número de nomeações políticas, com secretarias loteadas entre aliados.
O contraste entre promessa e prática aumentou o desgaste e a sensação de contradição.
Esporte abandonado e falhas na educação
Outro setor que se tornou alvo de críticas é o esporte.
Durante a campanha, o prefeito garantiu que não deixaria o esporte de lado e que investiria fortemente na formação de base e em programas comunitários.
Entretanto, o cenário atual é de redução de apoio, cortes de incentivos e falta de projetos, deixando crianças e jovens sem acesso a atividades esportivas regulares, o que gerou grande insatisfação entre pais e instrutores.
Na educação, a situação também preocupa.
Um dos exemplos mais comentados é a demora na entrega dos uniformes escolares, que chegando ao décimo mês do ano letivo ainda não haviam sido distribuídos.
Pais e professores relatam falta de planejamento, atrasos e carência de materiais básicos.
Esses fatores, somados, reforçam o sentimento de desorganização e descuido com setores essenciais.
Pesquisa bloqueada e silêncio estratégico
O suposto bloqueio da pesquisa interna reforça a impressão de que o governo tenta conter danos políticos e evitar a divulgação de dados negativos.
Segundo servidores próximos à cúpula do Executivo, a sondagem teria revelado índices preocupantes de rejeição, e a ordem para não divulgar partiu diretamente do gabinete do prefeito.
Até o momento, não houve manifestação oficial confirmando ou negando a existência da pesquisa.
Nos bastidores, há consenso de que o desgaste é real e crescente, e de que o maior desafio agora é reconstruir credibilidade diante de uma população cansada de promessas, justificativas e repetições de discurso.
Nota do Verdades:
O espaço segue aberto para manifestação oficial da Prefeitura de Pato Branco, caso queira apresentar esclarecimentos, documentos ou contrapontos a respeito das informações relatadas nesta matéria.
Redação Portal Verdades.
