Natal solidário que virou memória: quando a política pública chegava ao povo em Pato Branco

Natal solidário que virou memória: quando a política pública chegava ao povo em Pato Branco

Imagens que hoje circulam nas redes sociais e voltaram a chamar a atenção da população não são peças publicitárias nem material de campanha. São registros reais de uma política pública que, em outros tempos, chegou de forma concreta às famílias em situação de vulnerabilidade em Pato Branco.

Em um único Natal, milhares de famílias foram atendidas por meio de ações coordenadas pela Secretaria de Assistência Social, garantindo algo básico, mas essencial: comida na mesa e dignidade em uma das datas mais simbólicas do ano. Para muitas dessas pessoas, as cestas entregues não eram um complemento, mas sim a própria ceia. O único frango, o único panetone e, muitas vezes, o único sorriso das crianças naquela noite.

Tratava-se de política pública efetiva, voltada a quem mais precisava, baseada em critérios sociais claros e executada com foco no atendimento direto à população vulnerável. Não havia espetáculo, palco ou marketing. Havia ação.

Mudança de prioridades e afastamento da política social

O contraste com o cenário atual é inevitável. A percepção crescente entre moradores é de que as prioridades da administração municipal foram deslocadas. Recursos não faltam para cargos comissionados, para a ampliação de estruturas políticas, para grandes eventos, para palco, shows e visibilidade institucional. Também não faltam recursos para a realização da ExpoPato e para deslocamentos frequentes do prefeito a Curitiba, com agendas, reuniões, registros fotográficos e discursos.

No entanto, quando o assunto é assistência social, o atendimento às famílias mais vulneráveis e o amparo direto a quem enfrenta dificuldades, a resposta tem sido o silêncio.

Secretaria de Assistência Social deixada em segundo plano

Um dos pontos que mais chama a atenção é a situação da própria Secretaria de Assistência Social. Uma pasta estratégica, responsável por coordenar políticas públicas essenciais, foi relegada a segundo plano e chegou ao fim do ano sem sequer contar com um secretário efetivo.

A ausência de comando formal em uma secretaria tão sensível é mais do que um detalhe administrativo: é um sinal claro das prioridades adotadas pela atual gestão. Em um momento em que a demanda por políticas sociais é crescente, a falta de liderança efetiva compromete planejamento, execução e resultados.

Inversão de valores e impacto direto na população

Onde antes havia compromisso com quem mais precisava, hoje se observa uma inversão evidente de valores. O espaço ocupado antes por ações sociais foi substituído por narrativas, discursos e estratégias de autopromoção. A política social, que deveria ser eixo central da administração pública, passou a disputar espaço com interesses políticos e institucionais.

Natal, nesse contexto, deixa de ser um período de cuidado coletivo e passa a ser tratado como evento, agenda ou peça de comunicação. Mas Natal não é palco, não é viagem e não é espetáculo. Natal é escolha. E a escolha de colocar o povo em primeiro lugar deveria ser o mínimo esperado de qualquer gestão pública.

Memória, comparação e cobrança

A população de Pato Branco observa, compara e lembra. As imagens do passado não servem apenas para recordar, mas para evidenciar o quanto a política pública pode e deve ser instrumento de transformação social quando há vontade política e prioridade correta.

O resgate desses registros reforça uma cobrança legítima: que a assistência social volte a ocupar o lugar que lhe é devido e que as famílias em situação de vulnerabilidade não sejam tratadas como tema secundário em meio a eventos, cargos e agendas políticas.

O povo não esquece. E a memória coletiva segue sendo uma das ferramentas mais poderosas de fiscalização da gestão pública.

Descubra mais sobre Portal Verdades Paraná

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo