Carro de R$ 1,4 milhões vai multar você: modernização ou máquina de arrecadar? Pato Branco adota um sistema que levanta dúvidas, riscos e revolta

A Prefeitura de Pato Branco anunciou que, a partir de janeiro de 2026, toda a fiscalização do estacionamento rotativo será feita por um carro OCR que custou quase R$ 1,4 milhões, adquirido via permuta. Equipado com câmeras de alta precisão e um sistema automatizado de leitura de placas, o veículo percorrerá as ruas fiscalizando e multando sem interação humana.

O anúncio veio como “modernização”, mas o impacto para o cidadão é outro: fiscalização rígida, sem tolerância, sem aviso no para-brisa, sem papel, sem cartão e sem chance de explicação imediata.
E, pior: sem respostas da Prefeitura para uma série de problemas práticos que o sistema pode gerar.

Na prática, o que se vende como avanço tecnológico pode se transformar em uma máquina de arrecadação em um município que enfrenta uma crise financeira gigantesca com mais de R$ 15 milhões em dívidas atrasadas, coleta de lixo à beira do colapso, frota sucateada e serviços essenciais sofrendo cortes.

Como vai funcionar o novo sistema e por que ele preocupa

A partir do dia 05/01/2026, a cobrança do rotativo passa a ser inteiramente digital.
O carro OCR fará a leitura das placas e verificará, em tempo real, se o motorista ativou o crédito no aplicativo ESTARDIGI.

Se não ativou, mesmo que tenha acabado de estacionar, o sistema já entende como irregularidade.
A notificação não será deixada no carro — o motorista ficará sabendo apenas horas depois, pelo aplicativo.

Isso significa:

  • Sem tolerância de minutos

  • Sem justificativas no local

  • Sem cartão impresso

  • Sem aviso físico

  • Sem agente para explicar a situação

  • Notificação apenas virtual

  • Fiscalização 100% automática

É o sistema mais rígido já implantado na cidade.

O problema da vida real: bateria, internet, instabilidade e emergências

E aqui começa a parte crítica a vida real não funciona igual a uma planilha de gabinete.

O que acontece quando o motorista estiver sem bateria?
E quando estiver sem internet móvel?
E quando o sistema do aplicativo cair?
E os idosos, que têm dificuldade com aplicativos?
E visitantes, turistas, trabalhadores de outras cidades?

Serão obrigados a baixar o app ou serão multados automaticamente.

O novo sistema ignora as realidades básicas do cotidiano e coloca todos os riscos sobre o cidadão.

O discurso que não bate com a prática: o caso Rômulo Faggion

Toda essa mudança também contraria diretamente o discurso do próprio diretor do DEPATRAN, Rômulo Faggion, que no ano passado afirmou publicamente que o departamento não deveria ser “uma indústria da multa”, mas um órgão educativo, orientador e preventivo. Agora, como diretor da pasta, ele aprova justamente o oposto do que dizia defender.

E a contradição não para aí:

  • ele foi vereador na legislatura passada;

  • já fez duras críticas ao DEPATRAN, e ao ESTAR no passado;

  • e agora aparece como fiador político de um sistema que pune o cidadão sem direito a erro, sem tolerância e sem explicação.

Nos bastidores, muitas pessoas comentam que, por não ter sido reeleito em 2024, ele estaria adotando uma postura punitiva, quase como uma forma de “compensação” ou “resposta” ao eleitorado. Esperamos sinceramente que isso não seja verdade até porque 2028 está logo ali, e a população não tem a memória curta que políticos costumam imaginar.

Em tempos de internet, vídeos, prints e discursos guardados, qualquer incoerência política volta como um eco e cobra o seu preço.

Conclusão: o rotativo de Pato Branco nasce contra o cidadão e a favor da arrecadação

O carro OCR milionário não é apenas uma ferramenta de fiscalização.
Ele é o símbolo de uma gestão que perdeu o senso de prioridade.

Quando a cidade está cheia de problemas urgentes, escolher modernizar somente a cobrança e da forma mais dura possível é uma decisão política, não técnica.

E uma decisão política ruim.

Enquanto isso:

  • o cidadão paga,

  • a cidade sofre,

  • e a máquina arrecadatória funciona na velocidade máxima.

O Portal Verdades seguirá acompanhando cada etapa dessa mudança e cobrando aquilo que a gestão insiste em evitar: responsabilidade.

Por Gustavo, Redação Portal Verdades
Matéria sobre o Veículo: Clique Aqui
Fontes: Notificação no Aplicativo Estar Digital:

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