Contrato de cinco anos com empresa de Marília inclui software, totens e veículo que será usado pelo Depatran; população teme aumento de multas
PATO BRANCO – A Prefeitura de Pato Branco firmou um contrato de R$ 1.440.902,22 com a empresa DSIN Tecnologia da Informação Ltda, de Marília (SP), para implantar o novo sistema de Estacionamento Rotativo Digital (Estar Digital). O valor milionário inclui licenças de software, centrais de monitoramento, totens de autoatendimento e até um carro entregue em comodato para o Departamento Municipal de Trânsito (Depatran).
Segundo o contrato nº 17/2025/GP, assinado pelo prefeito Géri Dutra em 5 de maio de 2025, o veículo será usado para “operações de monitoramento e autoatendimento”. Na prática, o automóvel servirá para reforçar o trabalho dos agentes nas ruas — o que, na avaliação de especialistas e parte da população, pode aumentar o rigor da fiscalização e o volume de autuações emitidas na cidade.
O que o contrato prevê
A contratação contempla:
•Licença de uso e manutenção do sistema de controle do estacionamento;
•Instalação de centrais de monitoramento e totens eletrônicos;
•Treinamento de servidores e migração de dados;
•Atualizações corretivas e evolutivas do software;
•Um veículo de passeio cedido em comodato para o Depatran;
•Suporte técnico durante toda a vigência do contrato.
O prazo de execução é de 60 meses (cinco anos), prorrogável por até dez anos, e o pagamento mensal à empresa será de R$ 23.461,56.
O argumento oficial
O projeto é apresentado pela Secretaria de Engenharia e Obras como uma “modernização do sistema de estacionamento”, com promessa de mais agilidade e transparência. A proposta inclui o uso de tecnologia de leitura de placas (OCR), pagamento via aplicativo, PIX e cartões.
Entretanto, o histórico mostra que o sistema anterior — também contratado da mesma empresa, DSIN Tecnologia — custou cerca de R$ 210 mil em 2020. Agora, o novo contrato supera sete vezes o valor anterior, e ainda inclui o fornecimento de um carro, algo que não constava nas contratações anteriores.
O carro que gera dúvidas
Embora descrito como “comodato”, o veículo será utilizado integralmente pelo Depatran, com combustível, manutenção e seguro arcados pelo município. Fontes ouvidas pela reportagem alertam que essa cláusula, comum em contratos de telecomunicações ou tecnologia, não é usual em licitações de software, e pode configurar benefício indireto à administração.
O contrato também cita a instalação de totens de autoatendimento em pontos estratégicos da cidade, o que pode indicar a expansão das áreas fiscalizadas e o consequente aumento da arrecadação de multas.
O que diz a população
Nas redes sociais, moradores já demonstram insatisfação. “Mais um carro pra multar o povo, e não pra resolver os buracos da cidade”, disse um internauta. Outros questionam o alto valor investido em tecnologia enquanto setores essenciais, como saúde e educação, enfrentam cortes e falta de estrutura.
Falta de transparência
Até o momento, a Prefeitura não divulgou o cronograma de implantação, nem informou o número exato de vagas rotativas que serão incluídas no novo sistema. Também não foram apresentados estudos de impacto sobre o aumento na arrecadação de multas.
O contrato completo está disponível abaixo, sob o Processo Administrativo nº 14.186/2024.
01 – Fase Interna e Edital pag 01 a 552
01 – Fase Interna e Edital pag 01 a 552
Por Gustavo — Redação Verdades Pato Branco

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