Lula liderava as pesquisas e fugiu dos debates; após derrota no primeiro turno, quer enfrentar Flávio, que anuncia ausência

Lula liderava as pesquisas e fugiu dos debates; após derrota no primeiro turno, quer enfrentar Flávio, que anuncia ausência

A disputa presidencial de 2026 chegou ao segundo turno com uma inversão de posições que promete alimentar o debate político. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que liderava levantamentos eleitorais e não participou dos debates televisivos do primeiro turno, agora pretende enfrentar Flávio Bolsonaro (PL) diante das câmeras. O problema é que o senador, que terminou a primeira votação à frente do presidente, anunciou nesta terça-feira (13) que não comparecerá ao debate da TV Bandeirantes, marcado para domingo (18).

A mudança ocorre depois de um resultado que contrariou a ordem apresentada em pesquisas divulgadas durante parte da campanha. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. Nenhum dos dois alcançou a maioria absoluta necessária para vencer a eleição, e ambos avançaram ao segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Antes e depois das urnas

Lula aparecia na frente nas pesquisas, mas terminou atrás de Flávio

Durante boa parte da campanha presidencial, Lula ocupou a primeira posição em levantamentos de intenção de voto. Em pesquisa Datafolha divulgada em 28 de setembro, com entrevistas realizadas nos dias 22 e 23 daquele mês, o presidente aparecia com 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro.

A diferença era de quatro pontos percentuais, exatamente o limite combinado das margens de erro de dois pontos para cada candidato. O levantamento indicava uma vantagem estreita do petista, sem assegurar qual seria o resultado da votação.

A liderança numérica de Lula não era novidade. Em junho, o Datafolha havia registrado 41% para o presidente e 31% para Flávio. Em julho, os números eram de 40% contra 32%. A diferença diminuiu progressivamente ao longo dos meses seguintes.

Apesar da redução da distância, Lula ainda aparecia numericamente à frente no levantamento divulgado poucos dias antes da eleição.

O resultado das urnas, entretanto, apresentou uma ordem diferente.

Flávio Bolsonaro (PL)
47,03%
Votos válidos no primeiro turno
Lula (PT)
45,16%
Votos válidos no primeiro turno
Diferença
1,87 p.p.
Vantagem de Flávio na votação

Conforme os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro recebeu mais de 56,1 milhões de votos, enquanto Lula ultrapassou 53,8 milhões. A diferença entre os candidatos foi superior a 2,2 milhões de votos.

Embora o resultado tenha colocado Flávio na primeira posição, a eleição não foi decidida. A legislação brasileira exige mais de 50% dos votos válidos para a vitória no primeiro turno, percentual que nenhum candidato atingiu.

Ausências no primeiro turno

Lula não compareceu aos debates quando liderava as pesquisas

Enquanto aparecia à frente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, Lula optou por não participar dos debates televisivos realizados durante o primeiro turno.

A ausência foi criticada por adversários, que defendiam a importância de confrontar propostas, apresentar argumentos e responder a questionamentos diante dos demais candidatos.

Flávio Bolsonaro esteve entre os críticos da postura do presidente. Durante a campanha, o senador cobrou a participação de Lula e chegou a chamá-lo de "fujão", segundo a cobertura jornalística da época.

Entretanto, há um detalhe importante: Flávio também não participou dos debates do primeiro turno. Os dois principais candidatos ficaram fora dos confrontos televisivos, e parte dos encontros previstos pelas emissoras acabou cancelada.

No caso de Lula, a estratégia foi associada pela direção petista ao formato dos debates com vários concorrentes. A campanha avaliava que os encontros poderiam dificultar um confronto direto com o principal adversário.

Assim, embora a ausência de Lula tenha sido interpretada por críticos como uma tentativa de evitar desgaste político, não há elementos suficientes para afirmar que o presidente deixou de comparecer exclusivamente porque liderava as pesquisas.

Mudança no segundo turno

Depois de terminar em segundo lugar, Lula agora quer confronto direto

A posição da campanha petista mudou após a votação de 4 de outubro. Com apenas dois candidatos na disputa, dirigentes do PT passaram a confirmar a disposição de Lula para participar de debates televisivos.

Nesta terça-feira (13), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula pretende comparecer aos encontros promovidos pela Band e pela TV Globo.

A justificativa apresentada pelo dirigente é que o novo formato permite um confronto direto entre os dois presidenciáveis, diferentemente do primeiro turno, quando havia vários concorrentes.

A mudança também ocorre em um cenário eleitoral diferente. Lula terminou a primeira votação atrás de Flávio Bolsonaro e passou a enfrentar levantamentos do segundo turno que mostram uma disputa apertada.

Pesquisa PoderData/AYA divulgada em 13 de outubro registrou 51% dos votos válidos para Flávio e 49% para Lula, resultado caracterizado como empate técnico dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual.

Outro levantamento, realizado pelo BTG/Nexus e divulgado na mesma data, apontou 52% para Flávio e 48% para Lula nos votos válidos. A margem de erro informada foi de dois pontos percentuais.

Os números representam a intenção de voto dos entrevistados no período das pesquisas e não permitem antecipar o resultado do segundo turno.

A decisão de Flávio

Senador anuncia ausência na Band e deixa participação na Globo indefinida

Foi nesse contexto que Flávio Bolsonaro anunciou, nesta terça-feira, que não participará do debate presidencial organizado pela TV Bandeirantes para o próximo domingo, 18 de outubro.

A declaração foi feita após um evento político em São Paulo, no qual dirigentes estaduais do MDB formalizaram apoio à sua candidatura.

O senador informou que sua equipe ainda avalia a participação no último debate previsto antes da eleição, organizado pela TV Globo para 23 de outubro.

A decisão chama atenção porque Flávio havia cobrado publicamente a presença de Lula nos debates do primeiro turno. Agora, diante da disposição do presidente de comparecer, é o candidato do PL quem anuncia que ficará fora do encontro.

A sequência de acontecimentos abre espaço para interpretações políticas sobre uma possível inversão de estratégias. Entretanto, não há confirmação de que Flávio tenha decidido faltar ao debate como uma forma de retribuir a ausência anterior de Lula.

Debate mantido

Band diz que programa acontecerá mesmo sem Flávio

A TV Bandeirantes informou que pretende manter o debate presidencial de domingo, mesmo diante da ausência anunciada por Flávio Bolsonaro.

Segundo a emissora, caso um dos candidatos não compareça, o púlpito destinado a ele permanecerá vazio durante a transmissão.

A decisão coloca novamente em evidência uma discussão que já havia surgido durante o primeiro turno: a possibilidade de emissoras exibirem o espaço reservado a candidatos ausentes.

Na etapa anterior da eleição, decisões da Justiça Eleitoral interferiram nas regras de debates, incluindo discussões sobre a exibição de púlpitos vazios e a participação de determinados candidatos.

Agora, com apenas Lula e Flávio na disputa, a Band pretende realizar o encontro conforme sua programação. A ausência anunciada pelo candidato do PL, portanto, não significa necessariamente o cancelamento do evento.

Uma eleição sem confronto direto?

Os dois candidatos podem chegar às urnas sem se enfrentar na televisão

A eleição presidencial de 2026 apresenta uma situação particular: os dois candidatos que avançaram ao segundo turno não participaram dos debates televisivos da primeira etapa da disputa.

O debate que estava previsto pela Record para 11 de outubro também foi cancelado, segundo a emissora, por incompatibilidade de agendas.

Com Flávio anunciando ausência na Band, a possibilidade de um confronto direto entre os presidenciáveis fica concentrada no encontro previsto pela TV Globo, caso ambos confirmem participação.

Os debates não são obrigatórios. A decisão de participar ou não cabe aos candidatos, respeitadas as regras eleitorais aplicáveis à organização dos programas.

Para o eleitor, entretanto, esses encontros representam uma oportunidade de acompanhar respostas diretas sobre temas como economia, segurança pública, saúde, educação, programas sociais e propostas para o próximo mandato presidencial.

A ausência de qualquer candidato reduz a possibilidade de comparação simultânea entre suas propostas, embora entrevistas, sabatinas e outros formatos também permitam o escrutínio público das candidaturas.

O contraste político

A cobrança mudou de lado, mas as perguntas permanecem

A sequência dos acontecimentos expõe um contraste entre os dois momentos da eleição.

No primeiro turno, Lula aparecia numericamente à frente em pesquisas como o Datafolha e decidiu não participar dos debates. Flávio Bolsonaro criticava a ausência do presidente, mas também ficou fora dos encontros.

Depois da votação, o cenário mudou: Flávio terminou em primeiro lugar, Lula ficou em segundo, e a campanha petista passou a defender a realização de confrontos diretos na televisão.

Agora, o senador anuncia que não comparecerá ao debate da Band, enquanto Lula manifesta intenção de participar.

A inversão oferece um tema relevante para o debate público: até que ponto a disposição dos candidatos para participar de confrontos televisivos varia conforme o momento da disputa eleitoral?

A resposta não pode ser reduzida à posição nas pesquisas ou ao resultado do primeiro turno. As campanhas também consideram formatos, regras, agendas e estratégias de comunicação, e as razões específicas de cada ausência precisam ser atribuídas aos próprios candidatos.

O fato concreto é que, a menos de duas semanas do segundo turno, Lula e Flávio ainda não se enfrentaram diretamente em um debate televisivo. A participação no encontro da Globo poderá definir se os eleitores terão essa oportunidade antes da votação de 25 de outubro.

Dados eleitorais: Tribunal Superior Eleitoral, resultado do primeiro turno de 4 de outubro de 2026. Pesquisas: Datafolha, PoderData/AYA e BTG/Nexus. Informações sobre debates: Folha de S.Paulo e UOL, publicadas em 13 de outubro de 2026.

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