Promessa milionária, obra parada e asfalto cheio de buracos: a realidade da Frei Policarpo na gestão Géri Dutra

Promessa milionária, obra parada e asfalto cheio de buracos: a realidade da Frei Policarpo na gestão Géri Dutra

A Prefeitura de Pato Branco assumiu a antiga BR-158 há quase um ano, anunciou uma transformação urbana milionária e apresentou à população a promessa de uma avenida moderna, com vias marginais, ciclovias, viadutos e melhorias na mobilidade. Mas, enquanto a revitalização não avança como inicialmente esperado, quem utiliza a Avenida Frei Policarpo continua enfrentando uma realidade bem diferente daquela apresentada nos projetos: buracos, pavimento deteriorado e reclamações sobre as condições de conservação. A situação coloca a gestão do prefeito Géri Dutra diante de uma cobrança simples: antes de entregar a avenida do futuro, é preciso garantir a manutenção daquela que os motoristas utilizam hoje.

O Portal Verdades percorreu a via e registrou em vídeo diferentes pontos com irregularidades no asfalto. As imagens reforçam reclamações de motoristas que utilizam diariamente o corredor, especialmente no sentido de Coronel Vivida. O problema ganha ainda mais relevância porque, desde novembro de 2025, a Prefeitura é oficialmente responsável pela conservação dos 15,4 quilômetros municipalizados da antiga rodovia federal.

A RESPONSABILIDADE MUDOU

Não é mais BR-158: a manutenção agora é responsabilidade da Prefeitura

Para quem ainda acredita que a conservação da antiga BR-158 continua sendo responsabilidade do Governo Federal, vale esclarecer: isso mudou em novembro de 2025.

Por meio do Termo de Transferência nº 106/2025, celebrado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Município de Pato Branco, o trecho compreendido entre os quilômetros 528,10 e 543,50 passou oficialmente à administração municipal.

São 15,4 quilômetros que deixaram de depender do órgão federal para manutenção, drenagem, sinalização e fiscalização, conforme informou a própria Prefeitura.

A municipalização foi apresentada pela administração como um avanço histórico, capaz de permitir a transformação da antiga rodovia em uma avenida urbana, com melhores acessos e infraestrutura.

Posteriormente, a Lei Municipal nº 6.550, de janeiro de 2026, oficializou a denominação Avenida Frei Policarpo.

Entretanto, a transferência não trouxe apenas autonomia para executar projetos e anunciar investimentos. Trouxe também responsabilidades imediatas.

Desde então, conservar o pavimento existente nos 15,4 quilômetros municipalizados passou a ser uma obrigação da administração municipal.

E essa é uma informação importante para quem continua associando os buracos da antiga rodovia exclusivamente ao DNIT.

A PROMESSA MILIONÁRIA

Uma grande transformação anunciada, mas ainda distante da realidade

A transformação da Avenida Frei Policarpo foi apresentada como um dos maiores investimentos em infraestrutura da história de Pato Branco.

Em abril de 2026, o prefeito Géri Dutra anunciou que o projeto poderia movimentar mais de R$ 250 milhões, envolvendo a recuperação da pista principal, implantação de marginais, ciclovias, iluminação, urbanização e construção de novos viadutos.

A proposta prevê intervenções importantes para a mobilidade urbana e para a integração de diferentes regiões da cidade.

O problema está no tempo necessário para transformar aquilo que foi anunciado em uma estrutura efetivamente entregue à população.

A primeira etapa, com investimento contratado de aproximadamente R$ 53 milhões, teve ordem de serviço assinada em julho de 2026, mas acabou paralisada junto com outros contratos municipais. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação pública de retomada efetiva dos trabalhos nessa etapa.

Já a segunda etapa, anunciada pela administração com convênio firmado junto ao Governo do Paraná, ainda não possui licitação concluída confirmada nas informações públicas consultadas pela reportagem.

Em julho, durante o lançamento da primeira fase, o próprio prefeito informou que a segunda estava em preparação para o processo licitatório.

Portanto, mesmo considerando os recursos anunciados, a transformação completa da avenida ainda depende de procedimentos administrativos, contratações e execução de obras que podem demandar um período prolongado.

A administração municipal sabia disso desde o início.

Uma obra dessa dimensão não seria concluída da noite para o dia, mesmo que todas as etapas fossem licitadas, contratadas e executadas sem interrupções.

Se a Prefeitura já sabia que a revitalização levaria anos, qual foi o planejamento para garantir a conservação do asfalto enquanto a grande obra não ficasse pronta?

A REALIDADE DO ASFALTO

Motoristas enfrentam buracos enquanto aguardam a nova avenida

Enquanto a transformação anunciada permanece distante de sua conclusão, quem precisa utilizar a Frei Policarpo diariamente continua enfrentando as condições do pavimento atual.

O Portal Verdades percorreu a avenida e registrou em vídeo pontos com buracos e irregularidades na pista.

Também são frequentes os relatos de motoristas que reclamam das condições do corredor em direção a Coronel Vivida, onde apontam trechos deteriorados e dificuldades para transitar.

É importante distinguir os 15,4 quilômetros municipalizados de outros segmentos rodoviários que seguem em direção ao município vizinho, pois a responsabilidade pela conservação depende dos limites administrativos de cada trecho.

Dentro da área transferida ao Município de Pato Branco, entretanto, a manutenção passou a ser responsabilidade da Prefeitura.

Buracos e deformações no pavimento representam mais do que desconforto. Podem provocar danos a pneus, rodas e suspensões, além de aumentar os riscos de acidentes.

Durante a noite ou em períodos de chuva, a situação exige atenção ainda maior, pois o acúmulo de água pode esconder irregularidades e dificultar a identificação dos pontos danificados.

O motorista que utiliza a avenida não depende de uma maquete, de um projeto arquitetônico ou de um anúncio milionário para chegar ao trabalho, transportar mercadorias ou retornar para casa.

Ele depende das condições do asfalto que existe hoje.

A MANUTENÇÃO QUE NÃO PODE ESPERAR

Por que esperar a grande obra para resolver problemas que exigem reparos agora?

O ponto central da cobrança não é exigir que a Prefeitura conclua imediatamente uma transformação urbana de grandes proporções.

É cobrar a conservação da estrutura existente enquanto a revitalização não acontece.

A municipalização ocorreu em novembro de 2025, quando já era de conhecimento da administração que o projeto seria executado em etapas, exigiria investimentos expressivos e dependeria de diferentes processos licitatórios.

Portanto, a Prefeitura assumiu uma via que continuaria sendo utilizada diariamente durante todo o período de execução das futuras obras.

A manutenção preventiva e corretiva deveria fazer parte desse planejamento, independentemente dos prazos previstos para a revitalização.

Isso envolve recuperar pontos críticos, corrigir buracos, acompanhar as condições do pavimento e reforçar a sinalização onde houver riscos para os condutores.

Não se trata de substituir o projeto definitivo por serviços provisórios, mas de garantir condições adequadas de circulação até que as intervenções estruturais sejam executadas.

Afinal, uma obra de grande porte pode levar anos para ser concluída. A necessidade de manutenção, por outro lado, é diária.

COBRANÇAS JÁ CHEGARAM À CÂMARA

Vereadores solicitaram reparos na avenida em março e setembro

As condições do pavimento da Frei Policarpo já foram motivo de cobranças formais encaminhadas à Prefeitura.

Em março de 2026, a Câmara Municipal aprovou o Requerimento nº 255/2026, solicitando, com urgência, uma operação tapa-buracos em toda a extensão da avenida.

A cobrança voltou a aparecer em setembro, por meio do Requerimento nº 939/2026, que solicitou melhorias na sinalização viária e serviços de tapa-buracos, especialmente nas proximidades da empresa Transgoss e da passarela localizada junto ao Trevo da Taísa.

Os documentos demonstram que a necessidade de manutenção não surgiu apenas agora e já foi formalmente levada ao conhecimento da administração municipal.

A existência desses pedidos não significa, por si só, que nenhum serviço tenha sido realizado. Entretanto, reforça a importância de a Prefeitura apresentar informações sobre os reparos executados e o planejamento previsto para os pontos que continuam apresentando problemas.

NOS BASTIDORES DA POLÍTICA

A avenida do futuro não pode servir de resposta para os problemas do presente

Investir na transformação da Frei Policarpo pode representar um avanço importante para Pato Branco. A modernização da infraestrutura, a melhoria dos acessos e a ampliação da segurança viária são objetivos legítimos de uma administração pública.

Mas anunciar investimentos e assumir uma rodovia são decisões que também exigem planejamento para o período anterior à conclusão das obras.

A gestão Géri Dutra assumiu formalmente a responsabilidade pela antiga BR-158 e apresentou um projeto ambicioso de revitalização.

O que precisa ser esclarecido agora é como a administração pretende conservar os 15,4 quilômetros municipalizados enquanto o empreendimento não é concluído.

A Prefeitura possui um cronograma permanente de manutenção para a Avenida Frei Policarpo? Quais serviços foram executados desde novembro de 2025? Quantos quilômetros receberam reparos? Quais são os pontos considerados prioritários?

E, principalmente, quais medidas serão adotadas para recuperar os trechos mais deteriorados, especialmente aqueles que acumulam reclamações de motoristas?

Essas perguntas são relevantes porque o anúncio de uma grande obra não elimina a obrigação de conservar o patrimônio público já existente.

A revitalização completa pode enfrentar dificuldades administrativas, prazos prolongados e eventuais mudanças de cronograma. Mas isso não altera a necessidade de garantir segurança e condições adequadas de trafegabilidade.

A Prefeitura assumiu a avenida para transformá-la no futuro. Mas também assumiu a responsabilidade de conservá-la no presente. A grande obra pode demorar. A manutenção não deveria esperar por ela.
Análise editorial — Portal Verdades
A COBRANÇA QUE FICA

A população não pode esperar anos por um asfalto em condições adequadas

A Frei Policarpo pode, no futuro, se transformar em uma das principais obras de infraestrutura de Pato Branco. O projeto anunciado prevê melhorias relevantes, com potencial para modificar a mobilidade urbana e os acessos da cidade.

Entretanto, a população continua utilizando a avenida atual enquanto aguarda essa transformação.

E não é razoável que a expectativa por uma obra de grande porte substitua a necessidade de serviços cotidianos de conservação.

A administração municipal precisa esclarecer quando pretende recuperar os pontos danificados, quais recursos estão previstos para manutenção e como será garantida a segurança dos usuários durante os próximos anos.

A cobrança é objetiva: não se trata de exigir a entrega imediata de um projeto milionário, mas de assegurar que a avenida continue oferecendo condições adequadas de circulação até que a revitalização seja concluída.

Afinal, os motoristas não transitam sobre promessas, projetos ou convênios. Eles transitam sobre o asfalto que existe hoje.

E, desde novembro de 2025, a responsabilidade pela conservação desse trecho é da Prefeitura de Pato Branco.

O Portal Verdades mantém espaço aberto para que a administração municipal esclareça a situação atual das obras, informe as intervenções de manutenção já realizadas e apresente o planejamento para recuperação dos pontos críticos da avenida.


Fontes: Prefeitura de Pato Branco; Termo de Transferência nº 106/2025; Lei Municipal nº 6.550/2026; Requerimentos nº 255/2026 e nº 939/2026 da Câmara Municipal; informações oficiais sobre a revitalização da Avenida Frei Policarpo e registros produzidos pelo Portal Verdades.

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