Flávio Bolsonaro muda posição e confirma voto a favor do fim da escala 6×1, mas quer compensação para empresas

Flávio Bolsonaro muda posição e confirma voto a favor do fim da escala 6×1, mas quer compensação para empresas

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil. A declaração marca uma mudança em seu posicionamento público, depois de o parlamentar criticar a discussão da medida durante o período eleitoral e questionar seus possíveis impactos econômicos.

O anúncio ocorreu após uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, a menos de duas semanas do segundo turno presidencial. Apesar de confirmar o voto favorável, Flávio defendeu alterações na organização das jornadas e afirmou que o governo federal deverá compensar as empresas pelos custos adicionais provocados pela redução das horas trabalhadas.

Mudança de posicionamento

De críticas à proposta ao anúncio de voto favorável

Até a semana anterior, Flávio Bolsonaro vinha questionando a tramitação da proposta durante a campanha presidencial. O senador considerava oportunista a discussão sobre a redução da jornada às vésperas do segundo turno e manifestava preocupação com os efeitos da medida sobre o setor produtivo.

Nesta terça-feira, entretanto, o candidato confirmou que pretende votar pela aprovação do fim da escala 6x1. Segundo suas declarações à imprensa, a decisão considera a demanda de trabalhadores por mais tempo de descanso.

A manifestação ocorre em um momento em que o tema passou a ocupar espaço nas discussões entre governo, oposição, entidades empresariais e representantes dos trabalhadores.

O anúncio de Flávio também acontece depois de lideranças da oposição sinalizarem disposição para apoiar a proposta no Senado, embora permaneçam divergências sobre a forma de implementação da mudança.

Condições apresentadas

Flávio quer compensação financeira para as empresas

Embora tenha anunciado apoio à redução da jornada, Flávio Bolsonaro defendeu que a mudança seja acompanhada de mecanismos para evitar o aumento dos custos das empresas.

O senador argumentou que estabelecimentos comerciais, indústrias e prestadores de serviços poderão precisar contratar novos funcionários para manter suas atividades caso haja redução da carga horária semanal sem diminuição dos salários.

Diante desse cenário, afirmou que o governo federal deverá oferecer alguma forma de compensação financeira aos empregadores.

O candidato também manifestou preocupação com a possibilidade de aumento da informalidade e defendeu maior flexibilidade na organização das jornadas de trabalho.

Até o anúncio, porém, Flávio não havia apresentado uma estimativa do custo dessa compensação nem detalhado quais recursos públicos seriam utilizados para financiá-la.

A proposta de compensação empresarial mencionada pelo senador não significa que esse mecanismo já esteja previsto ou aprovado no texto em discussão no Congresso.

Entenda a proposta

O que muda com o fim da escala 6x1?

A escala 6x1 é um modelo de organização do trabalho no qual o empregado trabalha durante seis dias e descansa um. Atualmente, a Constituição Federal estabelece uma jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, admitidas as possibilidades de compensação e redução previstas na legislação.

A proposta discutida no Senado busca reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial, e ampliar o período de descanso dos trabalhadores.

Jornada semanal atual
44 horas
Limite constitucional vigente
Jornada proposta
40 horas
Redução prevista na proposta em debate
Redução semanal
4 horas
Diferença entre os dois limites

A alteração pretende permitir uma reorganização da semana de trabalho, com ampliação do descanso. As condições de aplicação, eventuais regras de transição e os efeitos sobre diferentes atividades econômicas dependem do texto que vier a ser aprovado.

O debate envolve trabalhadores que defendem mais tempo para descanso, convivência familiar e atividades pessoais, além de empresas que questionam como reorganizar turnos, contratações e custos operacionais.

Tramitação no Congresso

Proposta ainda precisa passar por votações no Senado

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou novo impulso com a previsão de votação no Senado Federal durante o mês de outubro.

O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, indicou a possibilidade de avançar com a análise da proposta antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, a matéria precisa cumprir as exigências de tramitação constitucional. No Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação.

O que já está definido?
Posição anunciada por Flávio Voto favorável ao fim da escala 6x1
Condição defendida Compensação governamental pelos custos adicionais das empresas
Jornada em discussão Redução de 44 para 40 horas semanais
Situação da mudança Ainda depende de aprovação legislativa
Segundo turno presidencial 25 de outubro de 2026

A declaração de apoio de um parlamentar não substitui a votação formal. O posicionamento de Flávio Bolsonaro deverá ser confirmado no registro de seu voto quando a matéria for apreciada.

Contexto eleitoral

Tema entra no centro da disputa presidencial

O anúncio acontece durante a campanha do segundo turno, disputado por Flávio Bolsonaro (PL) e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O governo federal defende a redução da jornada de trabalho, enquanto representantes de diferentes setores econômicos discutem os efeitos da proposta sobre a organização das empresas e os custos de contratação.

A mudança de posicionamento de Flávio acrescenta um novo elemento ao debate: embora o candidato tenha confirmado apoio ao fim da escala 6x1, ele continua defendendo condições específicas para sua implementação.

A eventual aprovação da proposta dependerá dos votos dos parlamentares e da conclusão das etapas legislativas. Até lá, a escala 6x1 continua permitida pela legislação brasileira, respeitadas as regras trabalhistas vigentes.

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