O prefeito de Pato Branco, Géri Dutra, confirmou nesta quinta-feira, 30 de julho, que Romulo Faggion é o ex-vereador afastado cautelarmente do cargo comissionado que ocupava na Prefeitura durante a operação que investiga um possível cartel no setor de pavimentação. Faggion exercia a função de diretor do Departamento Municipal de Trânsito, o Depatran.
A identidade do servidor não havia sido revelada pelo Ministério Público do Paraná no comunicado oficial divulgado após o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em Pato Branco e outros quatro municípios. O órgão informou apenas que um ex-vereador do mandato de 2021 a 2024, atualmente ocupante de cargo comissionado de direção na Prefeitura, havia sido afastado por determinação judicial.
A confirmação feita por Géri Dutra encerra o suspense em torno do nome citado na Operação Agregados: trata-se de Romulo Faggion, ex-integrante da Câmara Municipal e atual diretor do Depatran na administração municipal.
| Servidor afastado | Romulo Faggion. |
| Cargo na Prefeitura | Diretor do Departamento Municipal de Trânsito, o Depatran. |
| Mandato político | Vereador de Pato Branco entre 2021 e 2024. |
| Medida judicial | Afastamento cautelar do cargo comissionado de direção. |
| Operação relacionada | Operação Agregados, conduzida pelo Gepatria e pela 1ª Promotoria de Justiça, com apoio operacional do Gaeco. |
MPPR aponta possível atuação contra uma usina municipal de asfalto
Segundo o Ministério Público, a Operação Agregados apura um possível conluio entre grupos empresariais do setor de pavimentação para fraudar licitações realizadas em Pato Branco e na região.
A investigação reúne indícios relacionados a possível formação de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de ativos e associação criminosa. Dentro desse contexto, o MPPR sustenta que empresas teriam cooptado um ex-vereador para atuar de forma velada contra a instalação de uma usina de asfalto própria pelo Município.
Com a confirmação feita pelo prefeito, sabe-se agora que o ex-parlamentar mencionado pelo Ministério Público é Romulo Faggion.
De acordo com a linha investigativa apresentada pelo órgão, a atuação teria como objetivo dificultar a implantação da estrutura pública e preservar a alta lucratividade dos contratos privados de pavimentação.
A suspeita não significa, neste momento, que os fatos estejam definitivamente comprovados. A investigação ainda deverá esclarecer quais atos teriam sido praticados, como teria ocorrido a aproximação com os empresários e quais decisões relacionadas à usina municipal teriam sido influenciadas.
Informações apontam que agentes foram até academia onde Faggion estava
Segundo informações apuradas pelo Portal Verdades, agentes envolvidos no cumprimento das ordens judiciais foram até uma academia onde Romulo Faggion estava na manhã desta quinta-feira.
O detalhe sobre o local em que ele foi encontrado não consta no comunicado divulgado pelo Ministério Público. A nota oficial também não esclarece se algum mandado de busca pessoal foi cumprido diretamente contra Faggion ou se a equipe foi ao local exclusivamente para comunicar ou executar a determinação de afastamento.
É importante diferenciar o afastamento de Faggion da prisão preventiva cumprida durante a mesma mobilização. O MPPR informou que uma pessoa foi presa por suspeita de fraude na execução de uma pena anterior por crime licitatório, mas não identificou publicamente o preso. Até o momento, não há informação oficial de que Faggion tenha sido preso.
Faggion comandava o Departamento Municipal de Trânsito
Após deixar a Câmara Municipal, Romulo Faggion passou a integrar a estrutura do Poder Executivo como diretor do Depatran, cargo comissionado de direção vinculado à administração de Géri Dutra.
Documentos municipais publicados em 2025 e 2026 identificam Faggion como diretor do departamento e autoridade municipal de trânsito. Em diferentes procedimentos administrativos, ele também aparece designado como fiscal de contratos relacionados ao setor.
O afastamento determinado pela Justiça atinge a função de direção ocupada por ele na Prefeitura. A decisão possui natureza cautelar e busca, entre outros objetivos possíveis, preservar a investigação e impedir interferências na coleta de provas.
O Município ainda deverá esclarecer quem assumirá provisoriamente a direção do Depatran e quais medidas administrativas serão adotadas após a confirmação da identidade do servidor afastado.
Ex-vereador apresentava fiscalização e transparência como bandeiras
Romulo Faggion foi eleito vereador em 2020 e exerceu mandato durante a legislatura de 2021 a 2024. Na Câmara, integrou a Mesa Diretora, exerceu funções internas e também ocupou a Ouvidoria do Legislativo.
Durante o mandato, materiais institucionais divulgados pela própria Câmara apresentavam a fiscalização dos atos públicos, a transparência e o combate à corrupção como compromissos defendidos pelo então vereador.
Esse histórico amplia a repercussão política do afastamento, já que Faggion passou da função de fiscalizador do Executivo para um cargo de confiança dentro da administração municipal e agora aparece como investigado em uma operação relacionada a contratos públicos e à possível influência de empresas privadas sobre decisões do Município.
Operação investiga vários crimes, mas MPPR não atribuiu todos a Faggion
A divulgação do nome exige uma distinção jurídica importante. O conjunto das três operações deflagradas nesta quinta-feira apura diferentes crimes e envolve diversos investigados, empresas e contratos.
Isso não significa que todos os crimes listados pelo Ministério Público tenham sido individualmente atribuídos a Romulo Faggion.
No trecho específico relacionado ao ex-vereador, a suspeita divulgada pelo MPPR é de que ele teria sido cooptado por empresas de pavimentação e atuado de forma velada para atrapalhar a instalação da usina municipal de asfalto.
A eventual participação de Faggion, o alcance de sua conduta e a existência ou não de vantagens recebidas ainda dependerão do avanço das investigações, da análise do material apreendido e das decisões que vierem a ser tomadas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.
| O que foi confirmado | Géri Dutra confirmou que Romulo Faggion é o ex-vereador afastado do cargo comissionado. |
| O que o MPPR investiga | Possível atuação velada para impedir ou dificultar a instalação de uma usina municipal de asfalto. |
| O que ainda não foi comprovado | A responsabilidade criminal definitiva de Faggion e os atos específicos que ele teria praticado. |
| Situação processual | O afastamento é cautelar e não representa condenação. |
| Prisão preventiva | O MPPR não informou que a prisão cumprida durante a operação tenha sido contra Faggion. |
Espaço permanece aberto para defesa e esclarecimentos
A íntegra da decisão judicial que determinou o afastamento não havia sido divulgada até a publicação desta matéria. Também não foram apresentados publicamente os nomes das empresas que teriam participado do possível conluio ou os elementos específicos que relacionariam cada investigado aos fatos.
O espaço do Portal Verdades permanece aberto para que Romulo Faggion, sua defesa e a Prefeitura de Pato Branco apresentem esclarecimentos, documentos ou manifestações sobre a investigação e sobre as circunstâncias do afastamento.
Até decisão definitiva, Faggion e os demais investigados devem ser considerados presumidamente inocentes, com direito à ampla defesa e ao contraditório. Ainda caberá ao Judiciário analisar as provas e definir eventuais responsabilidades.
Fonte das informações: Ministério Público do Paraná, entrevista do prefeito Géri Dutra, documentos públicos municipais e apuração do Portal Verdades.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Ministério Público do Paraná, Prefeitura de Pato Branco e apuração do Portal Verdades
