Um morador idoso da área rural de Pato Branco, que teria fraturado a perna há mais de cem dias e posteriormente enfrentado uma infecção, estaria sendo submetido a um deslocamento difícil e desgastante sempre que precisa realizar os curativos indicados durante o tratamento.
A situação foi relatada ao Portal Verdades por uma moradora da região, que acompanha a realidade da família e cobra uma avaliação da Secretaria Municipal de Saúde sobre a possibilidade de atendimento domiciliar. Segundo ela, o paciente mora em uma localidade distante, com estradas rurais prejudicadas pelas chuvas, e depende do irmão e de outros familiares para chegar até a unidade onde o procedimento é realizado.
O relato levanta questionamentos sobre a assistência oferecida a pacientes idosos, com mobilidade reduzida e que vivem em comunidades rurais afastadas. Mais do que a distância, a preocupação envolve as condições clínicas do paciente, a dificuldade para colocá-lo dentro de um veículo e a estrutura familiar limitada para realizar o transporte.
O caso relatado
Fratura teria ocorrido há mais de cem dias
De acordo com a denunciante, o idoso fraturou a perna há mais de cem dias e utiliza uma estrutura de fixação com parafusos. Durante o período de recuperação, ele teria desenvolvido uma infecção e precisou permanecer internado por aproximadamente dez dias na Policlínica.
Após a internação, o paciente teria passado a necessitar de curativos periódicos. Segundo a moradora, o procedimento é realizado e permanece por cerca de sete dias, quando então a família precisa organizar um novo deslocamento para que o curativo seja substituído.
O problema, conforme o relato, é que levar o idoso até a unidade de saúde exige colocá-lo em um veículo mesmo com a perna fraturada, além de percorrer estradas rurais que estariam bastante danificadas.
Dificuldade de deslocamento
Chuvas teriam agravado as condições das estradas
A moradora também afirma que as chuvas abriram valetas e pioraram as condições das estradas próximas à propriedade. Em razão disso, familiares estariam avaliando utilizar um trator para realizar reparos provisórios e garantir a passagem.
A precariedade do acesso se torna ainda mais preocupante quando envolve o transporte de uma pessoa idosa, com uma fratura grave e histórico recente de infecção. Dependendo da condição do paciente, movimentos bruscos, longos trajetos e a entrada ou saída de veículos podem aumentar o sofrimento e dificultar a continuidade adequada do tratamento.
O Portal Verdades não teve acesso a prontuários, exames, prescrições médicas ou relatórios hospitalares. As informações sobre a fratura, a infecção, a internação e a periodicidade dos curativos são apresentadas com base no relato recebido e ainda precisam ser confirmadas pela família e pelos órgãos de saúde responsáveis.
Família sobrecarregada
Um irmão cuida do outro e precisa conciliar trabalho
Além das dificuldades clínicas e de transporte, os áudios mostram uma família com poucas pessoas disponíveis para dividir os cuidados. Segundo a denunciante, os dois irmãos vivem praticamente sozinhos e um deles assumiu a responsabilidade de acompanhar o outro durante o tratamento.
Esse irmão, no entanto, também precisa trabalhar e cuidar de um filho com deficiência que frequenta a Apae. A família teria adquirido recentemente um veículo antigo para ajudar nos deslocamentos, mas ainda enfrenta dificuldades para transportar o idoso de maneira segura.
| Paciente | Idoso com a perna fraturada e mobilidade reduzida |
| Tempo desde a fratura | Mais de cem dias, segundo a denunciante |
| Complicação relatada | Infecção na perna e internação por aproximadamente dez dias |
| Tratamento atual | Curativos periódicos, com necessidade de novo deslocamento após cerca de sete dias |
| Principal dificuldade | Transporte do paciente por estradas rurais danificadas |
| Pedido da moradora | Avaliação para atendimento domiciliar por profissional de saúde |
Atendimento domiciliar
Moradora cobra visita de profissional de saúde
A principal cobrança apresentada nos áudios é para que o Município avalie a possibilidade de enviar um profissional até a residência. A moradora defende que um enfermeiro, técnico de enfermagem ou médico deveria analisar a condição do paciente e verificar se os curativos podem ser feitos em casa.
O relato não permite afirmar se a família apresentou formalmente um pedido de atendimento domiciliar, se houve avaliação da equipe da unidade de referência ou se o paciente atende aos critérios adotados pelo Município para esse tipo de assistência.
Ainda assim, diante da idade, da limitação de mobilidade, da distância e do histórico de infecção relatado, o caso exige ao menos uma avaliação individualizada. A inexistência de um atendimento domiciliar não deveria ser simplesmente presumida como falha antes da análise técnica, mas também não pode servir como justificativa para que uma família vulnerável fique sem orientação e apoio.
Agentes comunitários
Críticas também envolvem a comunicação com a unidade de saúde
A denunciante também demonstrou insatisfação com o acompanhamento realizado por agentes comunitários de saúde na região. Ela afirma que moradores enfrentam dificuldades para entrar em contato com os profissionais, solicitar orientações e encaminhar demandas à unidade.
É necessário diferenciar o acompanhamento comunitário da realização de procedimentos clínicos. A reclamação apresentada, entretanto, vai além da expectativa de que o agente realize o curativo: a moradora questiona se as necessidades das famílias estão sendo identificadas e devidamente encaminhadas à equipe médica e de enfermagem.
Em comunidades afastadas, o contato entre moradores, agentes e unidade de saúde pode ser decisivo para localizar pacientes vulneráveis, orientar familiares e evitar que casos clínicos se agravem por falta de acompanhamento ou dificuldade de transporte.
Cobrança ao Município
Caso precisa ser avaliado pela Secretaria de Saúde
A denúncia exige uma resposta objetiva da Secretaria Municipal de Saúde. É necessário esclarecer se a equipe responsável pela região tem conhecimento do caso, se o paciente já recebeu visita domiciliar, quais critérios são utilizados para oferecer esse atendimento e quais providências podem ser adotadas para evitar deslocamentos desnecessários.
Também é importante verificar se houve solicitação formal da família e, caso não tenha ocorrido, se a própria rede municipal pode realizar uma busca ativa diante da situação relatada. Quando o paciente é idoso, apresenta mobilidade reduzida e depende de terceiros para acessar o tratamento, esperar apenas que a família consiga vencer todos os obstáculos pode aprofundar uma situação de vulnerabilidade.
O caso também chama atenção para um problema mais amplo: moradores da área rural não enfrentam somente a distância até os serviços públicos. Eles convivem com estradas danificadas, transporte limitado e maior dificuldade para pedir ajuda, marcar atendimentos e manter tratamentos que exigem acompanhamento frequente.
O Portal Verdades solicita que o Município avalie o caso com urgência, preserve a identidade do paciente e informe quais serviços podem ser disponibilizados à família. O espaço permanece aberto para a manifestação da Secretaria Municipal de Saúde e para os esclarecimentos dos profissionais responsáveis pelo atendimento da região.
Outras críticas e acusações pessoais presentes nos áudios não foram reproduzidas como fatos nesta matéria, pois dependem de documentação, análise individual e garantia de contraditório às pessoas mencionadas.
Fonte: relatos encaminhados por moradora da área rural ao Portal Verdades.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: relatos enviados ao Portal Verdades
