Durante quatro anos como vereador de Pato Branco, Rômulo Faggion construiu uma atuação marcada por cobranças constantes ao poder público na área do trânsito. Levantamento realizado pelo Portal Verdades identificou cerca de 76 requerimentos e indicações relacionados especificamente à instalação de lombadas, redutores de velocidade e faixas elevadas, além de aproximadamente 150 matérias legislativas envolvendo trânsito, sinalização e segurança viária. Hoje, no comando do DEPATRAN, a posição se inverteu: quem antes cobrava providências passou a ocupar justamente o órgão responsável por analisar e encaminhar demandas semelhantes.
O levantamento ganha ainda mais relevância após os debates ocorridos nesta semana envolvendo pedidos antigos por redutores de velocidade e a atuação do Departamento de Trânsito. Mais do que números, os documentos revelam um histórico de defesa dessas intervenções por parte do atual chefe do DEPATRAN.
Quando vereador, Faggion defendia intervenções no trânsito em diversos bairros e comunidades
A análise das matérias legislativas mostra que os pedidos apresentados por Faggion não ficaram concentrados em uma única região da cidade. Ao longo do mandato, o então vereador solicitou instalação de lombadas, redutores de velocidade, faixas elevadas, reforço da sinalização horizontal e vertical, melhorias em cruzamentos, proteção para escolas, bairros residenciais e estradas rurais utilizadas por produtores e transporte escolar.
Entre os registros identificados estão solicitações para bairros como Fraron, Bonato, Planalto, Cristo Rei e diversas comunidades do interior do município, além de pedidos envolvendo ruas com intenso fluxo de veículos e locais apontados por moradores como áreas de risco.
Em alguns casos, os requerimentos apontavam ausência de redutores em vias recentemente asfaltadas. Em outros, cobravam a implantação de faixas elevadas próximas a escolas, unidades de saúde e áreas de grande circulação de pedestres.
A cobrança ao Executivo também fazia parte da atuação política
Os requerimentos eram acompanhados por discursos firmes durante as sessões da Câmara Municipal. Em diversas oportunidades, Faggion criticou o que considerava demora do Executivo em responder às demandas da população, principalmente quando envolviam infraestrutura e segurança.
"Não é o conto de fadas que a gente vê por aí no marketing."
Na mesma linha, o então vereador afirmava que executar obras públicas não deveria ser tratado como favor administrativo, mas como obrigação da gestão.
"Fez? Não fez nada além da obrigação."
Outro ponto recorrente era a defesa da fiscalização exercida pelos vereadores, sustentando que cabia ao Legislativo cobrar respostas do Executivo diante das reclamações da população.
"A população nos cobra e nós temos o dever de cobrar o município."
Hoje, quem cobrava passou a ser cobrado
A principal diferença entre o período em que Faggion atuava como vereador e o momento atual não está nas demandas, mas na responsabilidade institucional. Como parlamentar, seu papel era fiscalizar, protocolar requerimentos e cobrar providências do Executivo. Atualmente, como chefe do DEPATRAN, integra justamente a estrutura administrativa responsável por avaliar critérios técnicos, prioridades e execução das políticas públicas relacionadas ao trânsito.
Essa mudança de posição ficou evidente após a repercussão do acidente fatal registrado nesta semana, quando voltaram ao debate pedidos antigos por redutores de velocidade e a atuação do órgão municipal de trânsito.
Os documentos analisados pelo Portal Verdades demonstram que Rômulo Faggion sempre defendeu a instalação de redutores e outras medidas de segurança viária quando ocupava uma cadeira no Legislativo. Agora, à frente do DEPATRAN, a expectativa da população é que essas mesmas demandas recebam respostas técnicas, transparentes e compatíveis com o rigor que ele próprio defendia enquanto exercia a função fiscalizadora.
A responsabilidade muda quando muda o cargo
A reportagem não busca questionar o direito de um vereador apresentar requerimentos ou fiscalizar a administração pública. Essa é justamente uma das principais atribuições do Poder Legislativo.
O ponto central do levantamento é outro: a mudança de posição institucional. Durante quatro anos, Faggion utilizou requerimentos, indicações e discursos para cobrar respostas do Executivo sobre segurança viária. Hoje, ocupando uma função administrativa diretamente ligada ao trânsito municipal, essas mesmas cobranças retornam ao próprio gestor.
Isso não representa contradição da população ou da imprensa. Pelo contrário. Representa exatamente a lógica defendida pelo próprio Rômulo Faggion enquanto vereador: quem ocupa um cargo público deve prestar contas de suas decisões, explicar critérios técnicos e responder às demandas apresentadas pela sociedade.
Os aproximadamente 76 pedidos por redutores de velocidade não são apenas um número. Eles representam um histórico de atuação que hoje serve como parâmetro para medir a expectativa da população em relação ao trabalho desenvolvido pelo atual chefe do DEPATRAN.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Levantamento Portal Verdades com base em matérias legislativas do SAPL da Câmara Municipal de Pato Branco.
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