A repercussão do acidente fatal registrado nesta quarta-feira em Pato Branco ultrapassou o debate sobre segurança viária e resultou em um embate público entre o radialista Carrapicho e o chefe do DEPATRAN, Rômulo Faggion. Durante programa na Rádio Itapuã, o comunicador cobrou providências para pontos considerados perigosos da cidade e reagiu a uma manifestação atribuída ao responsável pelo órgão de trânsito.
O episódio ocorreu após a morte de um motociclista em um cruzamento que, conforme já divulgado pelo Portal Verdades, havia sido alvo de uma indicação formal apresentada na Câmara Municipal pedindo a instalação de redutores de velocidade. A discussão, que deveria girar em torno de prevenção, critérios técnicos e resposta administrativa, acabou ganhando contornos de confronto pessoal.
“Agora tem a caneta, use em favor do povo”
Carrapicho
Durante o programa desta quarta-feira, o radialista fez cobranças públicas ao DEPATRAN após o acidente fatal e defendeu a instalação de redutores de velocidade em locais apontados como perigosos.
Ao comentar a tragédia, Carrapicho afirmou que, havendo pedidos antigos, reclamações da população e registros formalizados, o poder público precisa agir antes que novos acidentes aconteçam.
“Como você, com certeza, fez muitos pedidos de quebra-mola e lutou pelo povo quando vereador. Agora tem a caneta, use em favor do povo.”
Em outro momento, o radialista elevou o tom da cobrança e direcionou a fala ao DEPATRAN e à Prefeitura.
“Alô, DEPATRAN! Alô, Prefeitura! Se tem pedido de há tempo, oficializado, documentado, e não foi feito e teve morte, o couro vai comer para o lado de vocês.”
Apesar da cobrança dura, o comunicador fez uma ressalva importante: não afirmou que a ausência de lombada ou redutor tenha sido a causa direta do acidente fatal. O ponto defendido por ele foi a necessidade de prevenção e de resposta aos pedidos da comunidade.
“Repito: ninguém aqui está dizendo que se tivesse a lombada poderia ocorrer a morte também.”
“Pode pôr nas minhas costas”
O momento mais forte ocorreu quando Carrapicho passou a comentar uma manifestação atribuída a Rômulo Faggion. Segundo o radialista, o chefe do DEPATRAN teria indicado que, caso fossem feitas lombadas após as cobranças do programa, elas poderiam ser colocadas na conta do comunicador, como se fossem as “lombadas do Carrapicho”.
Carrapicho respondeu ao vivo que aceitava carregar esse peso, desde que a medida fosse adotada para preservar vidas.
“Pode pôr lá: Lombada do Carrapicho. Sem problema nenhum.”
“Pode pôr nas minhas costas. Eu aguento. Sem problema nenhum. Para salvar vidas.”
O radialista também afirmou que não tinha problema em enfrentar críticas caso a cobrança resultasse na instalação de redutores.
“Eu aguento o repuxo. Pode colocar. Sem problema nenhum.”
Ouça o trecho do programa da Rádio Itapuã em que o radialista Carrapicho faz as cobranças ao DEPATRAN após o acidente fatal registrado em Pato Branco.
Episódio reacende debate sobre a relação de Faggion com críticas públicas
Rômulo Faggion
Ex-vereador e atual chefe do DEPATRAN de Pato Branco, Faggion foi citado durante o programa em razão das cobranças relacionadas à instalação de redutores de velocidade e à condução das políticas de trânsito do município.
O embate com Carrapicho não aparece isolado no cenário político e administrativo de Pato Branco. Rômulo Faggion, hoje à frente do DEPATRAN, já foi alvo de críticas públicas em outras ocasiões e também já recorreu ao Judiciário contra pessoas que o criticaram, incluindo agentes políticos.
Entre os casos que ganharam repercussão está a ação movida por Faggion contra o vereador Rafael Foss, em contexto de críticas e cobranças relacionadas à atuação pública. O episódio reforça uma percepção que volta ao debate agora: a dificuldade de parte de agentes públicos em lidar com questionamentos feitos pela imprensa, por vereadores ou pela população.
No caso desta quarta-feira, segundo Carrapicho, a manifestação atribuída ao chefe do DEPATRAN teria sido enviada e apagada posteriormente ou em formato de visualização única, recurso que impede a permanência da mensagem acessível ao destinatário após aberta. O detalhe, se confirmado, aumenta ainda mais o questionamento sobre a postura adotada diante de uma cobrança pública relacionada à segurança no trânsito.
A crítica feita no rádio não tratava de interesse pessoal do comunicador. Era uma cobrança sobre redutores de velocidade, pedidos de moradores, indicações legislativas e prevenção de acidentes. Ao transformar essa cobrança em provocação pessoal, o episódio desloca o foco daquilo que realmente importa: quais medidas o DEPATRAN adotou, quais deixou de adotar e quais pretende implementar para proteger vidas.
Quem ocupa cargo público precisa compreender que crítica, cobrança e fiscalização fazem parte da função. Quando a resposta a uma cobrança legítima vira embate, ameaça de desgaste ou tentativa de personalizar a discussão, a população perde a oportunidade de receber aquilo que realmente deveria ser entregue: explicações, dados, critérios técnicos e providências concretas.
A cobrança era sobre segurança, não sobre protagonismo
O aspecto central do episódio é que Carrapicho não reivindicou benefício próprio, cargo, favor político ou vantagem particular. A cobrança estava relacionada à instalação de redutores de velocidade e à análise de pedidos que, segundo ele, já existiriam há bastante tempo.
Em uma situação envolvendo morte no trânsito, a resposta esperada de um órgão público é técnica, transparente e objetiva. A população quer saber se havia pedido, se houve análise, qual foi o parecer, por que a medida não foi implantada e quais providências serão tomadas daqui para frente.
Quando a discussão sai desse campo e passa a girar em torno de quem fez a cobrança, o debate público perde qualidade. O foco deixa de ser a segurança das pessoas e passa a ser a sensibilidade de quem ocupa cargo público diante de críticas.
Cargo público exige resposta pública
O caso desta quarta-feira evidencia um problema maior: Pato Branco precisa discutir segurança viária com seriedade, sem transformar cobranças legítimas em disputas pessoais. Redutores de velocidade, sinalização, pintura, fiscalização e educação no trânsito devem ser tratados com planejamento, mas também com sensibilidade diante dos alertas feitos por moradores.
A morte registrada nesta manhã ainda depende de apuração quanto às causas e responsabilidades. Mas o embate que veio depois dela já revela algo claro: a cidade não precisa de autoridades incomodadas com críticas. Precisa de autoridades dispostas a ouvir, explicar e agir.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Programa Carrapicho, Rádio Itapuã FM
