Um novo bate-boca entre os deputados estaduais Renato Freitas (PT) e Ricardo Arruda (PL) levou a Assembleia Legislativa do Paraná a discutir mudanças no próprio funcionamento do plenário. A sessão de segunda-feira (22) foi marcada por acusações, ataques pessoais, intervenção de parlamentares e pela possibilidade de redução ou até extinção das chamadas explicações pessoais.
Segundo a Gazeta do Paraná, o confronto ocorreu em meio às recentes denúncias envolvendo Ricardo Arruda e transformou um espaço regimental de manifestação dos deputados em mais um capítulo da crise política interna da Alep. O episódio também reacendeu o debate sobre os limites entre crítica política, defesa pessoal e quebra de decoro no plenário.
Renato cita denúncias e cobra coerência de discurso
O embate começou quando Renato Freitas ocupou a tribuna e usou o lema “Deus, pátria e família” para criticar políticos que, segundo ele, se apresentam publicamente como defensores da moralidade, mas passam a enfrentar investigações e denúncias por supostos crimes contra a administração pública.
Sem citar inicialmente Ricardo Arruda, Renato afirmou que há parlamentares que se colocam como “bastiões da moral”, mas que estariam em silêncio diante de acusações graves. Na sequência, passou a mencionar diretamente o deputado do PL, citando a operação realizada no gabinete de Arruda e denúncias apresentadas pelo Ministério Público.
Durante o discurso, Renato também questionou a origem do patrimônio do parlamentar e citou viagens internacionais que, segundo as investigações mencionadas na sessão, teriam sido custeadas com recursos ligados ao suposto esquema. As declarações elevaram a temperatura política dentro do plenário.
Arruda nega irregularidades e diz ser alvo de perseguição
Ao usar o espaço das explicações pessoais, Ricardo Arruda afirmou que construiu seu patrimônio antes de entrar na política. O deputado disse ter atuado no sistema financeiro, declarou que possui origem lícita para seus bens e sustentou que seus contratos foram documentados e declarados.
Arruda também classificou as investigações como uma “perseguição leviana” e afirmou que a denúncia apresentada contra ele cairia por terra. Até decisão definitiva, o parlamentar e demais citados devem ser considerados presumidamente inocentes, com direito à ampla defesa e ao contraditório.
A fala, porém, deixou o campo da defesa e passou a atingir Renato Freitas de forma pessoal. De acordo com a matéria da Gazeta do Paraná, Arruda mencionou o passado criminal do pai de Renato, chamou o petista de “filho de um ex-presidiário” e insinuou uso de drogas pelo colega de plenário.
Ana Júlia protesta contra ataques pessoais
As declarações provocaram reação imediata da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT), que interrompeu a fala de Arruda em diferentes momentos. A parlamentar argumentou que o espaço de explicações pessoais não deveria ser usado para atacar outro deputado.
A intervenção levou o presidente da Alep, Alexandre Curi, a tentar restabelecer a ordem. Segundo a publicação, Curi afirmou que Arruda estava exercendo sua autodefesa, mas advertiu que a palavra poderia ser cassada caso a manifestação se transformasse em ataque direto a Renato Freitas.
As explicações pessoais são um espaço usado por deputados para tratar de fatos relacionados ao mandato. Após o tumulto, a presidência da Alep indicou que líderes partidários devem discutir mudanças no regimento, incluindo redução do tempo ou até o fim desse instrumento.
Deputado diz não se envergonhar das próprias origens
Depois dos ataques, Renato Freitas retomou a palavra e respondeu com um discurso sobre sua trajetória pessoal. O deputado afirmou que não se envergonha de suas origens e relatou ter sido criado pela mãe, em uma ocupação em Piraquara, começando a trabalhar ainda adolescente.
Renato disse que seu histórico familiar não poderia ser usado para desqualificá-lo politicamente. Em uma das falas mais fortes da sessão, afirmou que poderiam atacá-lo por sua origem social, mas não poderiam acusá-lo de roubar dinheiro público.
Na sequência, voltou a citar as denúncias atribuídas ao Ministério Público contra Ricardo Arruda. Como se trata de acusações ainda submetidas ao devido processo legal, cabe ao Judiciário analisar os fatos, provas e responsabilidades individuais.
Alep pode reduzir ou acabar com explicações pessoais
O presidente Alexandre Curi afirmou que vai reunir líderes partidários para discutir o futuro das explicações pessoais. Entre as possibilidades mencionadas estão a redução do tempo destinado aos deputados ou até a extinção do espaço no plenário.
O deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) também defendeu mudanças, avaliando que o instrumento teria se transformado em um “horário de ataques pessoais”. A crítica reforça a percepção de que a sessão de segunda-feira extrapolou o debate político e colocou a própria rotina legislativa sob pressão.
Na prática, a crise expõe uma Assembleia tensionada por disputas políticas, processos disciplinares, denúncias e confrontos públicos. O episódio entre Renato Freitas e Ricardo Arruda pode acabar produzindo uma consequência maior do que o próprio bate-boca: uma alteração nas regras de funcionamento do plenário da Alep.
Fonte consultada: Gazeta do Paraná, com informações da sessão da Assembleia Legislativa do Paraná.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Gazeta do Paraná
