Câmara define os 5 vereadores da CEI do “Fura-Fila” e comissão terá 90 dias para apurar supostas irregularidades

A Câmara Municipal de Pato Branco definiu, durante a sessão ordinária desta quarta-feira (10), a composição da Comissão Especial de Inquérito que vai apurar questionamentos envolvendo a Secretaria Municipal de Planejamento, pasta comandada pelo secretário Emerson Michelin. O caso ficou conhecido politicamente como a CEI do “Fura-Fila”.

Secretário municipal de Planejamento, Emerson Michelin
Emerson Michelin, secretário municipal de Planejamento de Pato Branco.

A comissão será formada pelos vereadores Fabrício Preis de Mello (PL), Rodrigo José Correia (União Brasil), Anne Cristine Gomes da Silva Cavali (PSD), Lindomar Rodrigo Brandão (PP) e Alexandre Zocche (PRD). O grupo terá a missão de analisar documentos, ouvir envolvidos e verificar se houve irregularidades em procedimentos relacionados ao Planejamento Urbano, especialmente na tramitação e liberação de alvarás.

COMPOSIÇÃO DEFINIDA

Seis indicações, mas apenas cinco vagas

De acordo com o presidente da Câmara, Joecir Bernardi, os líderes partidários tinham prazo para indicar os nomes que poderiam compor a comissão. Como houve seis indicações para apenas cinco vagas, a definição ocorreu por critério de proporcionalidade partidária.

Segundo Joecir, a decisão foi tomada com base em orientação técnica da Câmara e após análise da Procuradoria Jurídica. O presidente explicou que, no cálculo aplicado, as bancadas com dois vereadores tiveram prioridade sobre os partidos com apenas um representante.

Com isso, o vereador Eduardo Dalla Costa, apesar de também ter sido indicado para integrar a CEI, acabou ficando fora da composição final. A exclusão não ocorreu por sorteio, mas pela aplicação do cálculo de proporcionalidade partidária informado pela presidência da Câmara.

“Como temos seis partidos e só cinco membros da CEI, por um critério de proporcionalidade partidária, um cálculo matemático, acabou que os partidos maiores vão integrar a CEI.”
Joecir Bernardi, presidente da Câmara

Ainda conforme o presidente, o critério utilizado buscou garantir uma decisão impessoal. Ele afirmou que, se fosse possível incluir os seis indicados, todos participariam, mas o número de vagas da comissão não permite essa ampliação.

PRÓXIMOS PASSOS

Comissão terá que escolher presidente e relator

Com os nomes definidos, a CEI deverá se reunir para escolher quem será o presidente e quem será o relator dos trabalhos. Após essa definição, a presidência da Câmara deve emitir uma portaria formalizando o início da comissão.

É a partir da publicação dessa portaria que começa a contar o prazo previsto no requerimento original: 90 dias para que a comissão desenvolva os trabalhos, solicite documentos, realize oitivas e apresente suas conclusões.

Como fica a CEI
Fabrício Preis de Mello PL
Rodrigo José Correia União Brasil
Anne Cristine Gomes da Silva Cavali PSD
Lindomar Rodrigo Brandão PP
Alexandre Zocche PRD
OBJETO DA INVESTIGAÇÃO

Foco será o Planejamento Urbano e a liberação de alvarás

Segundo Joecir Bernardi, a CEI não tem como objetivo fazer juízo antecipado sobre culpa ou irregularidade, mas dar transparência aos atos questionados. O presidente afirmou que o foco da investigação deve permanecer dentro do objeto apresentado no requerimento.

A comissão foi proposta pelo vereador Lindomar Rodrigo Brandão após questionamentos recebidos da comunidade e levantamento de documentos públicos relacionados a procedimentos da Secretaria Municipal de Planejamento. Entre os pontos mencionados estão dúvidas sobre a tramitação de processos e a liberação de alvarás pelo Poder Executivo.

“Não é para fazer juízo de valor se está certo ou se está errado, apenas para dar mais transparência nesses atos.”
Joecir Bernardi, presidente da Câmara

O presidente também destacou que a CEI deverá se manter dentro do foco definido no requerimento. Ou seja, os trabalhos devem se concentrar na área de Planejamento Urbano e na análise dos atos administrativos ligados à liberação de alvarás e procedimentos correlatos.

AMBIENTE POLÍTICO

Mais cobrança, mais pressão e mais investigações

Ao comentar o cenário político de Pato Branco, Joecir avaliou que a cidade vive uma mudança de comportamento após a pandemia, com maior acesso da população à informação e aumento da pressão sobre o Legislativo.

Para o presidente, as redes sociais ampliaram a fiscalização popular e fizeram com que eventuais questionamentos sobre atos públicos chegassem mais rapidamente aos cidadãos. Com isso, vereadores passaram a ser mais cobrados a agir, seja por meio de requerimentos, denúncias, comissões ou outras ferramentas institucionais.

A CEI do “Fura-Fila” surge justamente nesse contexto: uma Câmara pressionada por respostas, uma população mais atenta aos bastidores da administração pública e uma Secretaria de Planejamento que agora terá seus procedimentos analisados por uma comissão formal de investigação.


Até a conclusão dos trabalhos, os fatos seguem em apuração. A comissão deverá reunir informações, analisar documentos e, ao final, apresentar um relatório. Caso sejam identificadas irregularidades, caberá aos órgãos competentes avaliar as medidas administrativas, políticas ou jurídicas cabíveis.

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