A disputa pelo protagonismo da direita paranaense para as eleições de 2026 começou a subir de tom. Em declarações repercutidas pelo Plural, o deputado federal Filipe Barros (PL) associou o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), ao escândalo dos chamados “Diários Secretos”, um dos episódios mais marcantes da história política recente do estado.
A fala ocorre em um momento em que lideranças do campo conservador começam a se posicionar para a sucessão estadual e para a composição das principais chapas eleitorais. Embora a campanha ainda esteja distante, os movimentos de bastidor indicam que a disputa interna na direita já começou.
Filipe Barros resgata episódio que marcou a Assembleia Legislativa
Segundo a reportagem, Filipe Barros afirmou que sua trajetória pública seria um “livro aberto”, enquanto Alexandre Curi estaria ligado a um “diário secreto”, em referência direta ao escândalo revelado em 2010 por veículos de imprensa paranaenses.
A declaração não foi feita por acaso. Curi é atualmente uma das principais lideranças políticas do Paraná, ocupa a presidência da Assembleia Legislativa e é considerado um dos nomes mais influentes do grupo político que gravita em torno do governador Ratinho Junior.
Ao trazer novamente o tema para o debate público, Filipe Barros busca associar o adversário a um episódio que deixou marcas profundas na imagem do Legislativo estadual e que ainda é lembrado por parte do eleitorado.
O que foram os Diários Secretos
O escândalo dos Diários Secretos veio à tona em 2010 e revelou a existência de atos administrativos que não eram amplamente divulgados, além de suspeitas envolvendo nomeações, contratações e movimentações de servidores dentro da Assembleia Legislativa do Paraná.
As revelações deram origem a investigações do Ministério Público, ações judiciais e diversos processos relacionados à gestão da Assembleia naquele período. O caso é considerado um dos maiores escândalos políticos da história recente do Paraná.
Conforme registros públicos da época, Alexandre Curi chegou a ser citado em procedimentos decorrentes das investigações. Em diferentes momentos, o parlamentar negou irregularidades e sustentou sua inocência. Também houve discussões judiciais envolvendo competência, foro e validade de procedimentos investigatórios. Até hoje, parte dos processos relacionados ao caso permanece cercada de debates jurídicos.
Movimento acontece em meio às articulações para 2026
A retomada do tema ocorre justamente quando a sucessão estadual começa a ganhar forma nos bastidores. Ratinho Junior caminha para o fim de seu segundo mandato e diferentes grupos disputam espaço para ocupar o vácuo de liderança que surgirá na política estadual.
Nesse cenário, Filipe Barros representa uma ala mais identificada com o bolsonarismo e busca ampliar sua influência dentro da direita. Já Alexandre Curi atua como uma liderança institucional consolidada, com forte presença na Assembleia e capilaridade política em diversas regiões do estado.
Ao trazer novamente os Diários Secretos para o debate, Filipe tenta enfraquecer um potencial adversário antes mesmo do início oficial da corrida eleitoral.
A guerra na direita paranaense já começou
A principal mensagem por trás do episódio talvez não esteja na acusação em si, mas no momento em que ela é feita.
Quando um parlamentar resgata um caso ocorrido há mais de uma década para atacar uma liderança que ocupa posição estratégica no estado, o objetivo dificilmente é apenas revisitar a história. Trata-se de uma disputa por narrativa, espaço político e influência eleitoral.
O movimento também revela que a disputa de 2026 não será travada apenas entre campos ideológicos opostos. Antes disso, haverá uma intensa batalha dentro da própria direita, envolvendo grupos ligados ao bolsonarismo, lideranças regionais, setores governistas e atores que disputam a herança política do atual governo estadual.
Se o episódio marca apenas uma troca de críticas ou o início de um confronto mais amplo entre dois projetos políticos, os próximos meses dirão. O que já é possível afirmar é que o debate eleitoral começou muito antes do calendário oficial.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Plural
