Em meio ao início da corrida eleitoral de 2026, um levantamento nacional voltou a chamar atenção para uma das práticas mais antigas e combatidas pela Justiça Eleitoral brasileira: a compra de votos. A pesquisa indica que milhões de brasileiros já tiveram contato direto ou indireto com tentativas de corrupção eleitoral, revelando que o problema continua presente mesmo após décadas de fiscalização e endurecimento das punições.
Os dados foram divulgados em reportagem do G1 com base em estudo do Instituto Não Aceito Corrupção (INAC), que buscou medir a percepção dos eleitores sobre a compra de votos no país. O levantamento mostra que mais da metade dos entrevistados afirma já ter presenciado ou sofrido algum tipo de tentativa de corrupção eleitoral ao longo da última década.
Quanto custa um voto, segundo a pesquisa?
O levantamento procurou estimar o valor médio que costuma ser oferecido em situações de compra de votos. Embora os números representem uma percepção dos entrevistados e não necessariamente casos comprovados, os dados revelam uma proximidade surpreendente entre as diferentes regiões do país.
| Região Sul | R$ 142,88 |
| Centro-Oeste | R$ 140,54 |
| Sudeste | R$ 139,58 |
| Norte | R$ 138,83 |
| Nordeste | R$ 124,62 |
Além do pagamento em dinheiro, a legislação eleitoral também considera corrupção eleitoral a oferta de bens, combustível, materiais de construção, empregos, consultas médicas, favores pessoais ou qualquer outra vantagem entregue em troca do voto ou do apoio político de um eleitor.
O que diz a legislação brasileira?
A compra de votos é considerada crime eleitoral e pode resultar em multa, cassação de registro de candidatura, cassação de diploma, perda de mandato e até responsabilização criminal dos envolvidos. A legislação prevê punições tanto para quem oferece quanto para quem aceita vantagens em troca do voto.
“O voto não tem preço. Ele determina quem administrará recursos públicos, tomará decisões sobre saúde, educação, segurança e infraestrutura durante os próximos anos.”
Especialistas em direito eleitoral costumam alertar que a compra de votos gera um efeito que vai muito além do período de campanha. A prática compromete a igualdade da disputa, enfraquece a representatividade democrática e pode incentivar esquemas de corrupção durante o exercício do mandato, uma vez que o agente político eleito passa a buscar formas de recuperar os recursos investidos ilegalmente na campanha.
Tema volta ao debate nacional
O assunto ganhou destaque novamente em meio às discussões sobre as eleições de 2026, período em que o país escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. A expectativa é de que a fiscalização da Justiça Eleitoral seja intensificada durante todo o processo eleitoral.
Paralelamente, também cresce o debate sobre o financiamento das campanhas, especialmente após a aprovação de bilhões de reais para o Fundo Eleitoral. Enquanto o financiamento público ocorre dentro das regras previstas pela legislação, a compra de votos permanece como uma das principais preocupações dos órgãos de controle e fiscalização.
A compra de votos não se limita à entrega de dinheiro. A legislação também considera ilícita a promessa ou oferta de qualquer benefício pessoal em troca de apoio político ou compromisso de voto.
Fonte: G1, Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: G1, INAC e TSE
