Brandão sobe o tom, desmonta narrativa de Géri e diz que gestão “quase acabou com o esporte” em Pato Branco

O vereador Lindomar Brandão fez uma das falas mais duras da sessão desta segunda-feira e mirou diretamente no que classificou como uma sequência de “narrativas” da atual gestão de Pato Branco. Da Arena Cláudio Petrycoski ao SAMU, passando pelo atraso de repasses ao esporte e pela ausência de câmeras em estruturas instaladas próximas a escolas, o parlamentar afirmou que o município precisa parar de transformar eventos públicos em palanque e começar a responder aos problemas concretos da cidade.

A manifestação ocorreu após outros vereadores tratarem de temas ligados ao monitoramento, à segurança pública, à Arena e ao esporte municipal. Brandão afirmou que a situação das câmeras pode explicar postes instalados em frente a escolas que, segundo ele, seguem sem os equipamentos. O vereador também criticou o uso de eventos oficiais para discursos políticos e disse que a população presente nesses encontros quer ouvir sobre o tema do evento, e não sobre ataques, divisões ou justificativas da administração.

COBRANÇA EM PLENÁRIO

“Quando vai em evento esportivo, fala de esporte”, diz vereador

Brandão afirmou que evita participar de eventos da Prefeitura justamente por discordar do tom adotado em algumas falas públicas da gestão. Segundo ele, em eventos esportivos, educacionais ou institucionais, o foco deveria ser o assunto principal da agenda, e não discursos com ataques indiretos, comparações políticas ou tentativas de dividir pessoas entre “do bem” e “do mal”.

Na avaliação do vereador, esse tipo de postura desgasta o ambiente político e desvia a atenção dos problemas reais. Ele disse que esperava um comportamento diferente da atual gestão e criticou o que chamou de “lapsos” em discursos públicos.

“Se você vai num evento esportivo, você fala de esporte. Se você vai num evento relacionado à educação, você fala de educação. Quem está lá não quer saber de asfalto. Quem está lá não quer saber de pessoas venenosas.”
Vereador Lindomar Brandão, em fala na Câmara
ARENA CLÁUDIO PETRYCOSKI

Brandão contesta versão de que Arena estava em situação precária

Um dos pontos mais fortes da fala foi a crítica à narrativa de que a Arena Cláudio Petrycoski teria sido herdada em situação precária. Brandão classificou essa versão como uma “mentira” e afirmou que, conforme buscou em seu celular, em 13 de dezembro havia sete itens pendentes relacionados ao Corpo de Bombeiros.

Segundo o vereador, com exceção de um item, os demais seriam ajustes simples, inclusive de natureza documental. Ele também mencionou que a obra estaria, conforme prestação de contas a ser levantada, em torno de 98% concluída na troca de gestão. A fala reforça uma cobrança já feita por outros vereadores: se os problemas eram pontuais, por que a entrega demorou cerca de sete meses?

Brandão ainda relatou ter participado de uma reunião com representantes do Pato Futsal, que, segundo ele, estavam preocupados com a possibilidade de não conseguir manter o time em funcionamento caso a Arena não fosse utilizada. Para o vereador, a demora não teria justificativa se houvesse vontade política para resolver os pontos pendentes.

“Se quisesse, entregava rápido, mas não quis. Só para dizer que o outro entregou inacabado.”
Vereador Lindomar Brandão, sobre a Arena
SAÚDE E SAMU

Vereador também questiona fala de que estaria tudo pago com o consórcio

Outro ponto levantado por Brandão foi a situação dos pagamentos relacionados ao SAMU. O vereador afirmou ter ouvido que, na saúde, estaria “tudo certo” e que os compromissos com o consórcio estariam pagos. No entanto, segundo ele, em visita feita há cerca de dez dias à sede do SAMU, Pato Branco estaria devendo quatro ou cinco parcelas.

A fala aumenta a pressão sobre a atual gestão, especialmente porque o tema envolve serviço essencial e transparência na execução orçamentária. Caso os valores tenham sido pagos posteriormente, cabe à Prefeitura demonstrar isso de forma clara, objetiva e documental. Caso contrário, a divergência entre o discurso público e os dados financeiros precisa ser explicada à população.

PONTO CENTRAL

Se a Prefeitura afirma que os pagamentos estão regularizados, deve apresentar as comprovações. Se o Portal da Transparência ou as informações prestadas aos vereadores indicam o contrário, o problema passa a ser também de transparência pública.

ESPORTE MUNICIPAL

“Não acabou com o esporte, mas chegou bem perto”, afirma Brandão

Na parte mais incisiva da fala, Brandão rebateu declarações atribuídas ao prefeito sobre não ter acabado com o esporte em Pato Branco. O vereador disse que, de fato, a gestão não acabou com o esporte, mas chegou “bem perto”.

Segundo Brandão, o Pato Futsal teria chegado a uma situação limite, com risco de interrupção das atividades. O parlamentar também relatou que outras entidades esportivas só não pararam porque dirigentes tiveram que se desdobrar, fazer rifas, buscar empréstimos e administrar atrasos nos repasses para manter competições e atividades em funcionamento.

“Não acabou com o esporte, verdade, mas chegou bem perto. E se continuar desse jeito vai conseguir até o final do mandato, infelizmente.”
Vereador Lindomar Brandão

O vereador ainda afirmou que algumas modalidades que trazem medalhas nacionais para Pato Branco recebem valores anuais baixos, citando repasses de R$ 15 mil a R$ 20 mil por ano. Na avaliação dele, a distribuição dos recursos precisa ser repensada, principalmente quando entidades que representam o município em competições relevantes enfrentam dificuldades para manter suas atividades.

SEGURANÇA NAS ESCOLAS

Postes sem câmeras também entraram na cobrança

Brandão também relacionou a discussão sobre monitoramento à instalação de postes próximos a escolas. Segundo o vereador, primeiro os buracos teriam ficado abertos por 15 a 20 dias, depois os postes foram instalados, mas as câmeras ainda não apareceram.

A crítica atinge uma área sensível: segurança em espaços escolares. Se os equipamentos foram anunciados ou fazem parte de algum processo de monitoramento, a Prefeitura precisa esclarecer em que etapa está a instalação, qual empresa é responsável, qual o prazo de conclusão e por que os equipamentos ainda não estão funcionando.

NARRATIVA X GESTÃO

A cobrança que fica: menos discurso e mais execução

A fala de Brandão expôs um desgaste crescente dentro da Câmara: vereadores afirmam tentar colaborar, mas cobram que a Prefeitura também faça sua parte. O parlamentar disse que não se trata de ficar em “briga” ou “picuinha”, mas de enfrentar os problemas de forma objetiva.

O recado político foi direto. Para Brandão, a atual gestão tem insistido em narrativas para justificar atrasos, problemas herdados ou dificuldades administrativas, enquanto áreas como esporte, saúde, segurança e infraestrutura continuam exigindo respostas práticas.

Até que a Prefeitura apresente documentos, cronogramas, pagamentos e explicações detalhadas sobre cada ponto levantado, a cobrança feita em plenário permanece como uma pergunta pública: Pato Branco está sendo administrada com prioridade nos problemas reais ou com discursos para justificar o que ainda não foi entregue?

Fonte: transcrição da fala do vereador Lindomar Brandão na sessão da Câmara Municipal de Pato Branco.

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