Ao anunciar que deixará a Câmara dos Deputados para assumir a Secretaria de Estado das Cidades (Secid) do Paraná, Fernando Giacobo encerrou, de forma abrupta, 24 anos consecutivos como parlamentar federal. A decisão, apresentada publicamente como um “desafio” aceito a pedido do governador Carlos Massa Ratinho Junior, tem, nos bastidores, uma explicação mais prosaica: as pesquisas mostram que Giacobo não teria votos suficientes para se reeleger.
Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-06254/2026 e realizado entre 1º e 4 de março com 1.500 eleitores em 55 municípios, pintou um quadro desolador para o parlamentar de Pato Branco. No cenário estimulado para o governo do estado, Giacobo aparecia com apenas 4,5% das intenções de voto — um número irrisório para alguém que se apresenta como uma das maiores lideranças políticas do Paraná. Na disputa pela Câmara, o cenário não seria mais animador: concorrer numa chapa do PSD já dominada por Sandro Alex e outros nomes de maior expressão reduziria suas chances a praticamente zero.
O próprio PL, partido que Giacobo presidiu por mais de uma década no Paraná, chegou a testar seu nome em pesquisas para o governo do estado. Nos bastidores, um documento interno da cúpula bolsonarista teria anotado ao lado do nome do parlamentar a frase “não pode ser candidato (Valdemar)” — referência ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O recado era claro: Giacobo não tinha mais espaço nem no partido que ajudou a construir no estado.
Com a porta da reeleição fechada em todas as frentes, a saída encontrada foi trocar o mandato federal pela cadeira de secretário. Em 30 de abril, Giacobo anunciou oficialmente que não concorrerá nas eleições de 2026, encerrando uma trajetória de 24 anos consecutivos na Câmara dos Deputados. Em suas palavras públicas, falou em “cansaço” e “coerência com sua trajetória”. Nos números das pesquisas, a leitura é outra.
R$ 8 bilhões nas mãos de quem não presta contas ao eleitor
A secretaria que Giacobo herda não é uma pasta qualquer. Ao deixar o cargo em abril, o antecessor Guto Silva anunciou um volume recorde de aproximadamente R$ 8 bilhões em investimentos ativos — sendo R$ 2,3 bilhões em obras em execução, distribuídas em mais de 700 projetos em cerca de 300 municípios, e R$ 5,4 bilhões em fase de licitação, contemplando cerca de 1.700 iniciativas em 368 cidades.
É uma cifra que, por si só, merece atenção. Com contratos de tamanha magnitude sendo geridos por um político que não mais responde ao eleitor — e que abriu mão da reeleição —, a transparência na condução das licitações e na escolha dos beneficiados se torna uma exigência de interesse público. Cabe à imprensa e à sociedade acompanhar de perto para quem irão essas obras, quais empresas serão contratadas e se os critérios técnicos prevalecerão sobre os políticos num ano eleitoral em que o grupo de Ratinho Junior precisa, mais do que nunca, de aliados nos municípios.
Por Gustavo – Portal Verdades / Fonte: Paraná Pesquisas (PR-06254/2026), NPDiário, Diário do Sudoeste, Blog do Esmael, Gazeta do Povo
