Prefeitura bloqueia acesso ao Pagnoncelli e empurra trânsito para os já caóticos Trevo da Guarani e Planalto

Prefeitura bloqueia acesso ao Pagnoncelli e empurra trânsito para os já caóticos Trevo da Guarani e Planalto

Quando assumiu os 15,4 quilômetros da antiga travessia urbana da BR-158, a Prefeitura de Pato Branco apresentou a municipalização como uma conquista histórica. A partir dali, o Município teria autonomia para cuidar da pista, melhorar a sinalização, reorganizar os acessos e enfrentar problemas que, durante anos, eram atribuídos à dependência do DNIT.

Naquele momento, a própria administração informou que o Depatran já havia percorrido toda a via, medido o trecho, identificado entradas e saídas e mapeado as ligações com os bairros. A promessa era transformar a antiga rodovia em uma avenida urbana mais organizada e segura.

Meses depois, a Avenida Frei Policarpo ainda apresenta buracos, falhas na pintura, acessos mal resolvidos e trevos que não conseguem dar conta do movimento nos horários de pico. Agora, após uma sequência de acidentes no acesso ao Bairro Pagnoncelli, a Prefeitura decidiu instalar tachões e impedir as conversões à esquerda.

A medida pode reduzir um risco naquele ponto. Mas deixa uma pergunta inevitável: para onde irá todo o fluxo que antes utilizava aquele acesso?

O que foi prometido

Com a municipalização, a Prefeitura assumiu autonomia e também a responsabilidade

Durante anos, sempre que se discutiam mudanças mais profundas na antiga BR-158, surgia o mesmo argumento: a rodovia era federal e qualquer intervenção dependia do DNIT. Trevos, acessos, sinalização e obras precisavam passar pelo órgão responsável pela via.

A municipalização mudou esse cenário. O trecho entre os quilômetros 528,10 e 543,50 passou para o controle de Pato Branco. A partir dali, a manutenção, a sinalização, a fiscalização e a organização do trânsito deixaram de ser responsabilidade federal e passaram para as mãos do Município.

A mudança foi comemorada justamente porque permitiria decisões mais rápidas e próximas da realidade local. Em publicação oficial de novembro de 2025, a própria Prefeitura informou que o Depatran havia realizado um estudo no trecho, com medição de toda a via e identificação das entradas, saídas e conexões com os bairros.

Segundo o Município, esse levantamento serviria para viabilizar o projeto de sinalização necessário à transformação da antiga rodovia federal em uma via urbana. A informação continua disponível no site oficial da Prefeitura de Pato Branco.

Portanto, a cobrança que existe hoje não nasce de uma expectativa criada pela imprensa ou pela oposição. Ela nasce daquilo que a própria Prefeitura anunciou quando assumiu a avenida.

A Prefeitura conquistou a autonomia que dizia precisar. Agora, não cabe mais atribuir ao DNIT os problemas de uma avenida que está sob responsabilidade municipal.
Nos Bastidores da Política
Extensão municipalizada
15,4 km
Do km 528,10 ao km 543,50
Primeira etapa da obra
4 km
Entre a Transgoss e o Trevo da Capeg
Valor contratado
R$ 53,1 mi
Investimento previsto na primeira etapa
Prazo da etapa
540 dias
Contados da ordem de serviço

A avenida que existe hoje

A grande obra foi anunciada, mas a população continua usando a estrutura atual

Não há dúvida de que o projeto da Avenida Frei Policarpo é importante. A proposta prevê marginais, recuperação da pista, ciclovias, iluminação, urbanização e viadutos nos trevos da Capeg, Guarani e Itacolomi.

O problema é que essa transformação levará tempo. A primeira etapa, entre a Transgoss e o Trevo da Capeg, tem prazo de 540 dias e não resolverá imediatamente os demais pontos da avenida.

Enquanto a obra definitiva avança por etapas, milhares de motoristas continuam passando todos os dias por uma pista com buracos, irregularidades, pintura desgastada e sinalização que muitas vezes não orienta com antecedência.

Quem conhece Pato Branco acaba aprendendo os acessos pela repetição. Quem vem de fora precisa tentar entender, em poucos segundos, qual faixa deve usar, onde entrar e como retornar. Em uma avenida com circulação de carros, motocicletas e veículos pesados, essa falta de clareza não é um simples detalhe.

Há motoristas que dizem perceber uma manutenção mais frequente no período em que o trecho ainda estava sob responsabilidade do DNIT. Não existe, no material analisado, um laudo técnico público que permita comparar oficialmente os dois períodos. Ainda assim, a percepção da população revela uma insatisfação que não pode ser ignorada.

A grande obra não afasta a obrigação de cuidar do trecho agora. Tapar buracos, recuperar a pintura, instalar placas claras e organizar acessos são providências básicas para uma avenida que continuará sendo utilizada antes da entrega de todas as etapas.

O acesso ao Pagnoncelli

Bloquear a conversão pode ser correto, mas o trânsito não desaparece

A instalação dos tachões no acesso ao Bairro Pagnoncelli impede que veículos atravessem a Avenida Frei Policarpo para realizar conversões à esquerda. A mudança também impede que quem sai do bairro cruze a pista para seguir no sentido contrário.

Do ponto de vista da segurança, a intervenção faz sentido. Aquele movimento colocava veículos atravessando faixas de tráfego contínuo, muitas vezes esperando no meio da avenida ou reduzindo bruscamente para completar a manobra.

Defender que tudo continue como estava apenas porque o acesso era mais rápido para alguns moradores não seria responsável. Se a conversão é perigosa, precisa mesmo ser revista.

A crítica não está, portanto, no simples fechamento. Está na falta de clareza sobre o que foi planejado para depois dele.

Quem seguia pela avenida e entrava à esquerda no Pagnoncelli terá de continuar até o Trevo da Guarani. Quem sair do bairro pela direita seguirá em direção ao Trevo do Planalto. O trajeto ficará mais longo e concentrará ainda mais veículos em dois pontos que já enfrentam dificuldades.

O trânsito que deixa de passar pelo Pagnoncelli não some. Ele apenas muda de caminho. E é justamente esse novo caminho que precisa estar preparado.
Análise do Portal Verdades

Trevo da Guarani

Mais veículos serão levados a um ponto que já trava nos horários de pico

O Trevo da Guarani não é problemático apenas porque sua configuração confunde parte dos motoristas. O problema mais visível aparece nos horários de maior movimento, quando o trânsito deixa de fluir e grandes filas se formam nas aproximações.

O local concentra acessos a bairros, empresas, estabelecimentos comerciais e diferentes regiões da cidade. Também recebe automóveis, motocicletas, caminhões e veículos que precisam entrar, sair, atravessar ou retornar praticamente no mesmo espaço.

Nos horários de pico, basta passar pelo local para perceber a dificuldade. As filas crescem, os veículos aguardam por longos períodos e qualquer movimento mais lento acaba afetando os demais. Em alguns momentos, o trevo se transforma em um verdadeiro gargalo.

É para esse ponto que parte dos motoristas do Pagnoncelli será direcionada. Por isso, não basta dizer que o condutor poderá seguir até o trevo e fazer o retorno. É preciso saber se o local tem condições de receber esse movimento adicional sem piorar um problema que já existe.

Além da falta de fluidez, permanece a dificuldade de orientação. Quem não conhece a cidade pode chegar ao trevo sem entender com antecedência qual faixa utilizar ou qual acesso deve seguir. Quando o motorista percebe tarde demais que está no lugar errado, reduz, muda de direção ou tenta corrigir o trajeto em meio ao trânsito carregado.

Até agora, não foi apresentado publicamente um estudo mostrando quantos veículos utilizavam a conversão bloqueada no Pagnoncelli e qual será o impacto desse novo fluxo sobre o Trevo da Guarani, principalmente nos horários de pico.

O risco dos retornos improvisados

Entradas de postos podem acabar sendo usadas como alternativa

Outro ponto que exige atenção é o trajeto de quem sai do Pagnoncelli e precisa seguir no sentido do Trevo do Planalto. Sem um retorno próximo, seguro e bem sinalizado, alguns motoristas podem acabar entrando em postos de combustíveis ou outros estabelecimentos apenas para mudar de direção. Essa manobra improvisada pode aumentar o risco de colisões e criar novos pontos de conflito ao longo da avenida.

Uma entrada comercial, porém, não foi planejada para funcionar como retorno. Para alcançar um estabelecimento do outro lado da pista, o motorista pode acabar reduzindo e atravessando novamente as faixas da avenida, repetindo poucos metros adiante uma manobra semelhante àquela que os tachões pretendem eliminar.

Isso não significa que todos agirão dessa maneira. Significa apenas que essa reação é previsível e deveria ter sido considerada antes da mudança.

Se o Depatran realmente mapeou todos os acessos da avenida, como a própria Prefeitura anunciou, é razoável esperar que esse tipo de consequência também tenha sido estudado.

A reação veio depois

Os acidentes aceleraram uma medida que poderia ter sido planejada antes?

O acesso ao Pagnoncelli já era conhecido pela dificuldade de cruzamento entre quem seguia pela avenida e quem tentava entrar ou sair do bairro.

Nos últimos dias, uma sequência de acidentes voltou a chamar atenção para o local. Entre as ocorrências está uma colisão entre uma motocicleta e uma viatura da Polícia Militar, que resultou na morte de um motociclista e deixou a passageira ferida. As circunstâncias do acidente devem ser apuradas pelas autoridades competentes, sem antecipação de culpa ou responsabilidade.

Depois, outra colisão envolvendo automóveis foi registrada no mesmo acesso. Com a repercussão das ocorrências, a cobrança por uma providência aumentou.

Os tachões representam uma resposta rápida e podem impedir novas colisões provocadas pela travessia da pista. Mas a sequência dos fatos também deixa a impressão de que uma ação mais firme só aconteceu quando o problema ganhou gravidade.

Essa é a parte que merece atenção política. Se a via já havia sido medida, fotografada e mapeada antes mesmo da municipalização, o acesso ao Pagnoncelli não deveria ser uma surpresa para o Município.

O planejamento de trânsito existe justamente para identificar o risco antes que ele se transforme em uma sequência de acidentes. Quando a resposta vem apenas depois da repercussão, fica a sensação de reação, não de prevenção.

O que falta aparecer

A Prefeitura precisa mostrar o plano para o período de transição

A administração tem uma grande obra em andamento e um projeto capaz de transformar a Avenida Frei Policarpo. Isso precisa ser reconhecido. Mas a população não pode esperar a conclusão de todas as etapas para ter uma via minimamente organizada.

Entre a municipalização e a entrega definitiva da avenida existe um longo período de transição. É nesse intervalo que a Prefeitura precisa explicar como fará a manutenção, quais acessos serão modificados, onde haverá retornos, como os trevos serão organizados e quais pontos receberão nova sinalização.

No caso do Pagnoncelli, algumas informações básicas ainda não foram apresentadas publicamente: quantos veículos utilizavam as conversões, qual é a rota recomendada aos moradores, qual será o impacto nos trevos da Guarani e do Planalto e como serão evitados retornos improvisados nos acessos comerciais.

Não se trata de exigir que a Prefeitura mantenha uma conversão perigosa. Trata-se de exigir que a solução seja completa. Fechar o acesso é apenas uma parte. A outra é garantir que o novo caminho seja melhor e não apenas mais distante ou mais congestionado.

Pontos que ainda precisam de resposta

1. A mudança no Pagnoncelli já estava prevista no levantamento realizado pelo Depatran?

2. Quantos veículos utilizavam diariamente as conversões agora bloqueadas?

3. Qual trajeto a Prefeitura recomenda oficialmente aos moradores?

4. O aumento do fluxo nos trevos da Guarani e do Planalto foi analisado?

5. Haverá alguma medida para evitar retornos improvisados em postos e estabelecimentos?

6. Qual é o cronograma de manutenção e sinalização para os 15,4 quilômetros municipalizados?

Nos Bastidores da Política

A autonomia chegou; o planejamento precisa aparecer

A municipalização foi apresentada como a solução para uma antiga limitação. A Prefeitura pediu autonomia para intervir na via e recebeu essa autonomia. Também assumiu, junto com ela, a responsabilidade por tudo o que acontece no trecho.

A instalação dos tachões pode ser uma decisão correta. Mas o mérito de bloquear uma conversão perigosa não encerra a discussão sobre a avenida inteira.

O que está em debate é a capacidade de planejar o caminho completo. Não adianta fechar um acesso sem observar o trevo que receberá os veículos. Não adianta impedir uma travessia no Pagnoncelli se o mesmo movimento puder ser repetido na entrada de um posto. E não adianta anunciar viadutos para o futuro enquanto a população enfrenta, hoje, buracos, filas e sinalização insuficiente.

O problema não é a ausência de projetos. Projetos existem. O que falta ser apresentado com clareza é como a Prefeitura pretende administrar a avenida até que tudo aquilo que foi prometido esteja pronto.

Os tachões podem resolver o acesso ao Pagnoncelli. Mas somente um planejamento para toda a avenida poderá impedir que o problema seja empurrado para o Trevo da Guarani, para o Planalto ou para a entrada de algum estabelecimento.
Portal Verdades

O espaço permanece aberto para que a Prefeitura de Pato Branco e o Depatran apresentem os estudos realizados, as rotas recomendadas e as medidas previstas para os trevos e acessos afetados pela mudança.

Nota editorial: esta publicação integra o quadro “Nos Bastidores da Política” e combina informações públicas com análise editorial sobre o planejamento e a administração da Avenida Frei Policarpo. As circunstâncias dos acidentes citados devem ser apuradas pelas autoridades competentes, sem antecipação de responsabilidade.

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