A gestão do prefeito Géri Dutra iniciou 2026 repetindo um roteiro que já se tornou marca do governo: ampliação da máquina pública, aumento da folha de pagamento e agravamento da crise nos serviços essenciais. Portarias publicadas desde o dia 1º de janeiro no Diário Oficial dos Municípios do Paraná revelam uma sequência de nomeações para cargos em comissão e concessões de gratificações, em total contraste com a promessa feita durante a campanha eleitoral de reduzir cargos pela metade e enxugar a estrutura da Prefeitura.
Promessa de campanha ficou no discurso
Na campanha, o discurso era de responsabilidade fiscal, corte de gastos e prioridade para saúde, educação e assistência social. Na prática, os atos administrativos assinados logo nas primeiras semanas do ano mostram que a promessa ficou apenas no palanque.
As portarias analisadas autorizam nomeações em diferentes secretarias e concedem gratificações que chegam a 50% do salário base. São cargos de livre nomeação, sem concurso, que aumentam de forma permanente a despesa com pessoal.
Não há qualquer medida concreta de contenção, extinção de cargos ou redução de gratificações. O que existe é manutenção e ampliação da estrutura política que a própria campanha dizia combater.
Serviços essenciais entram em colapso
Enquanto a máquina pública cresce, a realidade enfrentada pela população é de colapso.
A saúde pública sofre com falta de medicamentos, demora em atendimentos e risco real de paralisação de serviços. Mães de crianças autistas relatam abandono e ausência de políticas públicas efetivas. Famílias continuam sem vagas em creches, impedidas de trabalhar por falta de atendimento básico. A coleta de lixo se tornou irregular em diversos bairros. Pequenos fornecedores, com contratos e licitações em dia, aguardam pagamentos que não chegam, muitos deles dependendo desses valores para pagar laboratórios, funcionários e manter serviços essenciais funcionando.
Crise existe, mas a escolha é política
A justificativa apresentada pela administração municipal para esse cenário é sempre a mesma: falta de dinheiro. No entanto, os próprios dados oficiais mostram que o problema não é ausência de recursos, mas a escolha de prioridades. Se o município realmente estivesse em uma crise financeira intransponível, a primeira atitude lógica seria cortar gastos não essenciais, suspender investimentos que podem esperar e colocar a casa em ordem. Isso não acontece.
Obras seguem em andamento, especialmente asfaltos e intervenções visíveis, e esses contratos estão sendo pagos em dia, sem atraso. Ou seja, enquanto fornecedores menores ficam sem receber, medicamentos faltam e serviços básicos entram em colapso, obras continuam sendo executadas e pagas normalmente.
Se há crise, por que não suspender temporariamente essas obras? Por que não segurar investimentos que não são urgentes para garantir remédios, atendimento na saúde, vagas em creches, coleta de lixo funcionando e o pagamento de quem já prestou serviço ao município? A resposta parece cada vez mais evidente. Ano Político.
Com outubro se aproximando, a prioridade não é resolver o básico, mas manter obras em andamento para gerar imagens, inaugurações e material para redes sociais. A cidade real, onde a população precisa de atendimento médico, remédios, creches e serviços funcionando, fica em segundo plano. O governo prefere mostrar que “está fazendo”, mesmo que isso signifique deixar áreas essenciais à beira do colapso.
Dívidas crescem e empurram o município para o colapso
Além da precarização dos serviços e da ampliação de despesas com cargos e gratificações, os dados oficiais do próprio Portal da Transparência escancaram outro fator central para o cenário de colapso vivido pelo município: o crescimento acelerado das dívidas em aberto.
Apenas no período de 01 de janeiro de 2026 até 05 de fevereiro de 2026, os débitos atrasados da Prefeitura de Pato Branco somam R$ 7.707.134,38. Já no acumulado do ano anterior, entre 01 de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025, o valor chega a R$ 12.607.190,78.
Somados, os débitos ultrapassam R$ 20.314.325,16, isso mesmo mais de 20 MILHÕES DE REAIS, em pouco mais de um ano.
Trata-se de um passivo expressivo, que compromete diretamente o funcionamento da máquina pública e atinge, sobretudo, pequenos fornecedores e prestadores de serviço. O impacto é imediato: empresas deixam de receber, serviços são reduzidos, medicamentos não chegam e o risco de paralisação se torna real.
Quando esse endividamento é analisado em conjunto com a ampliação da folha política e a manutenção de obras sem urgência, o cenário se torna ainda mais grave e ajuda a explicar por que Pato Branco caminha para um colapso administrativo e financeiro, onde falta dinheiro para o básico, mas sobram escolhas que aprofundam a crise.
Gasto seletivo virou regra
Nesse contexto, a ampliação de cargos comissionados e gratificações torna o cenário ainda mais grave. Ao mesmo tempo em que a Prefeitura afirma não ter dinheiro para o básico, segue distribuindo cargos e aumentando despesas políticas permanentes.
Em uma gestão comprometida com responsabilidade fiscal, a prioridade seria clara: fazer o básico funcionar, pagar fornecedores, garantir medicamentos, organizar a saúde e os serviços essenciais. Aqui, a escolha foi outra.
O preço da incoerência
O problema, portanto, não é apenas financeiro. É administrativo, político e moral. A promessa foi reduzir a máquina. A prática foi mantê-la inchada. O discurso foi austeridade. A realidade é gasto seletivo, onde sempre há dinheiro para cargos, obras visíveis e estrutura política, mas nunca para aquilo que a população mais precisa.
Diante de tudo isso, fica evidente que a crise enfrentada por Pato Branco não é apenas de recursos, mas de prioridades. Governar exige escolhas, e as escolhas feitas até aqui indicam que a aparência, as obras visíveis e a manutenção da estrutura política vêm antes do funcionamento do básico.
Quando faltam medicamentos, vagas em creches, coleta de lixo eficiente e pagamentos a pequenos fornecedores, mas sobram cargos, gratificações e investimentos que poderiam ser suspensos, a mensagem transmitida à população é clara.
A cidade não precisa de espetáculo nem de propaganda, precisa de gestão responsável. Fazer o essencial bem feito deveria ser o mínimo, não uma exceção em meio ao colapso.
Por Gustavo – Portal Verdades.
