Um ano em que as promessas ficaram para trás e os fatos falaram mais alto.

Um ano em que as promessas ficaram para trás e os fatos falaram mais alto.

O ano de 2025 começou em Pato Branco sob tensão.

Com menos de quarenta dias de governo, uma denúncia grave envolvendo a campanha eleitoral chegou ao Ministério Público.
Mesmo arquivada na esfera eleitoral, a apuração identificou indícios relevantes, e o caso foi encaminhado à Polícia Federal.

Ainda em fevereiro, o Ministério Público recomendou a exoneração de um estudante de medicina nomeado para cargo comissionado na Saúde, apesar de cursar faculdade em período integral.
Pouco depois da nomeação, ele foi visto em viagem.
A exoneração ocorreu, mas as dúvidas ficaram: houve trabalho efetivo?
E o dinheiro público, foi devolvido?

No mesmo período, veio à tona a narrativa de um suposto rombo milionário deixado pela gestão anterior.
A Câmara analisou os dados e desmontou a versão oficial.
Não havia rombo.
O decreto de moratória foi considerado sem base técnica, o Ministério Público desmascarou a narrativa e recomendou sua anulação.

Pela primeira vez, a Câmara de Vereadores anulou um decreto do Executivo.

A população também passou a cobrar a abertura do Terminal Urbano.
Durante a campanha, ele foi tratado como a primeira grande ação do governo.
Até hoje, o terminal segue sem funcionar.

Março trouxe novos alertas.

A população foi informada sobre a possível terceirização do laboratório central de exames, levantando questionamentos sobre interesses privados na saúde pública.
Na educação, a Prefeitura decidiu trocar o material pedagógico Aprende Brasil pelo material do MEC, sem ouvir professores, pais ou a comunidade escolar.
A cidade, que era referência, passou a viver insegurança e preocupação.

Ainda em março, começaram as primeiras reclamações sobre a limpeza pública e a coleta de lixo.

Em abril, o foco se voltou ao trânsito.


Prometeram orientação.
Entregaram multas.

Denúncias, áudios vazados e pressão interna revelaram um DEPATRAN cada vez mais arrecadatório e distante da função educativa.

Ao mesmo tempo, o discurso eleitoral começou a ruir.
O prefeito havia prometido cortar cargos comissionados.
Na prática, tentou ampliar a estrutura por meio de projetos e lotou praticamente todos os cargos comissionados.
Em oitiva ao Ministério Público, praticamente admitiu que não cumpriu o que prometeu.

O esporte também começou a agonizar, sem incentivo e sem prioridade.

Junho marcou um divisor de águas.

A oitiva do prefeito no caso do nepostimo revelou nomeações familiares, parecer jurídico informal, ausência de trâmite legal e conflitos de interesse.


Enquanto isso, microempreendedores foram surpreendidos com aumento indireto de impostos.


E a Ouvidoria Municipal acumulava milhares de reclamações sem resposta, levando à abertura de uma Comissão Processante.

Julho escancarou o uso do dinheiro público.

Quase trinta e cinco mil reais foram pagos apenas para a criação de personagens institucionais.
Centenas de milhares em mídia oficial.
Novas tentativas de ampliar a máquina pública.
E alertas cada vez mais claros: a saúde caminhava para o colapso.

O Ministério Público cobrou o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, atrasado desde abril.


Moradores do Conjunto Siliprandi lotaram a prefeitura e cobraram promessas feitas em campanha que ficaram sete meses sem resposta.

Agosto expôs contradições visíveis.

Inaugurada oficialmente em 2024, a Arena Cláudio Petrycoski permaneceu fechada por quase oito meses, mesmo estando praticamente pronta para uso.
A liberação para o primeiro jogo só aconteceu em agosto de 2025, por decisão do atual gestor, que manteve a população afastada do espaço durante todo esse período.

Quando enfim foi aberta, o primeiro evento foi marcado por vaias do público a políticos que tentaram assumir a autoria da obra, apesar de ela ter sido construída com recursos do município e com o esforço da população pato-branquense.

No mesmo mês, crianças ainda aguardavam uniformes escolares, mesmo com contratos homologados e dinheiro empenhado.

Vereadores alertaram: a saúde já estava sendo sufocada por dívidas.

Setembro entrou para a história.

Pela primeira vez, servidores da saúde cruzaram os braços.
O município reagiu judicialmente para suspender a greve, aprofundando ainda mais o conflito.

Pouco depois, por seis votos a cinco, a Câmara rejeitou a cassação do prefeito na Comissão Processante da Ouvidoria.
A instabilidade política ficou evidente.

Outubro foi o mês mais tenso do ano.

O Ministério Público requisitou todos os contratos da Expopato.
Vieram à tona falhas graves, conflitos de interesse, ausência de licitação adequada e contratos milionários.

O Verdades alertou: a Expopato poderia ser suspensa a qualquer momento.
E foi exatamente o que aconteceu.

Logo no segundo dia do evento, a Justiça determinou a suspensão temporária da feira por falta de alvarás e falhas de segurança, com multa de cem mil reais por dia.
A liberação só ocorreu após uma corrida de última hora para regularização.

No mesmo mês, a Prefeitura firmou contrato de um milhão e quatrocentos mil reais para implantação do Estar Digital, incluindo software, totens e até um carro apelidado de MULTAMÓVEL entregue em comodato ao DEPATRAN para reforçar a fiscalização.

Ainda em outubro, documentos oficiais revelaram quase dez milhões de reais em dívidas acumuladas pela Prefeitura, sendo sessenta e sete por cento concentradas na saúde.
Enquanto isso, o prefeito criticava empréstimos no valor de R$ 70 milhões do passado, mesmo já tendo contratado quase R$ 53 milhões de reais em novos financiamentos em apenas seis meses de gestão.

Novembro consolidou o desgaste.

Uma Comissão Especial de Inquérito expôs indícios graves de promoção pessoal dentro da comunicação oficial da Prefeitura, além de desvio de função e ingerência política.
O relatório foi encaminhado ao Ministério Público.

Sob o comando da vice-prefeita Neuza Viganó, o Natal “Nossa Terra Natal” consumiu mais de quatro milhões e quinhentos mil reais.
A promessa de campanha era resgatar o grande desfile natalino.
Ele não aconteceu.
Apesar do gasto elevado, a população sentiu falta das atrações tradicionais, dos brinquedos, da grandiosidade anunciada e da decoração que deixou muito a desejar.

E o povo sentiu falta, principalmente, do Natal Solidário.

Em outros anos, milhares de famílias em situação de vulnerabilidade receberam cestas natalinas com alimentos básicos, garantindo comida na mesa, dignidade e um momento especial em uma das datas mais simbólicas do ano.
Para muitas dessas famílias, aquela cesta não era um complemento.
Era a ceia inteira.
Era o único frango, o único panetone e, muitas vezes, o único sorriso das crianças naquela noite.

Em 2025, isso não aconteceu.

No mesmo mês, o Ministério Público do Paraná confirmou denúncia criminal contra uma assistente social da Prefeitura por tentativa de comprar o silêncio de uma testemunha, oferecendo dinheiro e promessa de cargo público.
O caso já era conhecido internamente, mas nenhuma medida foi tomada.
Ao contrário: a servidora recebeu um aumento salarial superior a cem por cento em dois anos, sem explicações públicas, levantando suspeitas de favorecimento.

No Bairro Planalto, moradores receberam notificações em massa para adequação de calçadas em apenas trinta dias, sob ameaça de multa.
O sentimento foi de revolta, insegurança e abandono.

Em dezembro, a crise deixou de ser externa e se tornou interna.

Em um fato inédito na história política recente da cidade, a vice-prefeita rompeu publicamente com o prefeito, expondo divergências profundas sobre saúde, ação social e prioridades da gestão.
O governo perdeu o discurso de unidade.

Poucos dias depois, o Ministério Público recomendou a exoneração de uma servidora comissionada do DEPATRAN por apresentação de documento falso em processo administrativo.
A exoneração foi confirmada.
O caso segue sob apuração.

O fim do ano escancarou o cenário geral.

2025 se encerra com mais de dezesseis milhões de reais em dívidas, laboratórios sem receber, posto de combustíveis em atraso e diversos outros credores que passaram a virada do ano sem pagamento.
E, como se não bastasse, o prejuízo chegou ao funcionalismo público: salários de servidores, previstos para o dia trinta, segundo relatos, vão ser pagos apenas no ano que vem.

Somam-se a isso problemas graves na coleta de lixo, com acúmulo de resíduos no fim do ano, além de inúmeras reclamações sobre a situação da saúde.

E assim terminou 2025 em Pato Branco.

Não foi um ano de perseguição política.
Foi um ano de documentos, decisões oficiais, fatos públicos e cobranças legítimas.

O Verdades Pato Branco esteve presente em cada capítulo, cumprindo seu papel:
informar, fiscalizar e dar voz à população.

As promessas passaram.
Os registros ficaram.
E a verdade apareceu.


Por Gustavo, Portal Verdades.

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