Uma das principais promessas de campanha da atual gestão era resgatar o tradicional e grandioso desfile natalino de Pato Branco. A promessa foi repetida, reforçada e usada como bandeira para convencer o eleitorado de que o “Natal de Pato Branco voltaria a ser espetáculo”.
As promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2024 foram ambiciosas: a atual gestão assegurou ao povo que Pato Branco voltaria a ter “o maior Natal da história”, resgatando o tradicional desfile natalino que marcou gerações e se tornou patrimônio emocional da cidade. O compromisso não era apenas simbólico ele era repetido com confiança, usado como vitrine política e reforçado como sinal de uma nova fase para o município. A responsabilidade pela execução dessa grande promessa foi entregue diretamente à vice-prefeita Neuza Viganó, que assumiu a coordenação geral do evento Nossa Terra Natal.
Mas antes de entender o resultado de 2025, é preciso olhar para os últimos anos. O Natal de Pato Branco não foi realizado em sua forma tradicional nos períodos críticos da pandemia, entre 2020 e 2021, como ocorreu em praticamente todo o Brasil.
Em 2022, com a retomada, a cidade viveu um dos maiores eventos natalinos de sua história: o Pato Magic 2022. O evento contou com um grande desfile pela Avenida Tupi, brinquedos gratuitos na Praça Presidente Vargas como roda-gigante, tobogã e pista de patinação além de projeção mapeada na Igreja Matriz e um show gratuito com a Família Lima. A abertura oficial reuniu mais de 40 mil pessoas, marcando uma das programações mais completas e elogiadas que Pato Branco já teve.
Além da grande estrutura do Pato Magic 2022, aquele ano também ficou marcado pelo Natal Solidário, uma ação que contemplou mais de 3 mil famílias pato-branquenses em situação de vulnerabilidade. A prefeitura realizou a entrega de cestas natalinas com alimentos como frango, lentilha, panetone e chocolates, priorizando famílias cadastradas no CadÚnico e com renda de até meio salário mínimo per capita.
Foram três dias de distribuição em diferentes bairros, reunindo centenas de pessoas no Centro Poliesportivo do Planalto, Santo Antônio e Morumbi. A ação garantiu uma ceia digna e um momento especial para quem mais precisava, reforçando o caráter social do Natal de 2022 um ano que uniu estrutura, desfile, atrações e também cuidado com as famílias mais vulneráveis.
Em 2023, mesmo sem desfile, Pato Branco viveu um Natal bem organizado, com 30 dias de programação cultural, abertura com acender das luzes, chegada do Papai Noel e show local. A Praça Presidente Vargas recebeu apresentações diárias de teatro, balé, música, danças e atrações para toda a família, além do festival de food trucks.
Um dos diferenciais foi o Cinema Itinerante, com sessões gratuitas nos bairros e no distrito de São Roque do Chopim, aproximando a programação natalina das comunidades. As ruas, trevos e praças também receberam uma decoração caprichada, elogiada pela população. Mesmo sem desfile, o Natal de 2023 manteve o encanto, a boa estrutura e a participação popular sem gerar grandes polêmicas ou questionamentos.
Já em 2024, logo após as eleições, Pato Branco realizou o Natal da Gratidão, um evento simples, mas organizado, com programação cultural na Praça Presidente Vargas até o dia 23 de dezembro. Houve apresentações de música, teatro, dança e exposições, além da Casa Temática com Mamãe e Papai Noel e o Jardim das Borboletas uma atração leve, bonita e bem recebida pela população.
Mesmo sem desfile e sem grandes estruturas, não houve gastos com novas licitações: toda a decoração utilizada foi reaproveitada do acervo municipal. O Natal de 2024 conseguiu entregar um clima acolhedor e organizado sem gerar custos aos cofres públicos, mantendo a responsabilidade financeira e demonstrando que é possível realizar um evento bonito mesmo com orçamento limitado.
Esse histórico torna o cenário de 2025 ainda mais difícil de justificar.
Enquanto a cidade enfrenta dificuldades sérias na saúde, educação, manutenção urbana e um acúmulo de dívidas que já ultrapassa R$ 15 milhões, a gestão decidiu priorizar um Natal milionário. Os problemas aparecem diariamente: filas para consultas, examente, atendimentos limitados, escolas com falta de professores de apoio, coleta de lixo instável, obras a passos largos e fornecedores à espera de pagamento.
Mesmo com toda essa crise estrutural, o Nossa Terra Natal recebeu atenção especial da administração e principalmente da vice-prefeita Neuza Viganó, que centralizou decisões, conduziu planejamentos, acompanhou contratações e assumiu o protagonismo da execução. Nada disso, porém, aconteceu por iniciativa isolada. Todo o processo teve o aval direto do prefeito, que é o ordenador de despesa do município e quem autoriza, formaliza e valida cada gasto realizado. A prefeitura, portanto, não apenas sabia como chancelou todas as escolhas, etapas e valores envolvidos no projeto.
A expectativa criada pela própria gestão era de um retorno triunfal do tradicional desfile natalino. Mas o que as ruas da cidade receberam foi um Natal sem espetáculo, sem desfile e muito distante da grandiosidade prometida apesar de todo o planejamento, das contratações milionárias e da aprovação formal do chefe do Executivo para cada despesa.
As atas de homologação publicadas mostram que o município gastou mais de R$ 4,5 milhões somente com o Natal deste ano. São valores elevados destinados a fantasias, figurinos, adereços, maquiagens, aviamentos, iluminação cênica, contratação de Papai Noel, duendes caracterizados, Mamãe Noel, palcos, som, show pirotécnico e ornamentação de praças e prédios públicos. Analisando as licitações, tudo indicava que um grande desfile estava sendo preparado, afinal, o volume financeiro é compatível com um evento desse porte.
Mas ele não aconteceu.
O que a população viu foi uma abertura simples, com pouco impacto visual e decorações que, segundo muitos moradores, não justificaram o investimento milionário. Comentários nas redes sociais refletiram essa percepção. Frases como “esperava mais”, “faltou alguma coisa”, “por esse valor deveria ser maior” e “e o desfile prometido?” dominaram as publicações. O sentimento geral é que o Nossa Terra Natal entregou muito menos do que deveria e muito menos do que foi prometido.
Além disso, muitos moradores relataram sentir falta de algo que sempre foi marca registrada do Natal de Pato Branco: a roda-gigante, os brinquedos infantis e as atrações que encantavam as crianças. Durante anos, esses elementos foram parte essencial do espírito natalino da cidade, reunindo famílias inteiras e transformando o centro em um verdadeiro parque temático. Neste ano, porém, nada disso foi visto. Não havia brinquedos atrativos, não havia opções para as crianças, não havia aquela atmosfera lúdica que tornava o Natal de Pato Branco especial. Em um evento que consumiu mais de R$ 4,5 milhões, a ausência desses símbolos tradicionais reforçou ainda mais a sensação de que o município gastou muito, mas entregou muito pouco às famílias que esperavam reviver a magia que marcou outras gerações.
Outro ponto que chamou atenção foi a fala recente do próprio prefeito, que afirmou em entrevista ter “pegado todos os materiais de Natal deteriorados”. A fala tenta sugerir uma herança problemática, como se os danos fossem culpa de gestões anteriores. No entanto, é preciso lembrar um fato simples e incontestável: quem já era prefeito no início deste ano era ele mesmo. Foi sua equipe que desmontou a decoração de 2024, foi a atual gestão que recolheu, guardou e armazenou os materiais. Se tudo estava deteriorado, surge uma pergunta que não pode ser ignorada: a própria gestão não cuidou? Não armazenou corretamente? Ou houve falta de zelo e responsabilidade no processo? Tentar colocar a culpa em uma herança inexistente não se sustenta diante dos fatos.
A comparação com 2024 é inevitável. No ano passado, mesmo sem investir dinheiro, o município entregou um Natal digno, utilizando apenas a decoração já existente e economizando recursos públicos. Em contrapartida, em 2025, gastou-se mais de R$ 4,5 milhões, e ainda assim não foi entregue o desfile que a gestão garantiu durante a campanha. Se R$ 4,5 milhões não foram suficientes para realizar o desfile, a pergunta que fica é: quanto seria necessário para cumprir a promessa? Se com esse valor não se conseguiu entregar o básico do que foi anunciado, quanto seria então o custo total de um desfile completo?
Nenhuma dessas respostas aparece nos documentos oficiais da prefeitura e até agora, tampouco nas falas públicas da administração. O que se vê é uma escolha clara: priorizar um evento de forte apelo visual em detrimento das reais necessidades estruturais da cidade. Uma gestão que prefere colocar recursos onde há marketing, fotos e vitrines, enquanto setores essenciais permanecem enfraquecidos, desassistidos e à espera de soluções práticas.
E o exemplo mais recente disso foi a própria Expopato. Um evento milionário, planejado para tentar melhorar a imagem desgastada da gestão, vendido como um grande sucesso, mas que rapidamente se transformou em alvo de críticas, denúncias, problemas de organização e resultados questionáveis. Um tiro que saiu pela culatra assim como agora acontece com o Natal. São iniciativas que deveriam fortalecer a administração, mas acabam evidenciando ainda mais a falta de planejamento, o descompasso entre prioridades e a insistência em investir pesado em aparências, enquanto o essencial continua abandonado.
O Nossa Terra Natal, sob o comando direto de Neuza Viganó, poderia ter sido o símbolo da retomada do brilho e da tradição natalina de Pato Branco. Em vez disso, se tornou o retrato de uma administração que gastou muito, entregou pouco e frustrou uma promessa que marcou a campanha. O brilho das luzes não foi suficiente para esconder a escuridão das prioridades invertidas e a população sente isso todos os dias.
Por Gustavo, Redação Portal Verdades
Fontes: Portal da Transparência.

03 – HomologaþÒo Pag 1425 a 1616
03 – HomologaþÒo pag 1712 a 1917
03 – HomologaþÒo pag 479 a 523
03 – HomologaþÒo pag 1084 a 1154
03- HomologaþÒo pag 4600 a 4991
