Assistente social envolvida em escândalo público recebe salário dobrado pela gestão, agora o MP confirma a denúncia

Um novo episódio envolvendo figuras próximas à atual administração de Pato Branco voltou a levantar dúvidas, desconfiança e questionamentos sobre a transparência e os critérios adotados na escolha e manutenção de cargos dentro do governo.

A história é grave, antiga e agora volta à superfície com ainda mais força. Uma assistente social da administração municipal de Pato Branco, cujo envolvimento em um episódio polêmico já havia sido comentado amplamente no início do ano, acabou sendo formalmente denunciada pelo Ministério Público por suposta tentativa de comprar o silêncio de uma testemunha em processo criminal contra Emerson Arvelino, apoiador da campanha do prefeito Géri Dutra e réu no caso conhecido como a baderna da UPA.

Mas o que mais chama atenção e o que expõe uma contradição profunda dentro da atual gestão é que mesmo após o caso já ter vindo a público no início do ano, a administração decidiu valorizar a servidora, elevando sua remuneração para patamares muito acima do histórico e de forma jamais explicada.

O Portal Verdades analisou a denúncia, os documentos oficiais e os dados de folha de pagamento e os fatos são, no mínimo, inquietantes.

Caso já conhecido

O caso já era conhecido muito antes da denúncia oficial do MP

O episódio que agora se transforma em denúncia criminal não é novidade para ninguém dentro da Prefeitura.

O caso foi comentado internamente, circulou na cidade, ganhou repercussão e se tornou assunto público no início do ano. Mesmo assim, nenhuma medida preventiva foi tomada pela gestão.

Nenhum afastamento. Nenhuma investigação administrativa. Nenhuma apuração interna. Nada.

A administração simplesmente ignorou o escândalo.

E não apenas ignorou: premiou.

Denúncia do Ministério Público

A denúncia do Ministério Público: tentativa de comprar silêncio em processo criminal

Segundo a denúncia formal oferecida pelo Ministério Público do Paraná, registrada nos autos correspondentes, a assistente social e outro denunciado teriam, em 2024 logo após o pleito eleitoral que deu a vitória da atual gestão, já sabendo que seria influente na atual gestão, teria então oferecido e prometido R$ 10 mil e um cargo público para que uma testemunha alterasse ou omitisse a verdade em depoimento perante a Vara Criminal de Pato Branco.

O objetivo seria favorecer o outro investigado em um processo em andamento.

O crime imputado é o do art. 343 do Código Penal, que trata da chamada “corrupção de testemunha”:

“Dar, oferecer ou prometer vantagem a testemunha para que faça afirmação falsa, negue ou cale a verdade.”

Não é especulação, não é rumor. É uma denúncia oficial do Ministério Público, com base documental e encaminhada ao Judiciário.

A servidora não está condenada mas está denunciada criminalmente, o que, por si só, já exigiria afastamento, investigação interna e esclarecimentos públicos. Nada disso aconteceu.

Comparativo de vencimentos

O salto salarial: de 2023 para 2025, a remuneração simplesmente dobrou

Enquanto a denúncia corria, os números mostram outro fato que chama a atenção: a evolução salarial da assistente social entre 2023 e 2025.

Os valores são públicos e falam por si.

Vencimentos em 2023
Mês Valor
OUT R$ 7.456,35
SET R$ 7.456,35
AGO R$ 6.573,80
JUL R$ 6.638,02
JUN R$ 7.446,59
MAI R$ 7.446,59
ABR R$ 9.836,52
MAR R$ 11.077,45
FEV R$ 7.074,73
JAN R$ 7.074,73
TOTAL 2023 R$ 78.081,13
Vencimentos em 2025
Mês Valor
OUT R$ 19.596,32
SET R$ 16.225,20
AGO R$ 15.709,24
JUL R$ 16.337,47
JUN R$ 11.913,40
MAI R$ 15.487,88
ABR R$ 21.305,10
MAR R$ 20.519,20
FEV R$ 14.157,25
JAN R$ 11.276,77
TOTAL 2025 R$ 162.527,83

Ou seja, em dois anos, a servidora recebeu R$ 84.446,70 a mais.

Um aumento de 108%, mais que o dobro.

Média mensal:

  • 2023: cerca de R$ 7,8 mil/mês
  • 2025: cerca de R$ 16,2 mil/mês

Em 2025, alguns meses ultrapassam R$ 20 mil, valor completamente fora da curva para uma assistente social típica da administração pública.

E aqui surge a pergunta mais óbvia:

O que justificou essa mudança tão abrupta?

Mudança de cargo? Função gratificada? Atribuições especiais? Plantões extraordinários? Ou simplesmente favorecimento dentro da estrutura política?

Nada foi explicado oficialmente.

Cenário que exige respostas

Denúncia criminal + aumento explosivo = cenário que exige respostas imediatas

Separadamente, a denúncia já é grave. Separadamente, o salto salarial já é questionável.

Mas, juntos, ambos formam um cenário ainda mais preocupante:

  • Uma servidora denunciada por prometer cargo público
  • Que, ao mesmo tempo, recebeu uma valorização salarial incomum
  • Sem transparência, sem critérios claros e sem explicações oficiais

É exatamente esse tipo de situação que reforça suspeitas de:

  • favorecimento político,
  • uso de cargos como moeda de troca,
  • descontrole administrativo,
  • e falta de critérios técnicos na gestão.
Perguntas pendentes

O que a Prefeitura precisa explicar e ainda não explicou

O Portal Verdades lista os questionamentos que precisam ser respondidos publicamente:

Qual ato justificou o aumento salarial tão expressivo?

  • Houve nomeação para função gratificada? Qual?
  • Houve desvio de função ou acúmulo remunerado?
  • Por que não houve afastamento após a denúncia do Ministério Público?
  • Existe processo administrativo aberto?
  • Por que uma servidora denunciada por prometer cargo público continua exercendo funções normalmente?

A população merece e exige respostas.

Conclusão

Conclusão: mais um capítulo que reflete o caos administrativo que tomou conta da cidade

O caso não começa com a denúncia do Ministério Público.

Começa muito antes, quando a gestão optou por ignorar um escândalo já público e, pior, decidiu premiar a servidora envolvida.

A denúncia apenas formaliza aquilo que já era sabido e que a administração preferiu fingir que não existia.

Trata-se de mais um capítulo da desorganização, da falta de critério e da incapacidade da gestão em lidar com situações graves envolvendo pessoas de dentro da própria estrutura.

Enquanto Pato Branco enfrenta dívidas, serviços colapsados e caos administrativo, casos como este mostram que o problema não é apenas financeiro é moral.

Nada disso seria tolerado em uma administração séria.

Em Pato Branco, virou rotina e é a população quem paga a conta.

O Portal Verdades seguirá acompanhando o caso, cobrando esclarecimentos e trazendo à luz aquilo que insistem em esconder.

Porque a verdade sempre aparece e nós estamos aqui para isso.

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