Projeto da Igreja dos Irmãos Menonitas transforma o Hospital São Lucas com música, afeto e fé, emocionando pacientes, familiares e profissionais da saúde.
No silêncio dos corredores do Hospital São Lucas, em Pato Branco, um violão, risadas e vozes afinadas anunciam a chegada de um grupo diferente. São os Claunitas, um projeto de humanização hospitalar formado por voluntários da Igreja Irmãos Menonitas, que há cerca de três meses realizam visitas semanais para levar conforto emocional e espiritual a pacientes e colaboradores da unidade.

Vestidos de palhaços, eles percorrem os quartos cantando, orando e conversando com quem enfrenta desafios de saúde e momentos de fragilidade. A proposta, segundo os integrantes, é simples e profunda: “levar a graça com graça”, promovendo acolhimento, esperança e fé através de gestos leves e afetuosos.
“Nosso objetivo é compartilhar a mensagem do evangelho de forma sensível e alegre, levando conforto e lembrando que ninguém está sozinho, resume o líder do grupo, conhecido como “palhaço pastor”.
Durante uma das visitas acompanhadas pelo Portal da Cidade, a paciente Marli Padilha, internada após um acidente doméstico que resultou em cirurgia na cabeça, se emocionou ao receber o grupo no quarto. “Senti uma paz muito grande. Parece que Deus abraçou meu coração naquele momento. Eu precisava disso”, conta.
A acompanhante Cláudia, que estava com a mãe em tratamento, também destacou o impacto do encontro: “É difícil segurar as lágrimas. Eles trazem um alívio, um consolo. A gente sente esperança de novo”.
Para os profissionais do hospital, o gesto se tornou esperado e bem-vindo. A enfermeira Eduarda da Silva comemora o efeito das visitas na rotina hospitalar:
“Quando chega a quinta-feira, já sabemos que será um dia mais leve. O clima muda, os pacientes ficam mais tranquilos e nós, da equipe, também recebemos esse carinho.”
A psicóloga do hospital explica que o impacto desta ação é perceptível:
“O paciente enfrenta dor, medo e ansiedade. Essas ações voluntárias têm poder terapêutico. Já nos relataram a redução da angústia, melhora na autoestima e até reaproximações familiares, depois que eles passam pelos leitos. É como se o paciente reencontrasse a si mesmo e sentisse que não está sozinho.” Caroline Lavezzo/ Psicóloga

O trabalho do Claunitas evidencia o valor do voluntariado como aliado da saúde emocional. Sem remédios, mas com canções, escuta e sensibilidade, o grupo reforça que cuidar também é acolher, ouvir e levar esperança com gente que doa tempo, talento e amor para curar o que nem sempre a medicina alcança.
Matéria: Portal da Cidade
