Empréstimos e contradições: o discurso do prefeito e os números que ele esqueceu de mencionar
Durante a coletiva de imprensa realizada nesta semana, o prefeito de Pato Branco, Géri Dutra (PL), afirmou que a administração anterior teria deixado o município “engessado” por empréstimos bancários que segundo o próprio prefeito ultrapassariam R$ 70 milhões conforme video abaixo:
O que o prefeito não mencionou, no entanto, é que em menos de seis meses de governo, ele mesmo já contraiu R$ 52,8 milhões em novos empréstimos e chegou a tentar aprovar outros R$ 82,9 milhões, o que superaria todo o valor que ele critica.
Dois projetos rejeitados e três aprovados
Logo nos primeiros meses de 2025, a atual gestão enviou à Câmara de Vereadores dois projetos de lei que autorizavam o município a contratar R$ 82.905.000,00 em novos empréstimos junto a instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Fomento Paraná.
Os projetos foram barrados pela oposição, que apontou a ausência de clareza na destinação dos recursos e o risco de comprometimento da capacidade de endividamento do município.
Após pressão política, o Executivo reformulou as propostas e obteve a aprovação de três novas leis, sancionadas pelo próprio prefeito Géri Dutra:
Lei Ordinária nº 6.450/2025 — Banco do Brasil
Valor: R$ 22.300.000,00Lei Ordinária nº 6.451/2025 — Fomento Paraná
Valor: R$ 10.560.000,00Lei Ordinária nº 6.455/2025 — Caixa Econômica Federal (FINISA)
Valor: R$ 20.000.000,00
Total aprovado: R$ 52.860.000,00
Comparativo entre gestões
| Gestão | Valor total de empréstimos | Período |
|---|---|---|
| Cantu (2021–2024) | R$ 70 milhões | 4 anos |
| Géri Dutra (2025) | R$ 52,8 milhões | 6 meses |
Se os dois projetos originais de R$ 82,9 milhões tivessem sido aprovados integralmente, o atual prefeito teria superado em apenas cinco meses o total de empréstimos realizados durante os quatro anos da gestão passada.
“É uma contradição gritante: quem acusa o passado de endividar o município tentou fazer o mesmo e em tempo recorde.
Destino dos recursos e impactos fiscais
De acordo com os projetos de lei, os recursos seriam destinados a obras de pavimentação, infraestrutura urbana e contrapartidas de convênios.
Parte do montante também serviria para quitar um contrato anterior firmado em 6 de junho de 2020, ainda na gestão do ex-prefeito Augustinho Zucchi, referente a financiamento junto ao Banco do Brasil.
Ou seja, a atual gestão utiliza parte dos novos empréstimos para pagar dívidas de gestões anteriores, incluindo uma operação que não foi contratada pela administração de Robson Cantu ponto frequentemente omitido nos discursos oficiais.
Especialistas em finanças públicas explicam que esse tipo de operação é conhecido como “empréstimo de rolagem” quando novas dívidas são contraídas para liquidar débitos anteriores, o que não reduz o endividamento total e ainda compromete receitas futuras.
O silêncio sobre os próprios números
Apesar das críticas constantes à gestão anterior, o prefeito nunca mencionou publicamente os empréstimos aprovados na sua gestão.
Durante a coletiva, preferiu destacar o suposto endividamento herdado, omitindo que, em valores proporcionais, sua administração já igualou 70% do endividamento total dos quatro anos anteriores em apenas meio ano.
Essa omissão reforça o padrão observado nos últimos meses: a construção de uma narrativa política desconectada dos dados reais.
Entre o discurso e a prática
Em discurso, o prefeito afirmou que “é preciso responsabilidade e equilíbrio com o dinheiro público”.
Mas, na prática, as decisões orçamentárias mostram um ritmo acelerado de endividamento, que pressiona o caixa do município e limita a capacidade de investimento sem crédito futuro.
A incoerência é evidente: o gestor que diz “reconstruir uma cidade quebrada” tem usado o mesmo instrumento que critica o empréstimo bancário.
A campanha acabou é hora de governar
A população já julgou o passado nas urnas.
O ex-prefeito não foi reeleito, e o atual gestor foi escolhido democraticamente para fazer diferente.
Mas passados dez meses de mandato, a retórica eleitoral continua sendo usada como escudo para justificar falhas administrativas.
É hora de reconhecer que a campanha política terminou.
O eleitor não quer mais ouvir comparações quer ver resultados.
Chegou o momento de governar com maturidade, olhar para frente e cumprir o que foi prometido.
“O passado já foi julgado. O presente, prefeito, é a sua vez de ser avaliado pelo que faz, e não pelo que fala.”— Portal Verdades
Conclusão
A verdade é que o endividamento de Pato Branco não começou agora e tampouco terminou.
Mas o discurso seletivo, que aponta culpados e omite dados, acaba desinformando a população e transformando a política financeira do município em argumento de conveniência.
Criticar empréstimos passados enquanto se endivida no presente é o tipo de contradição que o tempo e os números não perdoam.
Redação Portal Verdades – Pato Branco (PR)
Fontes: Câmara Municipal de Pato Branco, Leis Ordinárias nº 6.450/2025, 6.451/2025 e 6.455/2025, Portal da Transparência, contratos oficiais e registros do Banco do Brasil (2020).
PL APROVADO 22.300.00,00
PL APROVADO 10.560.00,00
PL APROVADO 20.000.00,00
PROJETO REJEITADO R$ 69.660.000,00
PROJETO REJEITADO 13.245.000,00
POSICIONAMENTO DE VEREADOR SOBRE PROJETO REPROVADO
