Na manhã desta quarta-feira, a Prefeitura de Pato Branco interrompeu parte de suas atividades para realizar uma entrevista coletiva convocada pelo prefeito Géri Dutra (PL).
O encontro, promovido em horário de expediente e dentro da estrutura pública municipal, teve como objetivo declarado esclarecer a atual situação do município.
No entanto, o conteúdo e o tom da coletiva foram interpretados por muitos como uma tentativa de resposta indireta às matérias publicadas pelo Portal Verdades nesta semana, que expuseram dados oficiais e informações sobre a gestão.
O episódio reacendeu o debate sobre o uso do espaço público para fins pessoais e políticos, além de questionamentos sobre ética administrativa e respeito à liberdade de imprensa.
Coletiva em horário de expediente
A entrevista foi realizada durante o expediente normal da Prefeitura, com servidores presentes, estrutura institucional e o diretor de comunicação acompanhando o evento.
Embora não haja confirmação de que a equipe de comunicação tenha gravado ou produzido material oficial, o ato em si ocorreu em ambiente público e dentro do horário de trabalho dos servidores municipais.
Na prática, a coletiva transformou uma agenda oficial em um momento de defesa política, utilizando tempo e recursos públicos para fins não relacionados à prestação de serviço à população.
“Qual o interesse público em paralisar o serviço para justificar matérias de redes sociais?”, questionam cidadãos nas redes.
O episódio chamou atenção de servidores, jornalistas e da população, por levantar um debate importante:
qual é o interesse público de uma coletiva de imprensa realizada com a estrutura do município apenas para fins de defesa pessoal do gestor?
Um radialista local, que acompanhou o caso, comentou:
“A Prefeitura tem o direito de se manifestar, mas usar o horário de expediente e a estrutura pública pra isso ultrapassa o limite da comunicação institucional. A população quer respostas, não justificativas.”
Um discurso cheio de desculpas
Durante a coletiva, o tom predominante foi de justificativas e terceirização de culpa.
Desde o início, o prefeito adotou a retórica de que os problemas enfrentados seriam resultado de gestões anteriores, evitando reconhecer falhas e responsabilidades do próprio governo.
Foi o famoso “a culpa não é minha, é do outro” um discurso que, segundo observadores, já se tornou repetitivo e esvaziado.
Dez meses se passaram desde o início da atual administração tempo mais do que suficiente para apresentar resultados concretos.
O período de transição, que começou ainda em novembro do ano anterior, ofereceu ao governo tempo e condições de planejar as ações.
Mas, em vez disso, a gestão acumulou decisões questionáveis, gastos desnecessários e priorizações duvidosas, deixando problemas básicos, como pagamentos e serviços públicos, em segundo plano.
“Se houvesse foco em colocar a casa em ordem, em vez de buscar desculpas, a situação poderia ser muito diferente”
O argumento de que “herdou dificuldades” já não convence a população.
Após quase um ano de mandato, o discurso de transferência de culpa não se sustenta diante da ausência de resultados.
Aspecto jurídico e ético
O princípio da impessoalidade proíbe o gestor público de usar o cargo ou os recursos da administração para fins particulares, inclusive para defesa de imagem pessoal.
Quando uma coletiva é convocada com estrutura pública, horário de expediente e caráter político, há indícios de desvio de finalidade administrativa, já que o ato não atende ao interesse coletivo, mas à conveniência pessoal ou política do agente público.
A Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), em seu art. 11, considera ato de improbidade aquele que viola os princípios da administração, inclusive ao usar a estrutura pública para fins diversos dos institucionais.
A comunicação pública deve ser usada para informar a população sobre ações e serviços de interesse coletivo e nunca para rebater críticas ou defender a imagem pessoal de agentes políticos.
Comunicação em crise: o bastidor
Nos bastidores, o episódio também expôs o desespero da equipe de comunicação da Prefeitura, especialmente de seu diretor, que há anos atua na administração pública municipal.
Fontes internas relatam que a pressão sobre o setor é intensa, e que o diretor estaria tentando conter a narrativa institucional diante do avanço das reportagens independentes do Portal Verdades.
Segundo servidores próximos, o diretor de comunicação o mesmo que ocupou o cargo durante a gestão de Augustinho Zucchi “nunca tinha enfrentado uma situação como essa”.
Acostumado a administrar a comunicação em períodos de estabilidade, ele agora se vê em apuros diante da repercussão das denúncias e da crescente cobrança pública por transparência.
A avaliação de bastidores é de que manter a imagem do governo sob controle se tornou uma missão quase impossível, e que o setor de comunicação atua sob forte pressão para defender o prefeito e evitar desgastes políticos, mesmo diante de fatos públicos e verificáveis.
Portal Verdades prepara denúncia formal
Diante dos fatos, a redação do Portal Verdades está reunindo provas e registros documentais do ocorrido para formalizar denúncia junto aos órgãos competentes, incluindo o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado.
O objetivo é garantir que os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa sejam preservados e que o uso do espaço público seja devidamente apurado.
“Não se trata de perseguição política, mas de zelar pela boa aplicação dos recursos públicos e pela separação entre o que é institucional e o que é pessoal”
Conclusão
A coletiva convocada e conduzida por Géri Dutra dentro da estrutura da Prefeitura não teve caráter institucional, mas sim defensivo e político, voltado à reação contra matérias publicadas por um veículo independente.
Ainda que não haja indícios de gravação institucional ou uso direto da equipe de comunicação, o simples fato de o evento ter ocorrido em horário de expediente e em local público levanta questões legais e morais sobre o uso da máquina administrativa.
O Portal Verdades continuará atuando com independência, ética e transparência, exercendo seu papel de fiscalização social, sem recuar diante de pressões políticas ou tentativas de intimidação.
Redação Portal Verdades – Pato Branco (PR)
