Relatório oficial revela que a maior parte das obras anunciadas pela atual administração foi conveniada e planejada ainda na gestão anterior, com mais de R$ 130 milhões em recursos assegurados.
Nos últimos meses, a Prefeitura de Pato Branco tem divulgado uma série de novas ordens de serviço, apresentadas como conquistas da atual administração.
Porém, o Relatório de Convênios e Prioridades para Transição Municipal 2024–2025, elaborado ainda durante a gestão do ex-prefeito Robson Cantu, revela que a maior parte dessas obras já estava protocolada, conveniada e com recursos assegurados antes da troca de governo.
O documento, que reúne todos os projetos cadastrados junto ao Governo do Estado, Governo Federal e instituições de fomento, mostra que o município encerrou 2024 com aproximadamente R$ 136 milhões em convênios e financiamentos formalizados, abrangendo obras em andamento, licitações autorizadas e projetos prontos para execução.
Os números que explicam o cenário
O relatório detalha mais de 60 projetos ativos, envolvendo pavimentação, infraestrutura, educação, esporte, lazer e desenvolvimento urbano.
Somados, os convênios estaduais e federais ultrapassam R$ 100 milhões, consolidando um dos maiores volumes de investimentos públicos já garantidos em uma única gestão municipal.
Entre os projetos de maior relevância e que ainda não haviam sido iniciados até o encerramento da gestão anterior, estão o Terminal de Passageiros do Aeroporto Juvenal Cardoso, com investimento total de R$ 38,2 milhões, e o Restaurante Popular, orçado em R$ 4,9 milhões, que contempla não apenas a construção, mas também materiais permanentes, utensílios e equipamentos de segurança.
Também se destacam a pavimentação das comunidades de Cachoeirinha, Passo da Ilha e Itaipu, no valor de R$ 2,96 milhões, além de diversas pavimentações urbanas — como as dos bairros Parzianelo, Anchieta, Parque do Som, Planalto, Sambugaro, São João e Alto da Glória — que somam mais de R$ 10 milhões em convênios estaduais.
O relatório inclui ainda o sistema de energia fotovoltaica, um projeto moderno de R$ 9 milhões voltado à implantação de energia solar em prédios públicos, e o financiamento via Fomento Paraná, de R$ 13 milhões, destinado à ampliação e melhoria da malha viária do município.
Na área de infraestrutura e lazer, aparecem o 1º e 2º lotes de praças e Arenas “Meu Campinho”, com valor conjunto de R$ 4,1 milhões; o Parque Linear da Avenida Tupi Sul, de R$ 1 milhão; e o Parque e Áreas Verdes da Rua Osvaldo Cruz com Tocantins, orçado em R$ 1,57 milhão.
Há também convênios importantes voltados à estrutura comunitária, como a Capela Mortuária do Bairro Planalto, de R$ 631 mil, e a reforma do Ginásio Bela Vista (banheiros), de R$ 200 mil.
No setor de educação, o município garantiu duas novas creches estaduais do programa Infância Feliz, nos bairros Veneza e Gralha Azul, totalizando R$ 3 milhões em investimentos.
E, no campo esportivo, a construção das arquibancadas do Estádio Os Pioneiros, no valor de R$ 3,15 milhões, é uma das obras que mais chamam atenção pela dimensão e impacto comunitário.
Somando ainda a aquisição de máquinas e equipamentos (R$ 865 mil), o município encerrou a gestão com uma base sólida de projetos prontos para licitar ou iniciar, cobrindo praticamente todas as áreas administrativas da infraestrutura urbana à educação, da sustentabilidade à modernização dos espaços públicos.
Mais de 60 projetos ativos: um alerta para a atual gestão
O levantamento indica que, ao final de 2024, Pato Branco possuía mais de 60 obras e convênios ativos, entre licitações concluídas, autorizações de ordem de serviço e projetos em fase de formalização.
De acordo com o documento, a distribuição aproximada dos recursos é a seguinte:
Governo Estadual: cerca de R$ 60 milhões, voltados a pavimentações, praças, arenas, creches, ginásios e parques;
Governo Federal: aproximadamente R$ 54 milhões, voltados à infraestrutura urbana, educação, esporte e programas sociais;
Fomento Paraná e financiamentos complementares: em torno de R$ 22 milhões, destinados à pavimentação e aquisição de equipamentos.
Somados, esses valores chegam a R$ 136 milhões, um volume expressivo que reforça o quanto a cidade já estava preparada para uma sequência de obras e entregas.
O relatório, no entanto, também serve de alerta para a equipe de transição, já que parte desses convênios exigem execução imediata para evitar perda de prazos ou devolução de recursos empenhados.
Há obras que foram licitadas, mas ainda sem ordem de serviço formalizada — e, se não houver agilidade, o município corre o risco de perder investimentos significativos.
A colheita interrompida por falhas de comunicação e imagem
Os números do relatório revelam mais do que investimentos: mostram uma virada política que poderia ter sido evitada.
A gestão anterior enfrentou dois anos de pandemia, quando praticamente todos os esforços foram concentrados na saúde pública.
Nos dois anos seguintes, veio a fase de organização administrativa, captação de recursos e elaboração de projetos, o que resultou na grande carteira de convênios que hoje sustenta o cronograma de obras do município.
Em tese, 2024 e 2025 seriam os anos da colheita, o momento de mostrar à população os frutos desse trabalho.
Mas o que se viu foi uma falha dupla: de comunicação e de condução política.
De um lado, a gestão não conseguiu transformar o trabalho técnico em narrativa pública faltou clareza, presença nas redes e estratégia de comunicação direta com a população.
De outro, o próprio ex-prefeito, embora gestor ativo e dedicado, não tinha um perfil politicamente polido, o que gerou desgastes em falas e posturas que acabaram sendo exploradas pela oposição.
A pressão política e a ausência de resposta
Após o período da pandemia, a oposição passou a atuar de forma intensa, ocupando espaço nas redes, divulgando versões distorcidas e ampliando críticas em série.
Foi uma estratégia de desgaste contínuo, que encontrou pouca resistência do outro lado.
Enquanto os adversários criavam narrativas, o ex-prefeito optava pelo silêncio ou por respostas pontuais, sem equipe de comunicação estruturada, sem defesa organizada e sem um plano de imagem capaz de equilibrar o debate público.
O resultado foi um cenário previsível: quem dominou a comunicação, dominou a percepção popular.
Mesmo com resultados concretos em obras, convênios e captação de recursos, a gestão acabou perdendo o controle da narrativa, o que se refletiu nas urnas e abriu espaço para que a nova administração herdasse e capitalizasse politicamente os resultados do ciclo anterior.
Transparência e reconhecimento
O Relatório de Convênios e Prioridades é um retrato técnico e incontestável da origem dos recursos que hoje impulsionam Pato Branco.
Mais do que um documento burocrático, ele representa um registro histórico de esforço administrativo, que merece ser reconhecido e compreendido pela população.
A transparência é o caminho para que o cidadão saiba quem buscou, quem executou e quem apenas deu continuidade porque o dinheiro público tem dono: o povo, não os governos de ocasião.
O que importa é o desenvolvimento da cidade
Agora, o que se espera é que a atual gestão dê continuidade a todos esses projetos, garantindo que nenhum recurso seja perdido.
Mais do que buscar protagonismo, o que realmente importa é o avanço de Pato Branco.
Não interessa quem fez, quem deixou de fazer, quem buscou ou quem assinou: o que a população quer é ver a cidade desenvolver, as obras acontecerem e o município deslanchar de vez.
É fundamental que a administração atual trabalhe com altivez, tratando cada convênio herdado como parte de um mesmo propósito coletivo o de transformar Pato Branco em uma cidade cada vez mais moderna, eficiente e pronta para o futuro.
Reflexão final
O caso de Pato Branco é um retrato nítido da política contemporânea: não basta fazer, é preciso saber comunicar o que foi feito.
Em tempos em que a percepção vale tanto quanto o resultado, governos que não dominam a narrativa perdem o mérito das próprias conquistas.
As obras podem permanecer no chão, mas o crédito, quando não é defendido, muda facilmente de mãos.
E é assim que o trabalho de uma gestão inteira pode ser reescrito não pelos fatos, mas pelas versões.
Por Gustavo, Redação Portal Verdades
Confira o relatório completo abaixo e tire suas próprias conclusões sobre de onde vieram os recursos que hoje movimentam os canteiros de Pato Branco.
