Nos últimos dias, vereadores ligados à base do governo municipal tentaram atribuir a oposição a responsabilidade de ter provocado o Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) a investigar os gastos da ExpoPato 2025.
Mas os documentos oficiais do MPPR mostram que essa narrativa não corresponde à verdade. A investigação teve início ainda em agosto, a partir de uma denúncia anônima registrada por um cidadão no sistema do Ministério Público, e não por qualquer manifestação política ou parlamentar.
O Protocolo de Atendimento nº 0105.25.001090-4, datado de 19 de agosto de 2025, comprova o registro da denúncia que deu origem ao procedimento investigativo. O documento relatava o uso de recursos públicos municipais para custear shows milionários da ExpoPato, mesmo com o Município enfrentando sérias dificuldades financeiras e tendo decretado moratória no início do ano.
Em seguida, o Ofício nº 561/2025, assinado pelo promotor de Justiça Dr. Bruno Henrique Príncipe França em 20 de agosto de 2025, mostra que a 1ª Promotoria de Justiça de Pato Branco já havia solicitado informações à Prefeitura sobre os shows contratados para a feira.
No documento, o Ministério Público requisitou que o Município, no prazo de 10 dias úteis, informasse quais dotações orçamentárias estavam sendo utilizadas para custear os cachês, qual a finalidade pública do evento, e se havia convênios ou formas de arrecadação vinculadas à ExpoPato.
O ofício descreve o fato como uma “notícia de contratação de shows milionários pelo Município de Pato Branco, sem comprovação de retorno econômico ou social.”
Posteriormente, o caso passou a ser conduzido pela promotora Dra. Silvana Cardoso Loureiro, também da 1ª Promotoria de Justiça de Pato Branco, responsável pela área de Patrimônio Público.
No decorrer das investigações, a promotora expediu dois novos ofícios: o nº 695/2025, enviado à Prefeitura, e o nº 696/2025, direcionado à Comissão Central Organizadora (CCO) da ExpoPato — ambos datados de 02 de outubro de 2025.
O Ofício nº 695/2025 requisitou que a Prefeitura informasse, em até 24 horas, se houve anulação de dotações orçamentárias indicadas no Decreto nº 10.591/2025 — que remanejou recursos de várias secretarias para custear os shows — e apresentasse cópia integral dos três termos de cooperação técnica firmados para a realização da feira.
Já o Ofício nº 696/2025 determinou que a CCO encaminhasse, em 48 horas, todas as contratações realizadas para a ExpoPato, com base nesses mesmos termos de cooperação.
O documento, assinado digitalmente pela promotora, descreve o fato investigado como:
“Eventual contratação de shows pelo Município de Pato Branco para a ExpoPato 2025, sem comprovação de retorno econômico ou social e eventual ilegalidade na aplicação de recursos públicos.”
Essas informações deixam claro que o Ministério Público já vinha apurando os gastos da ExpoPato desde agosto, e que os ofícios expedidos em outubro são apenas uma continuidade do processo iniciado com a denúncia anônima.
Ou seja, a investigação não tem qualquer relação com a fala de um vereador da oposição, como alguns tentam fazer parecer.
Os procedimentos são públicos e podem ser consultados no portal do MPPR pelo número de protocolo 0105.25.001090-4.
A investigação, portanto, não surgiu de discursos políticos, mas de uma denúncia formal registrada por um cidadão, com base em indícios de possível irregularidade na aplicação de recursos públicos.
Enquanto a Prefeitura tenta justificar os gastos e desviar a responsabilidade, o Ministério Público segue cumprindo o seu papel: fiscalizar o uso do dinheiro público e garantir transparência na gestão municipal
E mesmo que a denúncia tivesse partido de um vereador, seja ele de oposição ou da situação, não haveria nada de errado nisso.
Afinal, fiscalizar o Executivo é justamente o papel do Legislativo.
O vereador é eleito e pago com dinheiro público para representar o povo, cobrar transparência e zelar pelo bom uso dos recursos municipais.
Questionar e acionar os órgãos competentes, quando há suspeita de irregularidades, não é politicagem: é dever constitucional.
Analisem os documentos e tirem suas próprias conclusões!
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Por Gustavo — Redação Verdades Pato Branco
