A tão esperada ExpoPato 2025, anunciada como a “feira gratuita para todos os pato-branquenses”, pode acabar se transformando em um grande problema jurídico e político para a atual administração.
O evento, que prometia acesso livre e shows para toda a população, vem sendo marcado por polêmicas que colocam em xeque a transparência e o planejamento da Prefeitura de Pato Branco.
O começo do problema
O Termo de Cooperação aprovado pela Câmara de Vereadores definia claramente que a responsabilidade pela infraestrutura do evento era do Município. Isso incluía montagem de palco, iluminação, segurança e demais estruturas essenciais para a realização da feira.
Mas, segundo documentos e informações apuradas, o Município informou à Comissão Central Organizadora (CCO) que não possuía recursos para cumprir essa obrigação.
Foi aí que tudo começou a sair do controle.
A “solução” que virou um problema
Sem palco, sem iluminação e sem estrutura, a CCO buscou uma alternativa para não deixar o evento morrer. Fez um acordo com uma empresa privada, que passou a cuidar da montagem e da infraestrutura em troca da autorização para explorar comercialmente os camarotes e áreas VIP — espaços que, até então, não existiriam, já que a ExpoPato foi anunciada como “gratuita”.
O problema é que esse arranjo fere o termo de cooperação aprovado pela Câmara, já que o Município não poderia transferir a terceiros uma responsabilidade que era sua. Se não havia dinheiro, a solução correta seria abrir uma licitação em modalidade de concorrência, garantindo transparência e oportunidade para que outras empresas pudessem disputar.
Mas o que se viu foi um “acordo informal” que deixou de fora qualquer processo competitivo.
Um “grátis” que sai caro
A festa anunciada como gratuita não é bem assim.
O Município já desembolsou mais de R$ 3 milhões em shows pagos com recursos públicos, e quem quiser assistir de perto vai precisar pagar ingresso, camarote ou bistrô.
Ou seja: o povo paga duas vezes — uma com os impostos e outra para conseguir chegar perto do palco.
O olhar do Ministério Público
A 1ª Promotoria de Justiça de Pato Branco já requisitou, em prazo de 48 horas, todos os contratos e documentos referentes à ExpoPato 2025, para verificar possíveis irregularidades e o uso de dinheiro público.
Falta de transparência
Outro ponto que chama atenção é a falta de transparência nas contratações e na execução do termo de cooperação.
Mesmo com os altos valores investidos e o uso de recursos públicos, não há clareza sobre como as empresas foram selecionadas, quais critérios foram adotados ou quanto será efetivamente repassado a cada contratado.
Esse tipo de situação reforça a necessidade de fiscalização e prestação de contas claras à população, que, afinal, é quem financia o evento com seus impostos.
O resumo de tudo
O que era para ser a grande festa do povo virou um retrato da falta de planejamento e da velha política.
A ExpoPato 2025 pode até acontecer, e esperamos que aconteça, mas o que não dá pra ignorar é o rastro de dúvidas, manobras e falta de transparência que envolvem esse evento.
Afinal, quando uma gestão anuncia tudo como “de graça”, mas o povo continua pagando a conta, é sinal de que o ingresso mais caro dessa festa é o da verdade.
