Géri prevê orçamento de R$ 748 milhões para 2027; Câmara cobra documentos faltantes da gestão antes de audiência pública

A proposta orçamentária apresentada pelo prefeito Géri Dutra prevê R$ 748,35 milhões para Pato Branco em 2027, aumento de R$ 43,35 milhões em relação a 2026. Entretanto, antes da audiência pública marcada para 11 de novembro, a Câmara formalizou uma cobrança urgente de documentos que, conforme apontamentos de um parecer contábil, estavam faltando na documentação encaminhada pelo Executivo.

Plenário com apresentação de gráficos da LOA 2027 de Pato Branco projetados em telões e participantes à mesa.
Apresentação da proposta orçamentária de Pato Branco para 2027. Foto enviada ao Portal Verdades.

A gestão do prefeito Géri Dutra encaminhou à Câmara Municipal de Pato Branco uma proposta de orçamento de R$ 748,35 milhões para 2027, mas a tramitação do projeto passou a registrar uma cobrança formal por documentos faltantes. Um requerimento protocolado no Legislativo em 29 de outubro solicita, com máxima urgência, que a Prefeitura encaminhe informações cuja ausência foi apontada em um parecer prévio contábil. A cobrança ocorre antes da audiência pública marcada para 11 de novembro, quando a distribuição dos recursos municipais será discutida com a população.

O Projeto de Lei nº 188/2026, apresentado pelo Executivo em 15 de outubro, estima as receitas e fixa as despesas do município para o próximo exercício. O valor é R$ 43,35 milhões superior ao orçamento inicial de 2026, aprovado em R$ 705 milhões, representando crescimento nominal de aproximadamente 6,15%. Entretanto, além de analisar como o dinheiro será distribuído entre secretarias, serviços e investimentos, a Câmara terá de examinar as pendências documentais apontadas durante a análise técnica da proposta.

Orçamento inicial de 2026
R$ 705 mi
Lei Orçamentária de 2026
Proposta para 2027
R$ 748,35 mi
Projeto de Lei 188/2026
Crescimento nominal
6,15%
R$ 43,35 milhões a mais
DOCUMENTAÇÃO QUESTIONADA

Câmara exige documentos faltantes apontados em parecer contábil

O ponto que chama a atenção na tramitação da proposta está no Requerimento nº 1160/2026, registrado oficialmente no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) da Câmara de Pato Branco em 29 de outubro. O documento solicita ao Poder Executivo, com máxima urgência, o encaminhamento dos documentos faltantes referentes ao projeto orçamentário de 2027.

A própria ementa do requerimento esclarece que a cobrança decorre de apontamentos constantes no Parecer Prévio Contábil, elaborado no âmbito da análise legislativa. Isso significa que a identificação das pendências foi registrada formalmente durante a tramitação do orçamento, e não apenas levantada em manifestações políticas.

Requer ao Executivo Municipal com a máxima urgência, o encaminhamento dos documentos faltantes referentes ao PL 188/2026 (…) conforme apontamentos constantes no Parecer Prévio Contábil.

Requerimento nº 1160/2026 — Câmara Municipal de Pato Branco

O registro público confirma a solicitação, mas não especifica, na ementa disponibilizada, quais documentos precisam ser complementados, qual a relevância de cada pendência ou se as informações já foram posteriormente encaminhadas pela Prefeitura. Portanto, a cobrança não permite concluir, isoladamente, que o orçamento apresenta irregularidades ou que a administração tenha descumprido alguma obrigação legal.

Ainda assim, a situação exige esclarecimentos, especialmente porque a proposta envolve a programação de centenas de milhões de reais destinados ao funcionamento da administração municipal, ao pagamento de servidores, à manutenção dos serviços públicos, aos investimentos e às obrigações financeiras do município.

O requerimento pode ser consultado diretamente no sistema oficial da Câmara Municipal.

DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS

Saúde e Educação concentram mais de R$ 393 milhões

Na distribuição anunciada pela Prefeitura para 2027, as duas maiores dotações são destinadas à Saúde e à Educação e Cultura. A Saúde tem previsão de aproximadamente R$ 226,2 milhões, enquanto a Educação e Cultura aparece com R$ 167,6 milhões. Juntas, essas áreas concentram aproximadamente R$ 393,8 milhões, o equivalente a 52,6% do orçamento proposto.

Outras destinações relevantes incluem R$ 92,9 milhões para Administração e Finanças, R$ 50,9 milhões para o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (Patoprev), R$ 37,1 milhões para Meio Ambiente, R$ 31,1 milhões para Assistência Social e R$ 30,6 milhões para a Procuradoria.

Esses valores, entretanto, representam autorizações orçamentárias previstas, e não necessariamente dinheiro disponível para novas ações. Parte significativa das dotações é utilizada para despesas permanentes, incluindo remuneração de servidores, contratos, manutenção de estruturas e serviços essenciais.

Por isso, a avaliação sobre as prioridades da gestão Géri precisa considerar não apenas quanto cada secretaria receberá, mas também o que será efetivamente executado, quais programas terão continuidade, quais despesas são obrigatórias e quanto estará reservado para novas obras e melhorias.

CUSTOS DA ADMINISTRAÇÃO

Proposta prevê R$ 329 milhões para pessoal e R$ 45 milhões para investimentos

Os demonstrativos orçamentários divulgados sobre o projeto de 2027 apontam uma distribuição que merece atenção. A previsão de despesas com pessoal e encargos sociais chega a aproximadamente R$ 329,13 milhões, equivalente a 44% do orçamento municipal. Outras despesas correntes representam cerca de R$ 299,61 milhões.

Já a rubrica de investimentos está estimada em R$ 45,01 milhões, aproximadamente 6% do orçamento total. Nesse grupo estão despesas classificadas contabilmente como investimentos, incluindo obras, instalações e aquisição de bens permanentes, conforme as ações previstas no planejamento municipal.

Pessoal e encargos
R$ 329,13 mi
Aproximadamente 44% do total
Investimentos
R$ 45,01 mi
Aproximadamente 6% do total

A diferença entre essas duas classificações não significa que o orçamento destinado a servidores represente desperdício. Profissionais da Saúde, Educação e de outros serviços públicos integram as despesas com pessoal, enquanto diversas atividades essenciais são financiadas por despesas correntes.

A questão central para a fiscalização é verificar a composição desses gastos, sua evolução em relação aos exercícios anteriores e quanto dos recursos projetados poderá resultar na ampliação ou melhoria da infraestrutura e dos serviços oferecidos aos moradores de Pato Branco.

A proposta também prevê aproximadamente R$ 9,3 milhões para amortização da dívida e R$ 7,6 milhões para juros e encargos. Esses valores deverão ser confrontados com os demonstrativos fiscais, o saldo do endividamento municipal e as demais obrigações financeiras, incluindo eventuais restos a pagar de exercícios anteriores.

COMPARAÇÃO COM 2026

Valores por secretaria apresentam mudanças importantes

A comparação das dotações iniciais de 2026 com as previsões para 2027 também indica alterações significativas. A Secretaria de Engenharia, Obras e Serviços Públicos, por exemplo, aparece com aproximadamente R$ 17,82 milhões na proposta de 2027, enquanto o orçamento inicial aprovado para 2026 destinava cerca de R$ 30,21 milhões à área.

A diferença representa uma redução nominal de aproximadamente 41% na dotação específica. Contudo, a comparação precisa considerar eventuais mudanças na estrutura administrativa e na distribuição das atribuições, já que a proposta de 2027 também prevê R$ 19,87 milhões para a Secretaria de Mobilidade e Transporte. Sem identificar quais programas e despesas foram transferidos, não seria correto tratar a redução de uma secretaria como uma diminuição equivalente de todos os investimentos municipais em infraestrutura.

Na Educação e Cultura, o movimento é diferente. A previsão passa de aproximadamente R$ 116,78 milhões no orçamento inicial de 2026 para R$ 167,66 milhões em 2027. Esse crescimento também requer análise das classificações, fontes de recursos, despesas obrigatórias e eventuais alterações na composição da secretaria.

Os dados evidenciam a importância de uma análise detalhada dos anexos da Lei Orçamentária Anual, especialmente para identificar quais programas receberam mais recursos, quais perderam espaço na programação e quais valores foram apenas redistribuídos entre estruturas administrativas.

TRAMITAÇÃO LEGISLATIVA

Pedido de urgência do Executivo não afastou análise técnica da Câmara

Outro episódio registrado durante a tramitação envolve o pedido de urgência apresentado pelo Executivo. Após a leitura do Projeto de Lei nº 188/2026, o presidente da Câmara, Joecir Bernardi, esclareceu que a solicitação não seria submetida à deliberação do plenário, diante do procedimento legislativo específico aplicável às propostas orçamentárias.

De acordo com o registro oficial da sessão, o Regimento Interno prevê etapas próprias para a análise da LOA, incluindo parecer contábil prévio, realização de audiência pública, apresentação de emendas e emissão de pareceres. Assim, a proposta seguirá o rito estabelecido para a matéria, independentemente da solicitação de urgência encaminhada pelo governo municipal.

A exigência de documentação complementar, nesse contexto, ganha relevância porque o Legislativo precisa dispor das informações necessárias para examinar as previsões de receita, os gastos programados e as condições de execução do orçamento antes de concluir sua apreciação.

PARTICIPAÇÃO POPULAR

Audiência pública será realizada em 11 de novembro

A Comissão de Orçamento e Finanças agendou para 11 de novembro de 2026, às 15h30, no plenário da Câmara Municipal de Pato Branco, a audiência pública destinada à discussão do Projeto de Lei nº 188/2026. O agendamento consta do Requerimento nº 1156/2026 e foi divulgado oficialmente pelo Legislativo.

A reunião permitirá que vereadores e cidadãos acompanhem a discussão sobre a distribuição dos recursos municipais e apresentem questionamentos ou sugestões. A audiência integra a tramitação da proposta e ocorre antes da conclusão da análise legislativa, quando ainda existe possibilidade de apresentação de emendas conforme as regras regimentais.

Audiência pública — LOA 2027
Data 11 de novembro de 2026
Horário 15h30
Local Plenário da Câmara Municipal de Pato Branco
Projeto em discussão PL nº 188/2026
Orçamento previsto R$ 748.350.000,00

Antes da audiência, uma das principais questões que permanecem abertas é a identificação dos documentos considerados faltantes no parecer contábil e a confirmação sobre sua eventual apresentação posterior. Também será importante esclarecer de que forma a proposta contempla compromissos financeiros já existentes e quais investimentos estão efetivamente previstos para 2027.

A proposta orçamentária ainda está em tramitação e poderá sofrer alterações durante a análise dos vereadores. Os R$ 748,35 milhões representam, portanto, uma estimativa de receitas e uma programação de despesas, não o valor efetivamente arrecadado ou gasto pelo município.

O projeto completo pode ser consultado no SAPL da Câmara Municipal de Pato Branco.

Com um orçamento projetado superior ao de 2026, a discussão envolve tanto a necessidade de manter os serviços públicos quanto a capacidade da administração de financiar novos investimentos. A apresentação das informações exigidas pela análise contábil e o detalhamento das prioridades previstas serão elementos fundamentais para que vereadores e população possam avaliar a proposta antes de sua votação.