A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que indeferiu, na véspera da eleição, a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) muda o cenário da disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado e favorece eleitoralmente os candidatos que estavam atrás do ex-procurador. Entre eles está Gleisi Hoffmann (PT). Mas uma pesquisa que já simulou a eleição sem Deltan mostra que Filipe Barros (PL) e Alexandre Curi (Republicanos) continuam numericamente à frente da petista.
No cenário sem Deltan medido pelo Real Time Big Data, Filipe Barros aparece com 25%, Alexandre Curi tem 22% e Gleisi registra 18%. Cristina Graeml aparece com 16%. Ou seja: a retirada dos votos de Deltan da totalização válida abre espaço para Gleisi, mas não a coloca automaticamente entre os dois primeiros nomes da disputa.
Gleisi ganha espaço, mas votos de Deltan não são transferidos para ela
O efeito da decisão precisa ser diferenciado de uma transferência de votos. Os votos destinados a Deltan não passam para Gleisi, Alexandre Curi, Filipe Barros ou qualquer outro candidato.
Sob a decisão atualmente vigente, esses votos serão considerados nulos e deixarão de participar da definição das duas vagas do Paraná no Senado.
É justamente aí que está o benefício eleitoral para Gleisi e também para os demais concorrentes. Um candidato que vinha ocupando uma das primeiras posições das pesquisas deixa de disputar as vagas com votos considerados válidos.
Na prática, diminui o número de candidatos competitivos disputando as duas cadeiras. Isso melhora a posição relativa de Gleisi, mas também fortalece a situação de Filipe Barros e Alexandre Curi, que já apareciam entre os primeiros colocados.
Barros aparece em primeiro e Curi mantém vantagem numérica sobre Gleisi
O levantamento do Real Time Big Data divulgado nesta reta final da campanha é especialmente importante porque o instituto testou exatamente o cenário que passou a ganhar relevância com a decisão do TSE: uma disputa sem Deltan Dallagnol.
Nesse cenário, Filipe Barros aparece com 25% das intenções de voto. Alexandre Curi vem na sequência com 22%. Gleisi Hoffmann registra 18%, enquanto Cristina Graeml aparece com 16%.
| Filipe Barros (PL) | 25% |
| Alexandre Curi (Republicanos) | 22% |
| Gleisi Hoffmann (PT) | 18% |
| Cristina Graeml (PSD) | 16% |
| Dr. Rosinha (PT) | 7% |
| Karen Guerreiro (Missão) | 2% |
A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Isso significa que há sobreposição estatística entre as faixas possíveis de Curi e Gleisi no limite da margem de erro. Ainda assim, no resultado nominal divulgado pelo instituto, Curi aparece quatro pontos percentuais à frente da candidata do PT: 22% contra 18%.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro, tem nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-04002/2026.
Ex-procurador aparecia entre os primeiros antes da decisão do TSE
No cenário do mesmo levantamento que incluía Deltan, o ex-procurador aparecia com 21%. Alexandre Curi e Filipe Barros tinham 19% cada, enquanto Gleisi registrava 16%.
A comparação entre os dois cenários demonstra por que a retirada de Deltan altera a configuração eleitoral. Sem ele, Barros sobe de 19% para 25%, Curi passa de 19% para 22% e Gleisi vai de 16% para 18%.
Não se trata de afirmar que os eleitores de Deltan necessariamente migrarão para esses candidatos no domingo. Os números representam respostas obtidas em dois cenários diferentes apresentados pelo instituto aos entrevistados.
Levantamento mais recente também coloca Barros e Curi à frente de Gleisi
A pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) também mostra Filipe Barros e Alexandre Curi numericamente à frente de Gleisi, embora o levantamento ainda tenha incluído Deltan entre as opções apresentadas aos entrevistados.
Considerando os votos válidos, Filipe Barros registra 25%. Alexandre Curi e Deltan aparecem com 21% cada. Gleisi vem depois, com 15%.
| Filipe Barros (PL) | 25% |
| Alexandre Curi (Republicanos) | 21% |
| Deltan Dallagnol (Novo) | 21% |
| Gleisi Hoffmann (PT) | 15% |
A Quaest ouviu 804 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número PR-05119/2026.
Como essa pesquisa foi realizada enquanto o nome de Deltan ainda fazia parte do cenário apresentado aos eleitores, ela não mede diretamente como os entrevistados se comportariam diante da retirada do candidato. Por isso, o cenário específico do Real Time Big Data sem Deltan oferece uma comparação mais direta sobre essa hipótese.
Poder360 já havia apontado efeito antes da decisão que indeferiu Deltan
Antes mesmo da decisão do TSE deste sábado, o possível benefício eleitoral para Gleisi já havia entrado no debate jurídico e político.
O Poder360 informou durante a tarde que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia recebido uma petição pedindo que os votos dados a Deltan fossem considerados nulos.
A reportagem destacou que uma eventual anulação poderia beneficiar Gleisi na disputa pelo Senado, justamente porque Deltan aparecia à frente da petista e disputava diretamente uma das duas vagas.
Naquele momento, tratava-se de um pedido apresentado ao STF. Horas depois, entretanto, surgiu um fato novo: o ministro Floriano de Azevedo Marques Neto, do TSE, indeferiu a candidatura de Deltan e determinou que os votos atribuídos a ele sejam considerados nulos sob a decisão vigente.
Registro de Deltan foi indeferido a poucas horas da votação
A decisão de Floriano Marques foi proferida neste sábado (3), véspera do primeiro turno das Eleições 2026.
O ministro reverteu o entendimento que havia prevalecido no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, onde o registro da candidatura de Deltan havia sido deferido por 4 votos a 3.
Segundo a decisão, permanece aplicável o entendimento anteriormente adotado pelo TSE sobre a inelegibilidade do ex-procurador, relacionada à sua saída do Ministério Público Federal em 2021 e à incidência da Lei da Ficha Limpa.
A Procuradoria-Geral Eleitoral havia apresentado, na sexta-feira (2), parecer favorável à manutenção do registro de Deltan. O parecer, entretanto, não vincula o julgamento e não foi acolhido pelo relator.
Não existe passagem automática dos votos de Deltan para outro candidato
A mudança jurídica não permite afirmar que um candidato específico herdará eleitoralmente os votos de Deltan.
O eleitor paranaense poderá votar em dois nomes para o Senado neste domingo, e a decisão sobre para quem irão os votos que poderiam ter sido destinados ao ex-procurador depende exclusivamente da escolha de cada eleitor.
O que é possível afirmar com base nos levantamentos disponíveis é que Filipe Barros e Alexandre Curi seguem numericamente à frente de Gleisi no cenário testado sem Deltan.
Assim, embora a candidata petista seja beneficiada pela retirada de um concorrente que aparecia entre os líderes das pesquisas, os números não permitem concluir que a decisão do TSE entregue a ela uma das duas vagas.
Duas vagas e uma eleição que chega ao último dia com cenário alterado
Diferentemente das eleições de 2022, quando apenas uma cadeira do Senado estava em disputa por Estado, neste ano os paranaenses escolherão dois senadores.
Essa característica torna o impacto da decisão ainda mais complexo. Um mesmo eleitor poderá escolher, por exemplo, candidatos de campos políticos diferentes para ocupar as duas vagas.
No levantamento Real Time Big Data sem Deltan, os números nominais colocam Filipe Barros em primeiro, Alexandre Curi em segundo e Gleisi em terceiro. Portanto, mesmo com a mudança provocada pela decisão do TSE, Barros e Curi seguem à frente da candidata petista no cenário pesquisado.
Situação jurídica de Deltan ainda pode ter novos capítulos
A decisão que indeferiu o registro de Deltan foi proferida individualmente pelo relator e ainda poderá ser submetida à análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral.
A defesa também poderá apresentar as medidas processuais cabíveis. Por isso, a situação jurídica ainda pode sofrer alterações.
Até eventual mudança, entretanto, prevalece a determinação atualmente vigente de indeferimento do registro e de nulidade dos votos destinados ao candidato.
A decisão contra Deltan, portanto, beneficia Gleisi ao retirar da contabilização válida um candidato que aparecia à sua frente. Mas o cenário eleitoral disponível não coloca a petista automaticamente dentro das duas vagas. No levantamento que já simulou uma eleição sem Deltan, Filipe Barros tem 25%, Alexandre Curi 22% e Gleisi 18%. A definição, agora, ficará com o eleitor paranaense nas urnas e com os eventuais novos desdobramentos da Justiça Eleitoral.
Pesquisa Real Time Big Data: 1.600 entrevistados entre 28 de setembro e 1º de outubro de 2026; margem de erro de 2 pontos percentuais; nível de confiança de 95%; registro PR-04002/2026. Pesquisa Quaest: 804 entrevistados entre 2 e 3 de outubro de 2026; margem de erro de 3 pontos percentuais; nível de confiança de 95%; registro PR-05119/2026. Pesquisas eleitorais retratam o momento da coleta e não constituem previsão do resultado das urnas.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: TSE, Poder360, Real Time Big Data, Quaest, Gazeta do Povo, CNN Brasil, UOL e Folha de S.Paulo
