Direita, esquerda e grandes disputas ideológicas costumam dominar o debate eleitoral. Mas existe outra pergunta que também pode ser feita quando o assunto é deputado federal: depois de receber centenas ou milhares de votos em Pato Branco, quanto daquele mandato apareceu em recursos destinados ao município?
O Portal Verdades retomou um levantamento que cruza a votação recebida em Pato Branco nas eleições de 2022 com valores identificados entre janeiro de 2023 e junho de 2026 para o Município de Pato Branco, o Fundo Municipal de Saúde e o Fundo Municipal de Assistência Social.
Nesta matéria, porém, o objetivo não é apresentar um ranking completo de deputados nem mostrar quem mais destinou dinheiro para Pato Branco. O recorte está concentrado justamente nos casos em que parlamentares receberam votação relevante no município e apareceram com valores baixos ou sem recursos identificados dentro da metodologia adotada.
Esta não é uma lista completa de todos os deputados que destinaram recursos para Pato Branco.
Parlamentares que apareceram com valores mais expressivos no levantamento mais amplo não são o foco desta publicação. Por isso, nomes como Leandre, Tadeu Veneri, Filipe Barros e Ney Leprevost não integram a relação apresentada abaixo.
O objetivo desta reportagem é observar especificamente os casos de candidatos que conquistaram centenas ou milhares de votos em Pato Branco, mas apareceram com valores comparativamente baixos ou zerados dentro do recorte público municipal pesquisado.
Muitos votos não significaram necessariamente muitos recursos
Quando votação e recursos são colocados lado a lado, aparecem situações que ajudam a dimensionar a relação mantida entre determinados mandatos e Pato Branco depois das eleições.
Gleisi Hoffmann, por exemplo, recebeu 3.339 votos em Pato Branco em 2022 e aparece com R$ 550 mil no recorte utilizado. Delegado Matheus Laiola recebeu 1.145 votos e aparece com R$ 200 mil. Zeca Dirceu teve 1.038 votos e R$ 250 mil.
Carol Dartora aparece com 969 votos e R$ 499.946. Paulo Litro recebeu 659 votos e Sargento Fahur, 514; no levantamento, nenhum dos dois apresentava valores destinados aos três favorecidos públicos considerados.
Votação em Pato Branco e recursos identificados
| Beto Richa | 370 votos | R$ 300 mil |
| Carol Dartora | 969 votos | R$ 499.946 |
| Delegado Matheus Laiola | 1.145 votos | R$ 200 mil |
| Geraldo Mendes | 238 votos | R$ 150 mil |
| Gleisi Hoffmann | 3.339 votos | R$ 550 mil |
| Paulo Litro | 659 votos | R$ 0 identificado no recorte |
| Sargento Fahur | 514 votos | R$ 0 identificado no recorte |
| Zeca Dirceu | 1.038 votos | R$ 250 mil |
Recorte utilizado: Município de Pato Branco, Fundo Municipal de Saúde e Fundo Municipal de Assistência Social, entre janeiro de 2023 e junho de 2026.
O mandato de deputado federal vai além do debate entre direita e esquerda
Deputados federais apresentam e votam projetos, fiscalizam atos do Poder Executivo, participam de comissões e atuam na discussão e fiscalização do Orçamento da União.
Dentro desse processo também existem as emendas parlamentares, por meio das quais recursos federais podem ser destinados a estados, municípios e instituições, observadas as regras orçamentárias e os requisitos para execução.
Esses recursos podem atender áreas como saúde, infraestrutura, assistência social, agricultura e outras políticas públicas.
Ao mesmo tempo, seria incorreto medir todo o trabalho de um deputado apenas pelo volume de emendas. Um mandato também envolve produção legislativa, fiscalização, articulação com órgãos federais, atuação em comissões e decisões nacionais que podem produzir efeitos nos municípios.
O voto recebido não garante retorno proporcional em emendas
Os números apresentados mostram que receber centenas ou milhares de votos em Pato Branco não cria, por si só, uma relação proporcional entre votação e volume de recursos destinados posteriormente ao município.
Também não existe obrigação legal para que um deputado destine a uma cidade recursos proporcionais aos votos recebidos naquele município.
O levantamento tampouco permite concluir que uma posição ideológica específica seja responsável pelo desenvolvimento ou pela falta de desenvolvimento da cidade. O que ele permite é acrescentar um dado objetivo ao debate: depois da eleição, é possível acompanhar quanto aparece destinado ao município por parlamentares que receberam votos dos pato-branquenses.
A questão não é determinar se direita ou esquerda representa melhor Pato Branco. O levantamento permite observar outra dimensão: depois que o voto foi dado, quais recursos aparecem destinados à cidade dentro do recorte analisado?
Deputado de outra cidade também pode atuar por Pato Branco
Um deputado federal eleito pelo Paraná exerce mandato estadual e nacional, e não exclusivamente em benefício do município onde possui sua principal base política.
Por isso, parlamentares de outras regiões podem destinar recursos, acompanhar projetos e atuar em favor de demandas de Pato Branco. Da mesma forma, um candidato ligado diretamente ao município não possui garantia automática de que destinará mais recursos caso seja eleito.
A origem geográfica do parlamentar e o volume de emendas são informações que podem ser acompanhadas, mas não resumem isoladamente a qualidade de um mandato.
Os números ficam disponíveis para o eleitor analisar
Em uma eleição para deputado federal, partido, ideologia, propostas, produção legislativa, atuação política e relação com os municípios são dimensões diferentes do mandato.
Esta reportagem observa somente uma delas: a relação entre a votação recebida em Pato Branco e os recursos encontrados dentro de um recorte específico das emendas destinadas ao município.
A escolha eleitoral pertence ao eleitor. O papel do levantamento é disponibilizar os dados e deixar claro o que eles mostram — e também aquilo que eles não permitem concluir.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: Tribunal Superior Eleitoral, Câmara dos Deputados, Portal da Transparência, Município de Pato Branco e levantamento do Portal Verdades
