Duas fonoaudiólogas, identificadas como Anelise Vivian e Gabriele Chevbotoer, são investigadas por suspeita de fraude envolvendo clínicas de fonoaudiologia em Pato Branco e São Lourenço do Oeste. Segundo as apurações, certificados falsos teriam sido usados para permitir a participação em licitações e o recebimento de valores maiores por atendimentos especializados, inclusive de crianças com Transtorno do Espectro Autista.
A investigação envolve as clínicas Multi Cuidado, de Pato Branco, e Audimais, de São Lourenço do Oeste. O caso integra a Operação Ártemis, conduzida pelo Ministério Público do Paraná, por meio do Gaeco de Francisco Beltrão, com apoio do Gaeco de Santa Catarina.
Certificados falsos teriam sido usados para habilitar clínicas em licitações
De acordo com o Ministério Público, a suspeita é de que certificados falsos de cursos técnicos e de pós-graduação tenham sido utilizados para comprovar qualificações que, segundo a investigação, não existiam. Esses documentos teriam permitido que as clínicas participassem de processos licitatórios ligados ao Consórcio Intermunicipal de Saúde, o Conims.
A apuração aponta que, com os documentos supostamente falsificados, as profissionais e empresas investigadas poderiam receber valores superiores por atendimentos especializados. Entre os serviços prestados estavam atendimentos voltados a crianças com autismo, público que exige acompanhamento técnico adequado e profissionais devidamente habilitados.
Caso começou após apuração da Polícia Civil de Coronel Vivida
As investigações começaram em 2024, depois de uma apuração da Delegacia de Polícia de Coronel Vivida. A partir dos primeiros indícios, o caso avançou para a atuação do Gaeco, que passou a investigar a possível existência de um esquema de falsificação de documentos para obtenção de vantagem em contratos públicos.
Na primeira fase da Operação Ártemis, foram cumpridos mandados em Pato Branco e São Lourenço do Oeste. Depois, na segunda fase, novas diligências foram realizadas em Santa Catarina, com mandados em Xanxerê e Maravilha. Documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos para análise.
| Investigadas | Anelise Vivian e Gabriele Chevbotoer |
| Clínicas citadas | Multi Cuidado e Audimais |
| Cidades relacionadas | Pato Branco, São Lourenço do Oeste, Xanxerê e Maravilha |
| Órgãos envolvidos | MPPR, Gaeco de Francisco Beltrão, Gaeco de Santa Catarina e Polícia Civil |
| Valor bloqueado | Aproximadamente R$ 265 mil |
| Suspeita central | Uso de certificados falsos para participação em licitações e recebimento de valores maiores em atendimentos especializados |
Justiça determinou bloqueio de aproximadamente R$ 265 mil
Segundo as informações divulgadas, a Justiça determinou o sequestro de aproximadamente R$ 265 mil nas contas das investigadas. O valor corresponderia ao montante que, conforme a apuração, teria sido recebido de forma indevida por meio dos contratos considerados irregulares.
O Ministério Público apura a autoria das falsificações, a extensão da suposta fraude e eventual participação de outras pessoas. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder nas esferas cível e criminal.
Defesas aguardam acesso e resultado das diligências
Conforme informado nas reportagens sobre o caso, as defesas das investigadas afirmaram que aguardam acesso aos elementos da apuração e o resultado das diligências e perícias antes de se manifestarem de forma mais detalhada.
Até decisão definitiva, Anelise Vivian, Gabriele Chevbotoer e as empresas citadas devem ser consideradas presumidamente inocentes, com direito à ampla defesa e ao contraditório.
Suspeita atinge área sensível da saúde pública
O caso chama atenção porque envolve contratos públicos de saúde e atendimentos voltados a crianças com Transtorno do Espectro Autista. Para famílias que dependem da rede pública e de serviços contratados por consórcios de saúde, a qualificação profissional não é detalhe burocrático: é uma garantia mínima de segurança, responsabilidade e qualidade no atendimento.
A investigação ainda precisa avançar para confirmar responsabilidades, mas o episódio reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre documentos apresentados em licitações, habilitações técnicas, contratos públicos e serviços prestados a públicos vulneráveis.
Por Gustavo - Portal Verdades / Fonte: G1 Paraná, MPPR e Gaeco
