A nota pública de quatro páginas assinada pelo diretor do Depatran, Romulo Faggion, divulgada nesta semana, tinha um objetivo claro: rebater denúncias sobre o aumento explosivo de multas e notificações em Pato Branco.
Mas o efeito foi o oposto.
O documento expõe contradições, esconde informações essenciais, manipula comparações e termina com a marca registrada do diretor relembrando de atitudes de quando era vereador: ameaças veladas a quem o critica.
O Portal Verdades analisou, ponto por ponto, e revela ao cidadão o que a nota tentou mascarar e o que ela acabou evidenciando.
Abertura agressiva: a nota começa atacando quem questiona, não apresentando fatos
Logo na introdução, a nota afirma que publicações estariam “induzindo a população ao erro”. Esse tipo de discurso não é informativo é defensivo, emocional e improvisado. Ao invés de apresentar dados sólidos, relatórios completos, estatísticas auditáveis ou qualquer elemento técnico que possa sustentar sua versão, Romulo escolhe o velho caminho político de tentar deslegitimar quem aponta os problemas.
O órgão responsável pelo trânsito deveria trabalhar com neutralidade e dados. Mas a nota abre num tom de indignação pessoal, como se fosse um desabafo. Não há transparência, não há informação clara apenas ressentimento e um incômodo evidente com o fato de que a população está questionando o aumento das multas e a explosão de notificações em Pato Branco.
A avalanche de notificações em novembro: a explicação dada só piora a situação
Quando tenta justificar o enorme volume de notificações publicadas no Diário Oficial em poucos dias, Romulo afirma que muitas seriam referentes a anos anteriores, enviadas agora por se tratar de “infratores não localizados”. Mas essa explicação, além de não convencer, revela ainda mais falhas internas.
Se são antigas, por qual motivo foram todas publicadas juntas? O que gerou esse acúmulo? Por que não foram tratadas meses antes? Isso evidencia desorganização administrativa visto que já estão a 10 meses no governo ou uma liberação em massa de notificações que, na prática, produz o mesmo impacto: uma enxurrada de multas entrando no sistema de uma vez só.
No fim, para o cidadão, não importa se a multa veio de ontem ou de três anos atrás. O que importa é que milhares apareceram de repente e nenhuma justificativa técnica foi apresentada para isso.
A comparação estatística manipulada: o diretor omite que os radares foram desativados
A tentativa de Romulo de provar melhora na gestão usando uma planilha que compara 2024 com 2025 é, talvez, o trecho mais comprometedor da nota. Ele tenta mostrar que as infrações diminuíram. Mas omite propositalmente o fato decisivo: Em 15 de dezembro de 2024, todos os radares eletrônicos de Pato Branco foram desativados.
Ou seja, 2024 teve fiscalização eletrônica diária, enquanto 2025 não teve radar algum funcionando. Comparar os dois anos é tecnicamente inválido, estatisticamente desonesto e administrativamente questionável. A queda de infrações de velocidade não tem relação com o Depatran mas com a ausência de equipamento para registrar essas infrações.
Essa omissão desmonta completamente a narrativa do diretor. Ele usa a redução artificial provocada pela falta de radares como se fosse um indicador de eficiência da gestão. Não é. É apenas resultado da desativação dos equipamentos. Nada mais.
Se a comparação fosse honesta, a explosão de multas em 2025 seria inegável
Se Romulo tivesse realmente interesse em apresentar uma análise séria, ele excluiria as infrações registradas por radar em 2024 e compararia apenas multas operacionais como estacionamento rotativo, OCR, estacionamento irregular, notificações diretas dentre outras. Mas essa comparação ele não fez, porque o resultado seria devastador para sua narrativa.
As multas que explodiram em 2025 não têm relação com velocidade. A população está reclamando de autuações diárias por motivos diversos, muitas vezes sem abordagem, sem clareza e sem explicação suficiente. Basta sair na rua e perguntar a qualquer cidadão: comerciantes, trabalhadores, motoristas de aplicativo, professores, autônomos, entregadores. A resposta será unânime nunca se multou tanto em Pato Branco como em 2025.
E isso não é opinião do Portal Verdades. É a percepção coletiva da cidade inteira, que sente o impacto no bolso e vive o trânsito na prática, não na planilha improvisada apresentada na nota.
O contrato de R$ 1,4 milhão e o silêncio sobre os totens que nunca apareceram
Quando tenta rebater críticas sobre o valor do contrato envolvendo o veículo com OCR, Romulo afirma que “não existe carro de dois milhões”. Mas ele mesmo descreve que foram pagos mais de R$ 33 mil pela concessionária e outros R$ 1.407.693,60 pelo sistema tecnológico, totalizando mais de R$ 1,4 milhão. Ou seja, não é o carro é o pacote. E é extremamente caro.
Mas aqui surge outra pergunta que Romulo convenientemente ignora: onde estão os totens que fariam parte desse sistema tecnológico? Eles deveriam estar instalados em diversos pontos da cidade, compondo a infraestrutura que justificaria um contrato desse porte. Contudo, até agora, ninguém viu esses equipamentos em funcionamento nem mesmo instalados.
A única parte do pacote que a população viu até agora é a parte que gera multa. Do restante, nenhum sinal concreto. E a nota não dedica uma única linha para explicar a ausência dos totens.
Sem transparência real, não existe fiscalização real: planilhas não substituem dados públicos
Um dos aspectos mais graves e silenciosos de toda essa discussão é a inexistência de um mecanismo público de transparência que permita ao cidadão acompanhar, de forma clara, quantas multas são emitidas, por quais motivos, por qual agente e em qual período.
O Portal Verdades analisou notificações, intimações e documentos porque tudo foi retirado de fontes oficiais: Portal da Transparência, Diário Oficial e arquivos públicos. Todos esses materiais estão armazenados e disponíveis.
Já a “planilha comparativa” apresentada por Romulo na nota não tem fonte, não tem metodologia, não tem auditoria e não tem qualquer espaço público onde seus dados possam ser verificados. É uma planilha que poderia ser alterada interna e manualmente em segundos. Isso não é transparência; é narrativa.
Se o Depatran realmente quer combater o que chama de “desinformação”, basta fazer o básico: criar um painel público com todos os dados de multas, infrações, notificações, volumes e estatísticas mensais. Sem isso, a população fica refém de planilhas caseiras apresentadas apenas quando convém. Transparência não nasce de discurso nasce de dados acessíveis.
O retorno ao velho Romulo: ameaças, intimidação e arrogância institucional
A parte mais constrangedora da nota surge quando faltam argumentos e o diretor volta ao modo que o consagrou como vereador: ameaça processar. Romulo encerra a nota anunciando “providências criminais e indenizatórias” contra quem divulgar “informações falsas”.
Essa estratégia de intimidação pode funcionar contra quem tem medo de se manifestar, mas não contra quem trabalha com documentos públicos, dados oficiais e transparência.
E aqui é preciso ser transparente: não existe absolutamente nenhum processo, denúncia ou investigação contra o Portal Verdades. Nada.
Se Romulo quiser processar, que processe. Estamos aqui. Que vá ao Judiciário e que leve consigo suas planilhas de excel para que possam ser confrontadas com os documentos públicos que nós utilizamos.
Assim como fazia no Legislativo, Romulo ameaça, ameaça… e não faz nada. Tenta ganhar no grito.
Conclusão: a nota não derruba as críticas ela confirma tudo o que Pato Branco já percebeu
A nota pública de Romulo não esclarece nada. Pelo contrário, ela reforça as denúncias, expõe omissões, revela falhas operacionais e deixa claro que o Depatran age sem organização técnica e sem controle institucional. A tentativa de desmentir acabou confirmando, por vias indiretas, aquilo que a população já sente: a gestão do Depatran está desorganizada, mal conduzida e centrada em respostas emocionais ao invés de administrativas.
Falta técnica, falta serenidade, falta transparência e sobra indignação pessoal. Um órgão público jamais deveria funcionar assim.
E enquanto o diretor tenta controlar a narrativa através de planilhas incompletas e ameaças, a população vive a realidade que ele tenta negar: o aumento das multas é real, é sentido no bolso e é reconhecido por toda a cidade.
O Portal Verdades seguirá fazendo o que sempre fez investigar, analisar, documentar e informar. A verdade não depende de nota oficial. Depende de coragem para ser dita.
Por Gustavo, Redação Portal Verdades.
Fontes: Portal da Transparência
